Francisco Nunes
| Francisco Nunes Junior | |
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| Informações gerais | |
| Também conhecido(a) como | Chico Nunes |
| Nascimento | 14 de maio de 1875 Datas, Império do Brasil |
| Morte | 18 de agosto de 1934 Belo Horizonte, MG Brasil |
| Gênero(s) | modernismo brasileiro |
| Instrumento(s) | clarinete |
| Período em atividade | 1896–1934 |
Francisco Nunes (Datas, 14 de maio de 1875 - Belo Horizonte, 18 de agosto de 1934) foi um maestro, compositor e clarinetista brasileiro. Um dos personagens mais importantes para o desenvolvimento da música clássica no Rio de Janeiro e em Minas Gerais, atuou como diretor à ocasião da fundação do Conservatório Mineiro de Música (atual Escola de Música da UFMG) e trabalhou ativamente como um dos organizadores da Orquestra Sinfônica de Belo Horizonte, projeto seminal para o que mais tarde seria a Orquestra Sinfônica de Minas Gerais.
O Teatro Francisco Nunes, inaugurado em 1950 em sua homenagem, celebra a importância de seu legado para a música e espetáculos na capital mineira.
Carreira
Juventude
Filho do professor e compositor Francisco Nunes Neto Leão[1], Francisco Nunes Júnior nasceu em 1875, no então distrito de Datas, Minas Gerais. Naquele período, a região estava impactada, pelos efeitos da chamada segunda crise diamantina e pelas transformações socioeconômicas decorrentes do declínio da mineração no último terço do século XIX[2], e, no início da década de 1890, a família transferiu-se para o Rio de Janeiro — à época capital federal — em busca de melhores condições profissionais e inserção num contexto urbano e cultural mais dinâmico, processo que refletia uma tendência migratória comum entre músicos mineiros do período[3].
Já na capital federal, em 1896, Nunes obteve o primeiro lugar no exame de admissão para clarineta do Instituto Nacional de Música e, em 1903, foi nomeado professor da classe, tornando-se o catedrático do instrumento no ano seguinte. Durante esse período, lecionou ainda no Ginásio de Petrópolis e no Liceu de Artes e Ofícios do Rio de Janeiro[4], além de atuar como clarinetista principal em importantes orquestras, como a do Theatro Recreio e nos Concertos Populares, projeto vinculado ao Instituto Nacional de Música [5].
Maestro Francisco Nunes
Em 1907, Francisco Nunes foi eleito membro do recém-fundado Centro Musical do Rio de Janeiro, uma associação dedicada à defesa dos interesses da classe musical e à promoção do reconhecimento profissional, em pautas como regulamentação de contratos e defesa de direitos autorais [6].
No ano seguinte, a convite do compositor Alberto Nepomuceno, então diretor do Instituto Nacional de Música, Nunes integrou a equipe responsável pela orquestra da Exposição Nacional Comemorativa do 1º Centenário da Abertura dos Portos do Brasil, realizada na Urca entre agosto e novembro de 1908[7] [8] [9].
Ao longo da década de 1910 e da primeira metade da década de 1920, Francisco Nunes esteve à frente de diversas instituições e empreendimentos de fomento da música clássica, entre elas a Orquestra Sinfônica do Rio de Janeiro, o Centro Symphonico Leopoldo Miguez ou a Sociedade de Concertos Symphonicos do Rio de Janeiro[10] [11]. Em 1922, por convite de Antônio Olinto dos Santos Pires, foi responsável por organizar a orquestra da Exposição Internacional do Centenário da Independência[12].
Período em Belo Horizonte
No início de 1925, estando Minas Gerais já sob governo Fernando de Melo Viana, e contratado pelo secretário do interior Sandoval Soares de Azevedo, Francisco Nunes retornou a seu estado natal para assumir a direção do recém-criado Conservatório Mineiro de Música, em Belo Horizonte[13] [14].

Na direção do Conservatório, Nunes também assumiu as cadeiras de Harmonia e Solfejo. Promoveu, já em 27 de junho de 1925, a reunião inaugural da Sociedade de Concertos Sinfônicos de Belo Horizonte (SCS-BH), no próprio Conservatório[15] e ao final daquele ano, dirigiu o primeiro de uma série de concertos no pavilhão provisório do Parque Municipal, com a que viria a ser a Orquestra Sinfônica de Belo Horizonte[16].
