Francisco (escravo)

Francisco
Nascimentoséculo XIX
Desconhecido
Morte28 de abril de 1876
Pilar
CidadaniaBrasil
Ocupaçãoescravo, criminoso
Causa da morteforca

Francisco (morto em 28 de abril de 1876) foi a última pessoa executada por pena de morte no Brasil. Escravo negro, ele foi enforcado pelo assassinato de seus senhores.[1] A execução de Francisco foi realizada em Pilar em 28 de abril de 1876. Foi a última execução realizada pelo Brasil.[2]

O crime

Em 1874, Francisco e dois outros escravos, Prudencio e Vicente, foram presos por espancar até a morte seus senhores, João Evangelista de Lima e sua esposa Josepha Marta de Lima. O crime foi cometido em Pilar, Alagoas. Francisco e Prudencio fugiram para Pesqueira ; em um confronto com a polícia, Prudencio foi morto e Francisco foi capturado. Vicente havia fugido para Santa Maria Madalena da Lagoa do Sul (local onde hoje está o município de Marechal Deodoro), onde foi capturado.[1]

No julgamento de Francisco e Vicente, ambos foram considerados culpados pelos assassinatos.[3] Francisco foi condenado à morte por enforcamento e Vicente foi condenado à prisão perpétua.[3] Ambos apelaram ao imperador Dom Pedro II por clemência; O apelo de Francisco foi negado e o imperador não respondeu ao de Vicente. Vicente morreu mais tarde na prisão.[1]

A execução

A condenação de Francisco foi embasada pela lei nº 1835, a qual era destinada aos crimes cometidos por pessoas escravizadas.[3]

A execução de sua sentença ocorreu em 28 de abril de 1876. Durante o deslocamento de Francisco até o local onde ocorreria o enforcamento, o oficial lia sua sentença em voz alta, para que todos tomassem conhecimento. Francisco estava vestido com a roupa da prisão (calça e camisa simples), algemado e com o laço de enforcamento no pescoço. O carrasco, outro escravo igualmente algemado, o seguia de perto. Ao longo do deslocamente, Francisco pediu para parar na Igreja do Rosário, onde se ajoelhou e rezou em silêncio.[3]

Por volta das 13h30, eles chegaram ao lugar onde tudo aconteceu: o mesmo terreno em que o capitão João Evangelista de Lima e a esposa foram assassinados. Bem em frente à estribaria onde ocorreu o crime, foi montada uma forca.[3]

Antes de subir, ele falou calmamente: disse que ia morrer, mas que ninguém deveria se orgulhar disso. Admitiu ser um dos assassinos do capitão João de Lima, mas afirmou que a história não era bem como contavam. Pediu perdão a todos e disse que perdoava todo mundo também.[3]

Ele subiu a escada seguido por um guarda, e logo depois veio o carrasco. Ao notar que o carrasco parecia hesitante, ele se virou e o incentivou com uma frieza impressionante: "Não tenha medo, toma coragem". Começou a rezar o Credo junto com um dos padres presentes. Nesse momento, o carrasco vendou seus olhos e o empurrou para o alçapão um gesto simples.[3]

Para acabar logo com seu sofrimento, o carrasco desceu pela corda, pisou nos ombros dele e forçou duas vezes. O corpo, embrulhado para o enterro, foi levado para o cemitério público da cidade.[3]

Legado

Desde 2001, uma reconstituição anual das últimas horas de Francisco ocorre em Pilar, sempre no dia 28 de abril. Em parte, a reconstituição visa celebrar a abolição da pena de morte no Brasil.[4]

Bibliografia

  • Félix Lima Júnior, Última Execução Judicial no Brasil (Maceió: Edufal, 1979).
  • Aliny Gama, "Encenação em Alagoas lembra os 135 anos da última execução por pena de morte no Brasil" , uol.com.br, 28 de abril de 2011.
  • "Pilar e a última execução judicial do Brasil" , historiadealagoas.com.br, 2 de junho de 2015.

Referências

  1. a b c Castilho, Fábio Francisco de Almeida (11 de julho de 2019). «A representação escrava em O Jornal do Pilar: a execução de Francisco e a crise do escravismo em Alagoas (1874-1876)». Revista Maracanan (21): 50–70. ISSN 2359-0092. doi:10.12957/revmar.2019.38624. Consultado em 24 de novembro de 2025 
  2. «Jornal de Alagoas narrou em detalhes última pena de morte executada no Brasil». Senado Federal. Consultado em 24 de novembro de 2025 
  3. a b c d e f g h «Era alagoano, o escravizado Francisco, condenado à pena de morte, no município de Pilar?». Cadaminuto. Consultado em 24 de novembro de 2025 
  4. «Cidade reconstitui todo ano, desde 2001, enforcamento do negro Francisco». Senado Federal. Consultado em 24 de novembro de 2025