Francisco de Almeida Grandella
| Francisco de Almeida Grandella | |
|---|---|
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| Conhecido(a) por | Armazéns Grandella |
| Nascimento | 23 de julho de 1853 |
| Morte | 20 de setembro de 1934 (81 anos) |
| Nacionalidade | português |
| Ocupação | Comerciante |
| Assinatura | |
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Francisco de Almeida Grandella (Aveiras de Cima, Azambuja, 23 de julho de 1853 — Foz do Arelho, Caldas da Rainha, 20 de setembro de 1934) foi um industrial, comerciante e político republicano português.[1]
Biografia
Nasceu a 23 de julho de 1853, em Aveiras de Cima. Era filho do médico Francisco Maria de Almeida Grandella, natural de Lisboa (freguesia de Santa Justa), e de Matilde Doroteia de Barros, natural de Aveiras de Cima.[2]
Vindo para Lisboa, em 1863, começou por ser marçano numa loja de fazendas, camisaria e modas, na rua dos Fanqueiros, em Lisboa. Regressou depois a Aveiras de Cima, onde aprendeu francês durante um ano, sem revelar qualquer propensão para a vida comercial. Novamente em Lisboa, trabalhou na loja de José Gomes de Carvalho na Rua dos Fanqueiros, em 1870, e, a partir de 1874, noutra loja de fazendas na Rua da Prata, até se despedir devido a um conflito. Fundou a Grandella & C.ª e criou o seu primeiro estabelecimento comercial, comprando o trespasse de uma loja na Rua da Prata, na mesma área de negócio, em 1879 - a Fazendas Baratas -, que tinha preços marcados, o que alterou o paradigma do regateio entre vendedor e cliente, até então muito comum, e também possibilitou a venda por encomenda para todo o continente, ilhas e colónias, através de catálogo.[3][4] Abriu mais duas lojas na década de 1880, uma loja de fazendas e linhos do judeu Benjamim Aflalo, no Rossio, a que chamou Loja do Povo e à qual atraiu clientela através de um empregado vestido de soldado inglês, e a loja Novo Mundo, na Rua do Ouro.[4][5]
Em Benfica, abriu fábricas de malhas, tecidos, fiação e móveis de ferro.[4]
Em 1891 cria a primeira grande superfície comercial em Portugal, os «Armazéns Grandella», em Lisboa, na Rua do Ouro, inaugurando um novo modelo de vendas ao estilo dos grandes armazéns de Paris e Londres.[6] Em 1903, comprou o prédio das traseiras dos Armazéns Grandella, na Rua do Carmo, ligando os dois edifícios e construindo dez pisos, numa complexa obra que demorou quatro anos. Em 1907, foram inaugurados os Grandes Armazéns Grandella, com elevador elétrico, secção de material fotográfico e cantinas para os empregados. Na fachada inscreveu um medalhão com o seu lema "Sempre por bom caminho e segue", ainda hoje visível.[4]
A atividade comercial é o ponto de partida para o desenvolvimento da atividade no domínio industrial em áreas como a fiação e tecelagem e os móveis de ferro[7].
Não casou, mas teve cinco filhos de três mulheres diferentes - Luís, Francisco, Eduardo, Matilde e Maria Justina. Após um período de dificuldades decorrentes da I Guerra Mundial, que obrigaram à paragem das fábricas, ao financiamento junto da banca e à hipoteca de bens, Luís Grandella foi escolhido como seu sucessor à frente dos negócios, não sem antes três dos filhos lhe terem movido, em 1924, um processo por prodigalidade, pedindo que fosse declarado incapaz de gerir o seu património. Em resposta, editou nos Armazéns Grandella o livro Assalto, uma espécie de livro de memórias como prova de estar em plena posse das suas capacidades, tendo vencido o processo contra os filhos. Mudou-se para o seu palácio na Foz do Arelho e acabou por doar todos os bens aos filhos. Em 1932, o Banco Porto Covo & C.ª ficou como acionista maioritário da Grandella & C.ª. Após a sua morte, a 20 de setembro de 1934, na Foz do Arelho, a proprietária da Grandella & C.ª era Luciana Maria de Oliveira Croft, condessa de Porto Covo.[5][4]
O político
Em 1884, fundou, juntamente com outros sócios como Luís Simões Raposo, José Cordeiro Júnior, José de Castro, António Machado Santos e Miguel Bombarda, a Sociedade dos Makavenkos, um clube boémio e de conspiração contra a monarquia em Lisboa, sediado no Teatro Novo, na Rua dos Condes (atual Hard Rock Café).[5][4]
Filiado no Partido Republicano, apesar de não ter experiência política, foi eleito vereador da Câmara Municipal de Lisboa entre 1908 e 1912[7], ano em que renunciou ao mandato. Era frequentemente substituído nas sessões de câmara por José Nunes Loureiro, alegando motivos de saúde. Enquanto vereador, defendeu a criação de um imposto sobre a indigência, a deportação das crianças mendigas para trabalho na lavoura nas colónias, a criação de milícias de vigilância contra o vandalismo e outros crimes, a realização de campanhas de sensibilização nos jornais para evitar que os habitantes atirassem lixo para o chão e a colocação de caixotes do lixo na Avenida da Liberdade.[4]
Ofereceu o seu património imóvel, avaliado em cinco mil e 600 milhões de réis, para ser dado como garantia caso o Estado necessitasse de contrair um empréstimo, tendo também financiado a revolução de 5 de Outubro de 1910.[5]
As iniciativas sociais
Empenhado no domínio social, na primeira década do século XX, construiu um bairro (Bairro Grandella), dotado de creche e escola primária, para alojar as famílias dos seus empregados e operários.
Criou uma Caixa Previdente do Futuro.[4]
Entre outras iniciativas desta índole, construi duas escolas primárias, uma em Aveiras de Cima, sua terra natal, a que deu o nome do seu pai, Francisco Maria de Almeida Grandella, e outra na Foz do Arelho[7].
Foi sempre defensor do descanso semanal aos domingos e dava uma semana anual de férias aos funcionários.[5]
Durante a I Guerra Mundial, nunca aumentou os preços dos produtos, numa atitude solidária para com o esforço de guerra do país.[5]
Escrevia para "O Domingo", órgão de comunicação dos caixeiros portugueses, e o "Federação Comercial", dos empregados do comércio.[5]
Maçon
Iniciado na maçonaria, filiou-se, em 1910, na loja José Estevão, em Lisboa[6].
Referências
- ↑ Marques 1986, p. 695-6, vol I
- ↑ «Livro de registo de batismos da paróquia de Aveiras de Cima (1850-1861)». digitarq.arquivos.pt. Arquivo Nacional da Torre do Tombo. p. 43
- ↑ Pereira, p. 833, vol III
- ↑ a b c d e f g h «A história de Francisco Grandella: maçon, boémio e visionário». DN
- ↑ a b c d e f g «Francisco Grandella, o comerciante revolucionário». Expresso
- ↑ a b Marques 1986, p. 695-6, vol. I
- ↑ a b c Mateus 2003, p. 130
Bibliografia
- Marques, A. H. de Oliveira (1986). Dicionário de maçonaria portuguesa. 2. Lisboa: Editorial Delta
- Mateus, Luís Manuel (2003). Franco-Mações Ilustres nas Ruas de Lisboa. Lisboa: Câmara Municipal de Lisboa. ISBN 972-8695-15-2
- Pereira, Esteves; Guilherme Rodrigues (1904–1915). Portugal: Dicionário Histórico, Corográfico, Heráldico, Biográfico, Bibliográfico, Numismático e Artístico. 7. Lisboa: João Romano Torres Editor