Em seus nove anos à frente do Conservatório Mineiro de Música foi elogiada sua condução “segura e eficaz", assim como tem-se documentado elogios e criticas sobre a pertinência de seu trabalho tanto junto ao Conservatório quanto a Orquestra Sinfônica de Belo Horizonte. De qualquer modo, a poucos escapa sua importância na institucionalização da música clássica na capital mineira[17].
Últimos anos e legado
Francisco Nunes morreu no dia 18 de agosto de 1934, e está enterrado no Cemitério do Bonfim, em Belo Horizonte.
Entre seus alunos do Conservatório Mineiro de Música, documenta-se toda a primeira geração de músicos da Orquestra Sinfônica de Belo Horizonte, que atuou até meados da década de 60, e é para todos os efeitos a precursora imediata da Orquestra Sinfônica de Minas Gerais[18].
Francisco Nunes foi compositor de algumas obras que seguem pouco conhecidas. Entre elas, encontramos referências a "Prelúdio Coral e Fuga", que teria sido executada pela Orquestra Sinfônica de Viena, sob a direção de Felix Weingartner no Rio de Janeiro, ou a "Grande Marcha Sinfônica", dedicada ao Rei Alberto I da Bélgica, executada à ocasião da visita do monarca à cidade de Belo Horizonte em 1920, entre outras obras menores[19].
Segundo documentos da época, “a escolha do nome do maestro Francisco Nunes para o novo teatro do Parque Municipal representa homenagem a quem tanto fez pelo desenvolvimento artístico de nossa capital, sendo ele o principal responsável pela introdução da música sinfônica em Belo Horizonte”[20].
Referências
- ↑ VALE, Flausino (1950). "Francisco Nunes". In "Acaiaca - Revista de cultura, nº 17".
- ↑ MARTINS, Marcos Lobato. «A crise dos negócios do diamante e as respostas dos homens de fortuna no Alto Jequitinhonha, décadas de 1870-1890». Estudos Econômicos. Consultado em 22 de setembro de 2025
- ↑ CONCEIÇÃO, Wander (2022). "Desafinado: das cinzas da Acayaca à bossa-nova". Mazza Edicões. ISBN: 9786557490471.
- ↑ VALE, Flausino (1950). "Francisco Nunes". In "Acaiaca - Revista de cultura, nº 17".
- ↑ CONCEIÇÃO, Wander (2022). "Desafinado: das cinzas da Acayaca à bossa-nova". Mazza Edicões. ISBN: 9786557490471.
- ↑ “Acta da Sessão de Fundação do Centro Musical do Rio de Janeiro”, Arquivo do INM, 1907; cf. SÁ, 2017, p. 57-58
- ↑ Jornal do Commercio, edição de 27 de agosto de 1908.
- ↑ A Gazeta de Notícias, edição de 2 de setembro de 1908.
- ↑ Correio da Manhã, edição de 15 de setembro de 1908.
- ↑ Atas da Sociedade de Concertos Symphonicos do Rio de Janeiro (1912), no Arquivo do Instituto Nacional de Música.
- ↑ Correio da Manhã, edição de 20 maio 1919.
- ↑ VALE, Flausino (1950). "Francisco Nunes". In "Acaiaca - Revista de cultura, nº 17"
- ↑ Diário de Minas, edição de 03 de abril de 1925
- ↑ REIS, Sandra Loureiro de Freitas (1993). Escola de Música da UFMG: Um Estudo Histórico (1925- 1970), p. 91. Belo Horizonte: Ed. Luzazul Cultural, Ed. Santa Edwiges.
- ↑ BRANT, Celso (1950). In "Acaiaca - Revista de cultura, nº 17", p. 11
- ↑ Diário de Minas, edição de 22 de dezembro de 1925
- ↑ BRANT, Celso (1950). In "Acaiaca - Revista de cultura, nº 17", pp. 14-16
- ↑ ATUAIS INTEGRANTES DA SINFÔNICA DE BELO HORIZONTE (1950). In "Acaiaca - Revista de cultura, nº 17", pp. 44-62
- ↑ BRANT, Celso (1950). In "Acaiaca - Revista de cultura, nº 17", pp. 14-16
- ↑ Jornal Estado de Minas, edição de 16 dezembro de 1950.
