Francisco IV de Módena

Francisco
Arquiduque da Áustria
Duque de Módena e Régio
Período14 de julho de 1814
a 21 de janeiro de 1846
Antecessor(a)Cargo restaurado (Hércules III deposto em 1796)
Sucessor(a)Francisco V
Dados pessoais
Nascimento6 de outubro de 1779
Milão, Ducado de Milão, Sacro Império Romano-Germânico
Morte21 de janeiro de 1846 (66 anos)
Módena, Ducado de Módena e Régio
Sepultado emIgreja de São Lourenço, em Módena, Itália
Nome completo
nome pessoal em alemão: Franz Joseph Karl Ambrosius Stanislaus
EsposaMaria Beatriz de Saboia
Descendência
Maria Teresa da Áustria-Este
Francisco V, Duque de Módena
Fernando Carlos da Áustria-Este
Maria Beatriz da Áustria-Este
CasaHabsburgo-Este
PaiFernando Carlos, Arquiduque da Áustria-Este
MãeMaria Beatriz d'Este, Duquesa de Massa
ReligiãoCatolicismo
Brasão

Francisco José Carlos Ambrósio Estanislau (nome pessoal em alemão: Franz Joseph Karl Ambrosius Stanislaus; Milão, 6 de outubro de 1779Módena, 21 de janeiro de 1846) foi o Duque de Módena e Régio de 1814 até sua morte. Como integrante de um ramo cadete da Casa de Habsburgo, ele também detinha o título de Arquiduque da Áustria.

Primeiros anos

Francisco nasceu em Milão em 6 de outubro de 1779,[1] terceiro filho, o primeiro menino, entre os sete descendentes do arquiduque Fernando da Áustria e de Maria Beatriz Ricarda d'Este, última herdeira da Casa d'Este pelo lado paterno e dos Cybo-Malaspina pelo lado materno, da qual herdou o Ducado de Massa e Carrara e os feudos imperiais da Lunigiana.[1]

Os acontecimentos políticos do final do século XVIII, marcados pela Revolução Francesa, alteraram profundamente o destino da família. Os Áustria-Este, ligados à monarquia francesa, foram diretamente afetados pelos eventos revolucionários. Francisco tinha quatorze anos quando sua tia Maria Antonieta foi executada em Paris. Pouco depois, sua família fugiu de Milão e da Itália, buscando refúgio em Viena.[1] Sua mãe, mulher de grande inteligência e orgulho, dedicou-se a assegurar posições políticas vantajosas para os filhos, enfrentando a hostilidade do poderoso chanceler Metternich.[1] Planejou para Francisco o casamento com a arquiduquesa Maria Luísa, filha do imperador, mas esta acabou desposando Napoleão Bonaparte em 1810.[1] Como alternativa, Francisco casou-se em 20 de junho de 1812 com Maria Beatriz de Saboia, sua sobrinha e filha de Maria Teresa, irmã de Francisco, e do rei Vítor Emanuel I da Sardenha. A união foi autorizada pelo papa após insistentes pedidos da mãe do duque, conhecida por sua piedade.[1]

Duque de Módena

Em 1814, com a queda de Napoleão e a restauração da ordem europeia, Francisco IV regressou a Módena, abrindo mão de suas pretensões sobre o território milanês.[1] Após um período de regência administrado pelo conde Laval Nugent, ele entrou solenemente na cidade em 15 de julho de 1814, sendo bem recebido pela antiga nobreza e pela população exausta das guerras.[1]

Busto em Mármore de Francisco IV.

Seu governo iniciou uma restauração consciente e ideologicamente orientada. Francisco restabeleceu o código estense de 1771 nas cinco províncias de Módena, Régio, Garfagnana, Lunigiana e Frignano, abolindo grande parte da legislação napoleônica, mas mantendo algumas reformas úteis, como a abolição da tortura e dos fideicomissos.[1] Reintroduziu a corte, os títulos feudais e chamou de volta os jesuítas em 1821.[1] Ademais, as incomuns habilidades administrativas de Francisco foram, com suas precisas limitações, avaliadas por Metternich quando o julgou "mais como um homem rico, um proprietário de terras, um economista, do que um soberano".[2]

Durante a fome de 1816-1817, tomou medidas enérgicas para mitigar o sofrimento do povo, como a compra de grãos no exterior e a distribuição de alimentos aos pobres, o que reforçou sua imagem de governante paternalista.[1] Em contrapartida, impôs forte controle sobre a vida intelectual e sobre a Universidade de Módena, restringindo o número de graduados em direito e supervisionando rigidamente a educação superior.[1]

Na economia, Francisco favoreceu os grandes proprietários rurais e indenizou nobres e religiosos pelos bens confiscados durante o período francês.[1] Incentivou a produção agrícola, especialmente as plantações de arroz, e demonstrou interesse por inovações técnicas, como o uso do vapor nas fiações, introduzido entre 1823 e 1825.[1]

Vida posterior

Retrato de Francisco IV, por Adeodato Malatesta, 1831.

