Francisco de Vargas y Camargo

 Nota: Não confundir com Francisco de Camargo.
Francisco de Camargo
NascimentoTrujillo
CidadaniaEspanha
Progenitores
  • Francisco de Vargas y Medina
ParentescoInés de Carvajal y Camargo(mãe)
Gutierre de Vargas Carvajal (irmão)
Alonso de Camargo (parente)
CônjugeMaría de Ocampo y Sotomayor[1][2]
Filho(a)(s)Inés[1][2]
Ocupaçãonavegador, explorador e comandante
TítuloAdelantado da Nova Leão (nominal), recebido em 6 de novembro de 1536 – 24 de janeiro de 1539
Senhor da Oliva de Plasencia
Religiãocatolicismo

Francisco de Camargo,[3] também chamado de Francisco de Vargas y Camargo (c. século XVI, Trujillo[4] – século XVI) foi um navegador, explorador e comandante espanhol do século XVI, adelantado da Governadoria da Nova Leão. Foi senhor da Oliva de Plasencia,[2] filho de Francisco de Vargas y Medina e Inés de Carvajal y Camargo, irmão do bispo de Plasencia Gutierre de Vargas Carvajal e parente de Alonso de Camargo.[5]

Casou-se com María de Ocampo y Sotomayor, com quem teve uma filha, Inés de Camargo, que se casou com seu tio Juan de Vargas Carvajal, cavaleiro de Santiago e conselheiro dos reis Carlos I e Filipe I.[1][2]

Gobernadoria da Nova Leão

Governadoria da Nova Leão após sua ampliação até o Estreito de Magalhães em 1536, sob o comando de Francisco de Camargo.

Após a morte de Simón de Alcazaba y Sotomayor na Patagônia em 1535, Francisco de Camargo tentou cruzar o Estreito de Magalhães em 1536, mas sua nau capitânia colidiu na Primeira Angostura. Dali surgiria o mito da Cidade dos Césares.[6]

Ele recebeu a concessão real para o estabelecimento no estreito naquele mesmo ano graças ao seu irmão, o bispo Gutierre de Vargas Carvajal, que lhe transferiu os direitos oficiais de uma capitulação real do rei Carlos I, que outorgava os direitos para conquistar e colonizar territórios que se estendiam dos 36 graus de latitude sul até o Estreito de Magalhães.[7][8][9][10][11] Camargo foi nomeado adelantado, governador e capitão-general vitalício, alcaide-mor e tenente das três fortalezas que deveria construir, podendo nomear um herdeiro após três anos.

{{cita|(...) Por quanto vós, Francisco de Camargo, morador e vereador da cidade de Plasencia, nosso criado, pela muita vontade que tendes de nos servir e pelo engrandecimento de nossa coroa real de Castela, vos ofereceis para ir conquistar e povoar as terras e províncias que há para conquistar e povoar na costa do mar do Sul desde onde se terminam as duzentas léguas que na dita costa estão dadas em governação a dom Pedro de Mendoza, até o Estreito de Magalhães; e com toda a volta da costa e terra do dito estreito até a volta pela outra mar até o mesmo grau que corresponda ao grau onde tiver terminado na dita mar do Sul a governação de dom Pedro de Mendoza, e começado a vossa, e as ilhas que estão no rumo das ditas terras e províncias que assim deveis conquistar e povoar na dita mar do Sul, sendo dentro de nossa demarcação.[12]

Francisco começou os preparativos para aquisição e abastecimento de navios construídos nos estaleiros biscaínhos; a evidência sugere que foi o próprio bispo quem, em última instância, assumiu a carga financeira e dirigiu a expedição. Uma vez pronta, Camargo transferiu, em 24 de janeiro de 1539, seus direitos e o comando da frota ao frei Francisco de la Ribera,[13] que como governador comandou a expedição composta por quatro navios preparados em Sevilha e Sanlúcar de Barrameda, partindo deste último em agosto de 1539.[14]

Em 20 de janeiro de 1540, os três navios que conseguiram chegar entraram no Estreito de Magalhães, onde sofreram uma tempestade que, dois dias depois, afundou a nau capitânia comandada por Ribera, cuja tripulação foi resgatada, separando os outros dois navios em direções opostas. O segundo navio, após dez meses, conseguiu retornar à Espanha com dificuldade,[15] e, o terceiro navio, em que viajava o parente de Francisco Camargo, Alonso de Camargo, conseguiu chegar ao Peru atravessando o estreito,[16] provavelmente descobriu o Canal de Beagle e avistou a ilha de Chiloé. O outro navio, de nome desconhecido e cujo capitão provavelmente era Gonzalo de Alvarado, tomou posse do que se acredita serem as Ilhas Malvinas em 4 de fevereiro de 1540, onde passou o inverno por cinco meses, prosseguindo depois viagem até a Espanha.

