François Thijm
| Informações pessoais | ||
|---|---|---|
| Nome completo | François Thijm | |
| Data de nasc. | 24 de dezembro de 1943 | |
| Local de nasc. | Paramaribo, Guiana Neerlandesa | |
| Morto em | 25 de junho de 2015 (71 anos) | |
| Local da morte | Belém, Pará, Brasil | |
| Informações profissionais | ||
| Posição | Goleiro | |
| Clubes profissionais | ||
| Anos | Clubes | Jogos (golos) |
1961 1961–1975 |
Columbia Voorwaarts Remo |
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| Times/clubes que treinou | ||
| 1971 1972 1976–1977 1977 1982 1982 1996 1996 |
Remo interino Remo interino Remo Remo interino Remo Tuna Luso Bragantino Paysandu |
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François Thijm (Paramaribo, 24 de dezembro de 1943 - Belém, 25 de junho de 2015), mais conhecido apenas como François, foi um goleiro surinamês, que morou e trabalhou no Brasil a partir da década de 1960. Destacou-se por ter defendido o Remo durante várias temporadas,[1] entre a década de 1960 e a de 1970,[2] sendo avaliado como um dos nomes mais históricos do clube,[3] pela qualidade como jogador e como exemplo de dedicação ao empenhar-se pelo clube ocasionalmente como jogador-treinador e também em outras tarefas.[4]
Também era visto como o principal futebolista nativo do Suriname a atuar no Brasil até a contratação de Clarence Seedorf pelo Botafogo.[5]
Carreira
Jogador
François iniciou sua carreira no Columbia,[6] ainda no Suriname colonial, e se transferiu pouco tempo depois para o Voorwaarts, também da então Guiana Neerlandesa.[4] Optou por ser goleiro ao não julgar-se habilidoso com os pés.[6]
Em outubro de 1961, o Remo foi fazer uma excursão a Paramaribo para atuar em dois amistosos, vencendo o Voorwaarts por 2–0 e empatando em 3–3 com o Robinhood.[7] O então goleiro azulino Arlindo não pudera viajar, e François, que era também empregado da Surinam Airways (empresa área que levava os paraenses), foi oferecido por um gerente influente dela.[5] Como não havia ônus algum, a diretoria do clube aceitou; afinal, se o arqueiro não fosse competente o suficiente, não voltaria com a delegação para o Brasil; em outra versão, o próprio Voorwaarts teria oferecido François.[2] François impressionou na excursão e aceitou o convite de seguir no Remo, vindo ao Brasil mesmo sem conhecer a língua portuguesa, mas empenhando-se em aprendê-la e assimilar-se ao modo de viver dos belenenses.[4]
Chegou ao Pará em 17 de outubro de 1961, superando descrenças ao destacar-se cerca de dois meses depois em seu primeiro Re-Pa, vencido por 1–0 em pleno dia de natal.[4] O clube não conseguiria o título estadual,[8] mas François firmou-se na titularidade a partir de 1962.[4] No título paraense de 1964, Arlindo ainda começou na titularidade, com François estreando precisamente na quarta e tumultuada rodada marcada pela surpreende derrota para a equipe avaliada como a mais fraca da competição, o Liberato de Castro. O revés de 2–1 chegou a provocar a queda da diretoria remista, mas pelo restante da campanha Arlindo só jogou uma outra vez, com a titularidade tomada pelo surinamenho nos demais jogos.[9]
Aquela conquista de 1964 pôs fim a uma série de três títulos seguidos do Paysandu, mas o arquirrival logo construiu outra, com o título azulino seguinte vindo em 1968.[8] Em meio a isso, o Remo pôde comemorar valorizados troféus amistosos, a exemplo do Cidade de Belém (em 1966, pelos 350 anos da cidade, vencendo Re-Pa por 3–0)[10] e o Quadrangular da Bahia, em 1967.[11]
O título paraense de 1968 ocorreu com elenco já reforçado com Amoroso e Robilotta e treinado por Danilo Alvim. A essa altura, François já se alternava com Jorge como goleiro, mas foi o mais utilizado: das dez partidas, esteve presente em seis, sem ser derrotado.[12] Em janeiro de 1969, François, revezando-se com Jorge, integrou o Remo campeão do primeiro Torneio do Norte, ainda válido por 1968.[13] Em março, o clube acabou vice do Norte-Nordeste, em derrota atribuída a lesões conjuntas tanto de Jorge como de François, forçando a utilização de um terceiro goleiro nos duelos com o Ceará.[14] Mas, em dezembro, François foi o titular no bicampeonato seguido do Torneio do Norte, este válido pelo próprio ano de 1969.[15]