A partir de 1820, surgiram sociedades secretas carbonárias também nos Estados estenses. O duque reagiu severamente, condenando-as por crime de lesa-majestade.[1] Participou pessoalmente dos congressos da Santa Aliança, em Troppau e Liubliana, defendendo a repressão e a prevenção de movimentos revolucionários.[1] Quando, em 1831, Ciro Menotti e Enrico Misley conspiraram para promover um levante que criaria um Estado monárquico nacional, Francisco fingiu simpatia pela causa, mas preparou a repressão.[1] O movimento foi sufocado rapidamente, Menotti foi preso e executado em 26 de maio de 1832, junto a outros conspiradores.[1]

As relações de Francisco IV com Carlos Alberto de Saboia, seu primo e rei da Sardenha, foram intensas e marcadas por afinidade política conservadora e forte sentimento antifrancês.[nota 1] Em 1833, o duque visitou Turim, sendo agraciado com o colar da Ordem da Anunciação.[1]

Nos últimos anos, Francisco viu consolidar-se a situação territorial do ducado. Incorporou a Lunigiana em 1816 e, após a morte de sua mãe em 1829, também o Ducado de Massa.[1] Em 1844 firmou o Tratado de Florença com o futuro duque de Parma, Carlos Luís de Bourbon, reorganizando fronteiras entre Módena, Parma e Toscana, acordo reconhecido por Piemonte e Áustria e garantido pela Santa Sé.[1]

Francisco IV faleceu em Módena em 21 de janeiro de 1846, após longa enfermidade.[1] Sobreviveu seis anos à esposa, Maria Beatriz de Saboia, falecida em 15 de setembro de 1840.[1] Deixou quatro filhos: Maria Teresa, casada com Henrique de Bourbon, conde de Chambord; Francisco Geminiano, seu sucessor, casado com Aldegunda da Baviera; Fernando, casado com Isabel da Áustria; e Maria Beatriz, esposa de João de Bourbon, filho de Carlos, conde de Molina.[1]

Descendência

Os Filhos de Francisco IV de Módena, por Bernardino Rossi, por volta de 1830. Esquerda para a direita: a arquiduquesa Maria Teresa, os arquiduques Fernando Carlos e Francisco e a arquiduquesa Maria Beatriz.
Nome Pintura Nascimento Morte Observações[1][4]
Maria Teresa da Áustria-Este 14 de julho de 1817 25 de março de 1886 Casou-se com Henrique, Conde de Chambord, sem descendência.
Francisco V, Duque de Módena 1 de junho de 1819 20 de novembro de 1875 Casou-se com Aldegunda da Baviera, com descendência.
Fernando Carlos da Áustria-Este 20 de julho de 1821 15 de dezembro de 1849 Casou-se com a Isabel Francisca da Áustria, com descendência.
Maria Beatriz da Áustria-Este 13 de fevereiro de 1824 18 de março de 1906 Casou-se com João, Conde de Montizón, com descendência.

Ancestrais

Notas e referências

Notas

  1. A respeito da França, Francisco afirma que "o foco do mal que corrói e envenena todas as nações" encontra-se nela.[3]

Referências

  1. a b c d e f g h i j k l m n o p q r s t u v w x y Romanello, Marina (1997). «FRANCESCO IV d'Austria-Este, duca di Modena e Reggio». Enciclopédia Treccani (em italiano). 49. Dizionario Biografico degli Italiani. Consultado em 2 de novembro de 2025 
  2. Amorth, Luigi (1967). Modena capitale. Storia di Modena e dei suoi duchi dal 1598 al 1860 (em italiano). Modena: Banca Popolare di Modena. p. 297 
  3. Chiappini, Luciano (1967). Gli Estensi (em italiano). Milano: Dall'Oglio editore. pp. 478–492 
  4. Franz IV Erzherzog von Österreich-Este
  5. Frederic Guillaume Birnstiel, ed. (1768). Genealogie ascendante jusqu'au quatrieme degre inclusivement de tous les Rois et Princes de maisons souveraines de l'Europe actuellement vivans (em francês). Bourdeaux: [s.n.] p. 87 

Leitura sugerida

  • Gonda, I., Niederhauser, E.: Die Habsburger. Wien 1983.
  • Reifenscheid, R.: Die Habsburger in Lebensbildern. Wien 1982.

Ver também

Francisco IV de Módena
Habsburgo-Este
Ramo da Habsburgo-Lorena
6 de outubro de 1779 – 21 de janeiro de 1846
Cargo restaurado
(Hércules III deposto em 1796)

Duque de Módena e Régio
14 de julho de 1814 – 21 de janeiro de 1846
Sucedido por
Francisco V