Francisco Ramos da Costa
| Francisco Ramos da Costa | |
|---|---|
| Nascimento | 12 de setembro de 1913 Alfarelos |
| Morte | 4 de setembro de 1982 (68 anos) Lisboa |
| Cidadania | Portugal |
| Ocupação | político, economista |
| Distinções |
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Francisco Ramos da Costa (Alfarelos, Soure, 10 de setembro de 1913 — Lisboa, 4 de setembro de 1982)[1] foi um economista e ativista político português.
Biografia
Família, Educação e Carreira
Oriundo de uma família camponesa de Alfarelos, era filho de João Aires Ramos e Maria Emília Ramos da Costa.[2]
Estabeleceu-se em Lisboa aos 11 anos, trabalhando como moço de recados. Frequentou o Instituto Comercial de Lisboa e licenciou-se em Finanças, no Instituto Superior de Ciências Económicas e Financeiras, atual ISEG.
Entre outros empregos, foi diretor do Hotel Avis, em Lisboa.[3]
Ativismo
Período no PCP
Militante do Partido Comunista Português (PCP), chega à comissão de organização do partido em 1935, ano em que é preso pela PIDE pela primeira vez.[2] No final da década, chegará ao Comité Central. Paralelamente, integra também o Grupo de Amigos da Liberdade, em 1935, juntamente com Álvaro Cunhal, Vasco de Magalhães Vilhena, Mário Dionísio e Álvaro Salema; no final dos anos 1930 participa no lançamento da Frente Popular, a cuja comissão nacional também pertence; no final da década de 1940 integra a Comissão Executiva do MUNAF e a comissão consultiva e de economistas do MUD. Militaria ainda na direção da organização militar do PCP com o pseudónimo Campos. Por causa das suas atividades política voltaria sucessivas vezes à cadeia, em 1947, em 1948, e novamente em 1949, na última vez na sequência das suas intervenções durante a campanha de José Norton de Matos para Presidente da República.
A 2 de Novembro de 1945, realizou a conferência O Desamparo do Trabalho e a Democracia Económica, na Voz do Operário, em Lisboa, a qual foi editada e publicada no mesmo ano nos Cadernos da editora Seara Nova.[4][5]
Resistência Republicana e Socialista
A partir de 1950 Ramos da Costa começa a assumir posições críticas face ao sectarismo do PCP. Acabará por sair do partido e, juntamente com Mário Soares, Fernando Piteira Santos e outros, enceta uma tentativa de reagrupamento de opositores ao regime saídos do PCP, que toma forma em 1953, com a Resistência Republicana, mais tarde Resistência Republicana e Socialista.[3] No entanto, nas eleições presidenciais de 1958 começa por apoiar o candidato suportado pelo PCP Arlindo Vicente, acabando, depois da desistência de Vicente com o Pacto de Cacilhas, por ser ativo apoiante de Humberto Delgado.
Envolvido na Revolta da Sé, que estava a ser preparada para 11 de março de 1959[6] e, a seguir, no Golpe de Beja, Ramos da Costa resolveria fugir para Paris, para escapar a uma nova prisão.[7]
Exílio e retorno
Representou a Resistência Republicana e Socialista nas conferências da Frente Patriótica de Libertação Nacional em Roma (1962), Praga (1963) e Argel (1964).[8]
No exílio, em articulação com Mário Soares e Tito de Morais, esteve envolvido na fundação da Ação Socialista Portuguesa (1964) e na fundação do Partido Socialista (1973). Foi responsável pela projeção internacional do PS junto de Willy Brandt e Olof Palme e pela integração do partido na Internacional Socialista.[3]
Viveu na capital francesa até ao 25 de Abril de 1974, tendo regressado a Portugal, acompanhando Mário Soares e Tito de Morais no chamado Comboio da Liberdade. Entre 1977 e 1978, foi Embaixador de Portugal na Dinamarca.[9]
Morte e homenagens
Morreu em Lisboa, a 4 de setembro de 1982.[3]
A 5 de abril de 1984 foi agraciado, a título póstumo, com o grau de Grande-Oficial da Ordem da Liberdade, pelo Presidente da República Ramalho Eanes.[10]
Referências
- ↑ «Biografia». Consultado em 1 de fevereiro de 2017
- ↑ a b «Francisco Ramos da Costa - PIDE, Serviços Centrais, Registo Geral de Presos, liv. 7, registo n.º 1202». Arquivo Nacional da Torre do Tombo. Consultado em 3 de janeiro de 2026
- ↑ a b c d «Casa Comum - Fundação Mário Soares». Consultado em 1 de fevereiro de 2017
- ↑ Ramos da Costa, Francisco (1945). O Desamparo do Trabalho e a Democracia Económica Cadernos ed. Voz do Operário, Lisboa: Seara Nova
- ↑ Proposta de Deliberação n.º 537/2014 - Anexo (PDF). Loures, Portugal: Câmara Municipal de Loures. 10 de Dezembro de 2014. p. 63
- ↑ «"Revolta da Sé" - 60 anos». Museu do Aljube. Consultado em 7 de fevereiro de 2026
- ↑ «Costa, Francisco Ramos da (1913-1982)». Consultado em 1 de fevereiro de 2017
- ↑ Martins, Susana Maria Santos (setembro de 2013). «Exilados portugueses em Argel. A FPLN das origens à rutura com Humberto Delgado (1960-1965)». http://hdl.handle.net/10362/10810
- ↑ «Dinamarca - Titulares». Portal Diplomático. Consultado em 3 de janeiro de 2026
- ↑ «Cidadãos Nacionais Agraciados com Ordens Portuguesas». Resultado da busca de "Francisco Ramos da Costa". Presidência da República Portuguesa. Consultado em 9 de julho de 2019