A tentativa seguinte de colonização da área ocorreria em 1584 com o fracassado intento de fundar a Cidade do Rei Filipe na península de Brunswick,[17] e depois, em 1779, realizou-se a expedição sob o comando de Juan de la Piedra, que explorou a "baía sem fundo" (atual Golfo Nuevo) e fundou o Forte de San José de la Candelaria. Nessa expedição, embora novamente fadada ao fracasso, participaram figuras que mais tarde teriam papel importante na colonização da Patagônia, como Rodrigo de Viedma e Basilio Villarino.

Referências

  1. a b c Augusto de Burgos (1853). Blason de España; Libro de oro de su nobleza; Reseña genealógica y descriptiva de la casa real, la grandeza de España y los títulos de Castilla (PDF). Madrid: Rivadeneyra. p. 669. Consultado em 7 de julho de 2025 
  2. a b c d «Señores de la Oliva de Plasencia». Andando por Oliva de Plasencia. Consultado em 7 de julho de 2025 
  3. «Capitulaciones con Francisco de Camargo». Valladolid: PARES. 6 de novembro de 1536. Consultado em 2 de julho de 2025. Descripción: Real Cédula de capitulaciones con Francisco de Camargo para la conquista y población de las costas del Mar del Sur, desde el final de la gobernación de Pedro de Mendoza hasta el Estrecho de Magallanes.  Verifique data em: |data= (ajuda)
  4. «La disputa de límites entre la Argentina y Chile: el debate Quesada-Amunátegui». Historia General de las Relaciones Exteriores de la República Argentina. 2003. Cópia arquivada em 18 de junho de 2008 
  5. «Un obispo renacentista. Don Gutiérre Vargas de Carvajal (1524-1559)». Asociación Cultural Coloquios Históricos de Extremadura. 1 de outubro de 2006. Consultado em 3 de julho de 2025 
  6. Mateo Martinic (2002). Breve historia de Magallanes (PDF). [S.l.]: Ediciones de la Universidad de Magallanes. p. 26 
  7. Lagos Carmona, Guillermo (1985). Los Títulos Históricos - Historia de las fronteras de Chile. [S.l.]: Andrés Bello. p. 147 
  8. Sergio Esteban Caviglia (2012). «Malvinas Soberanía, Memoria y Justicia - 10 de Junio de 1829 -» (PDF). Província de Chubut, Argentina: Ed. Secretaría de Cultura del Ministerio de Educación. p. 49. Consultado em 2 de julho de 2025 
  9. José María Rosa (1970). Historia argentina: Los tiempos españoles, 1492-1805. [S.l.]: J.C. Granda 
  10. Pedro F. Christophersen (1942). Historia constitucional argentina. [S.l.]: G. Kraft ltda. p. 44 
  11. Busaniche, José Luis (2005). Historia argentina. [S.l.]: Taurus. pp. 67–69 
  12. Miguel Luis Amunategui (1879). La cuestión de límites entre Chile y la República Argentina, tomo I. Santiago do Chile: Imprenta Nacional. pp. 116–117 |Texto da capitulação outorgada a Francisco de Camargo, 24 de janeiro de 1539}}
  13. «Gutierre de Vargas Carvajal». Historia Hispánica - Real Academia de Historia. Consultado em 2 de julho de 2025 
  14. Fernando Guillamas y Galiano (1858). Historia de Sanlúcar de Barrameda. Madrid: Colegio de Sordo-Mudos y de Ciegos. p. 346. Consultado em 7 de julho de 2025 
  15. Diego Barros Arana (1884). Historia general de Chile - Tomo Primero 1. reimpressão da 2ª ed. Santiago do Chile: Ed. Universitaria. ISBN 956-11-1533-6 
  16. Morales, Ernesto (2006). Exploradores y piratas en la América del Sur. [S.l.]: Renacimiento. ISBN 9788484726906 
  17. Jesús Veiga Alonso: "El puerto del hambre" em www.cervantesvirtual.com