Francisco Guedes

Francisco Guedes
Nascimento
Julho de 1949

Morte
24 de Março de 2025

Nacionalidadeportuguês
ProfissãoEditor, tradutor e escritor

Francisco Guedes (Matosinhos, Julho de 1949 - Porto, 24 de Março de 2025) foi um editor, tradutor e escritor português.

Biografia

Nasceu no concelho de Matosinhos, em Julho de 1949, filho do actor João Guedes.[1] Era igualmente irmão da actriz Paula Guedes.[2]

Em 1986 iniciou a sua carreira literária, nas Edições ASA, onde depois também exerceu como editor, tendo ficado ligado à revelação de novos autores e a várias publicações especiais, como o catálogo A Pintura na Pele, lançado em 1992 em dedicação à artista Gracinda Candeias.[1] Entre os vários escritores com os quais colaborou, encontram-se António Cabrita e Kátia Bandeira de Mello-Gerlach.[3] Na década de 1990 começou a colaborar com o jornal Público no lançamento de livros, principalmente sobre culinária, tendo alguns sido escritos sob o pseudónimo Dulce Salgado.[1] As suas obras abrangem um vasto leque de géneros alimentares, sendo as receitas normalmente enriquecidas com introduções e notas de estilo literário.[1] Publicou pelo menos dois livros de culinária sob a égide da editora Dom Quixote, Guia Anual dos Restaurantes de Portugal e Receitas Tradicionais Portuguesas em 2000, e As 100 Maneiras de Cozinhar Bacalhau e Outros Peixes em 2001.[4]

Foi igualmente um dos fundadores da editora Húmus, na qual organizava desde 2020 a colecção 12catorze, onde figuravam escritores como António Hess, José Guardado Moreira e Ricardo Belo Morais.[1]

Em 1999 apresentou à Câmara Municipal de Matosinhos uma proposta para um festival literário, o Correntes d'Escritas, tendo sido responsável pela organização deste evento desde a sua primeira edição, em 2000.[1] Como parte deste festival, editou a antologia A poesia é tudo, em cooperação com a Câmara Municipal da Póvoa de Varzim.[2] Impulsionou igualmente a organização de outros festivais literários em Portugal, como o I Encontro de Literatura em Viagem, na Biblioteca Municipal Florbela Espanca, em Matosinhos, e o FLiD – Festival Literário do Douro.[2]

Faleceu na cidade do Porto, em 24 de Março de 2025.[5] Na sequência da sua morte, o escritor António Cabrita referiu que «o que Chico Guedes organizou e fez mexer, nos últimos 25 anos, os encontros que proporcionou, os livros que semeou, dava um baralho do Tarot», enquanto que o psiquiatra Júlio Machado Vaz recordou-o como «o homem das Correntes d'Escritas e de milhentas iniciativas culturais por esse país fora».[3] O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, emitiu uma nota de pesar, onde realçou a sua carreira como editor, onde «trabalhando por vezes com nomes pouco conhecidos e pequenas tiragens, aumentou a diversidade da produção literária portuguesa», e evocou o seu papel como fundador do Festival Correntes d’Escritas, que considerou como «o nosso festival literário de maior sucesso», que «reinventou formas de encontro com os escritores e de criação e manutenção de públicos».[6]

Referências

  1. a b c d e f «Morreu editor e programador cultural fundador do festival Correntes d'Escritas Francisco Guedes». Jornal Renovação. 25 de Março de 2025. Consultado em 26 de Março de 2025 
  2. a b c «Morreu Francisco Guedes, fundador do festival Correntes d'Escritas». SIC Notícias. 25 de Março de 2025. Consultado em 27 de Março de 2025 
  3. a b Agência Lusa (25 de Março de 2025). «Morreu Francisco Guedes, fundador do Correntes d'Escritas». Sábado. Consultado em 27 de Março de 2025 
  4. «Francisco Guedes». Wook. Consultado em 26 de Março de 2025 
  5. COUTINHO, Isabel (24 de Março de 2025). «Morreu Francisco Guedes, criador de festivais literários como o Correntes d'Escritas». Público. Consultado em 26 de Março de 2025 
  6. «Presidente da República evoca Francisco Guedes». Presidência da República Portuguesa. 26 de Março de 2025. Consultado em 27 de Março de 2025