François também obteve novo Torneio "Cidade de Belém" em 1970.[16]
Jogador-treinador
Em 1971, Dico chegou como concorrente e logo consolidou-se como novo goleiro remista.[17] François obteve naquele ano os títulos do Torneio do Norte bem como a Taça Norte–Nordeste de 1971, mas como treinador,[18][19] substituindo Dequinha a partir do terceiro jogo da campanha.[20] Na ocasião, ainda se via como interino: "naquele tempo, se eu não tivesse a personalidade que tenho e não fosse acima de tudo um apaixonado pelo Remo, não teria aceito a incumbência", declarou sobre a primeira experiência como técnico.[4]
François seguiu no comando azulino para a final da primeira Série B do Brasileirão. O troféu foi perdido para o Villa Nova,[21] mas o Remo credenciou-se para disputar a Série A de 1972. François já começava ali a sobressair-se mais por diversas outras funções nos bastidores do elenco: com Luís Fernando sendo o goleira reserva imediato de Dico naquele Brasileirão, François não chegou a entrar em campo,[22] mas participava como massagista, roupeiro, chefe de delegação ou ainda como assistente técnico, chegando a acumular mais de uma dessas tarefas em um único jogo naquele torneio.[2][5]
Naquele mesmo Brasileirão, François foi ainda um dos treinadores;[23] quando Paulo Amaral assumiu o cargo, delegava a François a incumbência de coordenar os reservas que permaneciam em Belém quando os custos forçavam viagem de delegação reduzida para partidas fora do Pará.[4] O clube ainda aguardou até 1973 para voltar a ser campeão paraense,[8] com François podendo participar como jogador em uma partida, na única ausência de Dico - curiosamente, contra o Liberato de Castro, vencido por 2–0 na quinta rodada, em 6 de junho.[24] Um pôster desse título, François ainda uniformizado como jogador, esteve presente na revista Placar publicada já em 12 de outubro,[25] em meio ao Brasileirão de 1973. Nesse torneio, Dico foi o único goleiro remista a entrar em campo.[22]
O "Leão" conseguiria nos anos seguinte um tricampeonato estadual, mas com Gelson já sendo o único reserva a atuar no título de 1974 nas raras indisponibilidades de Dico,[26] enquanto em 1975 o suplente utilizado foi Luizinho.[27] François, ainda assim, também foi considerado como um dos jogadores campeões, figurando como o terceiro goleiro, juntamente a Dico e a Luizinho, no pôster retratado pela revista Placar com elenco completo do campeão paraense de 1975.[28]
Naquele mesmo ano de 1975, houve a independência do Suriname, ocorrida de modo em que os nativos da antiga colônia precisaram optar por conservar a cidadania dos Países Baixos ou optar pela surinamesa, sem admitir-se na época a dupla cidadania.[29] Consultado, François declarou que preferiria "a nacionalidade paraense". Fixando moradia em Belém mesmo parando de jogar, ele foi novamente técnico remista em 1976.[30]
Treinador
Em fevereiro de 1977, ainda no cargo de técnico do Remo, foi o treinador azulino em curiosa excursão conjunta da dupla Re-Pa justamente ao Suriname, possibilitando em Paramaribo a primeira edição internacional do Clássico-Rei da Amazônia, encerrado em 1–1.[31]
Pelo decorrer de 1977, Juan Álvarez foi contratado como técnico azulino, mas saiu após a perda do terceiro turno do estadual para a Tuna Luso. François foi então técnico interino no compromisso seguinte, em novo clássico com a Tuna, vencido por 2–1, participando assim de novo título paraense do Remo até a chegada de Joubert Meira.[32] François seguiu como preparador físico do elenco,[33][34] chegando inclusive a ser especulado para exercer no Flamengo essa função quando Joubert rumou a este clube meses depois.[35]
Em 1982, François foi técnico tanto do Remo, em agosto,[36] como da Tuna, em novembro e dezembro.[37][38] Dos outros clubes em que trabalhou no Pará, destacou-se sobretudo no Bragantino vencedor do Torneio Início do Parazão de 1996.[39]
Superando o trio Remo, Paysandu e Tuna Luso, aquela conquista do Bragantino foi atribuída a aprendizado presencial que François tivera ao observar o Ajax de Louis van Gaal em recente viagem que o ex-goleiro havia feito aos Países Baixos.[39] No estadual de 1996, ele inicialmente seguiu no Bragantino, dando trabalho ao Remo na quarta rodada, com o ex-clube (e futuro campeão) vencendo por 3–2 em 24 de março - uma semana antes de impor goleada de 4–0 no Re-Pa.[40] A reação inicial do Paysandu àquela goleada foi contratar precisamente François,[39] embora a permanência deste na Curuzu tenha durado pouco: na décima rodada, quando houve novo Re-Pa, o técnico alviceleste já era César Moraes. Sem François, o Bragantino, que passou a ser treinado por Bira, acabaria derrotado por 6–1 ao reencontrar o Remo em maio.[40] No fim da década de 1990, chegou a compor a comissão técnica do clube árabe Al-Nassr.[6]
Formado em Educação Física, em paralelo ao futebol François também foi corretor de imóveis.[6] Em 2005, foi homenageado pelo Remo,[2] na temporada do centenário azulino, marcada pelo título brasileiro da terceira divisão.[41] Em 2007, chegou a ser recontratado, para ser supervisor técnico.[42] Ainda residindo em Belém,[2] faleceu em 2015.[43]
Títulos como jogador
Remo
- Campeonato Paraense: 1964, 1968, 1973,[2][24] 1974 e 1975 [28]
- Torneio do Norte: 1968 e 1969 [13][15]
Títulos como treinador
Remo
- Torneio do Norte: 1971 [18][19]
- Torneio Norte-Nordeste de Futebol: 1971 [18][19]
- Campeonato Paraense: 1977 (interino)[32]
Bragantino
- Torneio Início do Campeonato Paraense: 1996 [39]
Referências
- ↑ Terceiro Tempo. «Que fim levou - François Thijm». Consultado em 6 de janeiro de 2011
- ↑ a b c d e f «Morre François Thijm, ex-goleiro do Remo nas décadas de 60 e 70». Globo Esporte. 26 de junho de 2015. Consultado em 18 de julho de 2025
- ↑ MAUÉS, Tylon (24 de dezembro de 2022). «Gringos chegando: Parazão terá muitos sotaques diferentes». Diário do Pará. Consultado em 18 de julho de 2025
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- ↑ a b c DA COSTA, Ferreira (2018). CAMPEONATO PARAENSE DE FUTEBOL 1908-2018 Clubes Campeões - Técnicos - Artilheiros. A enciclopédia do Esporte Paraense. Belém: Valmik Câmara, pp. 303-312
- ↑ DA COSTA, Ferreira (2013). 1964 - Remo perde para o Liberato, se recupera, e conquista o título. Parazão Centenário. Teresina: Halley S.A. Gráfica e Editora, pp. 139-141
- ↑ DA COSTA, Ferreira (2018). 1966 - Leão levanta o Troféu "Cidade de Belém". A enciclopédia do Esporte Paraense. Belém: Valmik Câmara, pp. 116-117
- ↑ DA COSTA, Ferreira (2018). 1967 - Campeão do Torneio Quadrangular na Bahia". A enciclopédia do Esporte Paraense. Belém: Valmik Câmara, pp. 118-119
- ↑ DA COSTA, Ferreira (2013). 1968 - Remo mantém Amoroso, o "pé de coelho", e levanta o título de campeão. Parazão Centenário. Teresina: Halley S.A. Gráfica e Editora, pp. 153-155
- ↑ a b DA COSTA, Ferreira (2018). 1969 - REMO É O 1º CAMPEÃO DO TORNEIO DO NORTE DE CLUBES". A enciclopédia do Esporte Paraense. Belém: Valmik Câmara, pp. 121-122
- ↑ DA COSTA, Ferreira (2018). 1969 - REMO É VICE0CAMPEÃO DO I TORNEIO NORTE-NORDESTE DE CLUBES. A enciclopédia do Esporte Paraense. Belém: Valmik Câmara, p. 123
- ↑ a b DA COSTA, Ferreira (2018). 1969 - Bicampeão do Torneio Norte de Clubes. A enciclopédia do Esporte Paraense. Belém: Valmik Câmara, pp. 123-124
- ↑ DA COSTA, Ferreira (2018). 1970 - REMO CAMPEÃO DO TORNEIO CIDADE DE BELÉM. A enciclopédia do Esporte Paraense. Belém: Valmik Câmara, p. 125
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- ↑ WILL, Fábio (20 de novembro de 2018). «Há 13 anos, Remo conquistava o maior título da sua história no futebol». O Liberal. Consultado em 18 de julho de 2025
- ↑ IG (2 de agosto de 2007). «Remo descarta Givanildo e promete reforços. Supervisor chega». Consultado em 6 de janeiro de 2011
- ↑ WILL, Fábio (11 de novembro de 2022). «Com volante paraguaio, relembre alguns jogadores estrangeiros que vestiram a camisa do Remo». O Liberal. Consultado em 18 de julho de 2025