Fração Trotskista pela Quarta Internacional

Corrente Revolução Permanente - Quarta Internacional
(CRP-QI)
CRP-QI (PT)
Logo em português da Corrente Revolução Permanente - Quarta Internacional
Fundaçãojulho de 1989 (36 anos)
Membros14 seções
Línguas oficiaisalemão
espanhol
francês
inglês
português
italiano
catalão
Antigo nomeFração Internacionalista (1989-1996)[1]
Fração Trotskista - Estratégia Internacional (1998-2004)[2]
Fração Trotskista - Quarta Internacional (2004-2025)
WebsiteFração Trotskista
Esquerda Diário

A Corrente Revolução Permanente - Quarta Internacional, anteriormente denominada Fração Trotskista - Quarta Internacional, é uma organização internacional formada por grupos de tendência trotskista e cujo objetivo é a reconstrução da Quarta Internacional. Surgiu em 1989 sob o nome de Fração Internacionalista da Liga Internacional dos Trabalhadores - Quarta Internacional (LIT-QI), depois da expulsão do Partido dos Trabalhadores Socialistas, e do Partido Operário Socialista, do México.

História

Origens: crise do MAS e formação do PTS

A morte do militante trotskista Nahuel Moreno, fundador e principal dirigente do Movimento ao Socialismo (MAS), até então seção argentina da Liga Internacional dos Trabalhadores - Quarta Internacional (LIT-QI), em janeiro de 1987, desencadeou uma crise na direção do MAS.[3] Esta instabilidade agravou-se continuamente devido a divergências políticas sobre a caracterização da realidade e a atuação política nacional da seção argentina e da corrente internacional.[4]

Em 27 de abril de 1988, nos debates para o III Congresso do MAS, consolidou-se a Tendência Bolchevique Internacionalista (TBI), e no dia 06 de maio, adquire o status interno de fração, mantendo o mesmo nome, adicionando apenas "Fração do Movimento ao Socialismo" (TBI-FMAS).[5][6] Esta fração era composta majoritariamente pela regional juvenil de Buenos Aires, incluindo a frente universitária da Universidade de Buenos Aires, a frente universitária da Universidade Nacional de La Plata, e de Mar del Plata.[4]

Entre os pontos centrais de discordância estava a caracterização da existência de uma “situação revolucionária” no país. Essa tese, esboçada por Nahuel Moreno, baseava-se na caracterização de uma “revolução democrática” ocorrida em 1982 com a saída dos militares do poder, leitura esta aprofundada pela direção do MAS. O III Congresso partidário afirmava que a Argentina era um dos “centros da revolução mundial” e que, portanto, era preciso orientar os militantes a transformar o MAS em um “partido com influência de massas”, apostando na existência de um processo acelerado de ruptura da classe trabalhadora argentina com o peronismo.[4]

O grupo dissidente acabou por ser expulso, vindo a conformar o Partido dos Trabalhadores Socialistas (PTS),[4] tornando pública a ruptura em junho de 1988, com o jornal partidário Avanzada Socialista (1988-1991), de capa "Nace el PTS".[5] A crise do MAS seguiu internamente, apesar de êxitos eleitorais, como a eleição de Luis Zamora para a Câmara dos Deputados da Argentina, culminando na implosão do partido em três tendências distintas no IV Congresso de 1991.[4][7]

A conformação de uma nova internacional

Às vésperas do II Congresso Mundial da LIT-QI, em julho de 1989, é publicada a primeira edição da revista Estratégia Internacionalista, assinado pela Fração Internacionalista da LIT-QI, constituída em junho do mesmo ano pelo PTS e pelo Partido Operário Socialista - Comitê de Reconstrução (POS [CR])[nota 1] do México, expulso do Partido dos Trabalhadores Zapatistas, e que não obteve reconhecimento como seção simpatizante da LIT-QI.[8][9] Na edição é apresentada o manifesto e a plataforma da Fração Internacionalista (FI).[8]

De 1988 a 1990 o PTS teve três divisões: a primeira quando vários militantes retornaram ao MAS,[carece de fontes?] o segundo, quando outro grupo de militantes simpatizou com o Partido Revolucionário Trabalhista - Worker Press britânico e o terceiro, quando os apoiantes de Leon Pérez (um ex-membro da Secretaria Internacional do LIT) decidiram seguir uma perspectiva de partido em massa (em oposição à de partido de vanguarda).[carece de fontes?] Essas divisões obrigaram o PTS a avaliar e autocrítica, o que levou ao seu desenvolvimento subsequente questionara principalmente a Atualização do Programa de Transição formulada por Nahuel Moreno, entendendo-a como em oposição a Teoria da Revolução Permanente de Leon Trotsky.[10]

Em 1994, o grupo que compõe o POS [CR], decide por adotar o nome de Liga dos Trabalhadores Socialistas (LTS).[11] Na reunião de janeiro de 1996, a Fração Internacionalista (FI), decidiu por renomear-se para Fração Trotskista - Estratégia Internacional (FT-EI).[2] Neste momento se desenvolve um processo de aproximação e debates entre a organização e a internacional Liga por uma Internacional Comunista Revolucionária (LICR), corrente que rompe com o grupo inglês, Partido Socialista dos Trabalhadores, de Tony Cliff.[2]

Entre 19 e 24 de abril de 2004, em Buenos Aires, se organizou a II Conferência Internacional da Fração Trotskista - Quarta Internacional, que decidiu por renomear-se, deixando o "Estratégia Internacional" por "Quarta Internacional". A esta conferência participaram delegados da Liga Operária Revolucionária - Quarta Internacional (LOR-QI), da Bolívia, do Estratégia Revolucionária - Quarta Internacional (ER-QI), do Brasil, o grupo Classe Contra Classe (CCC) do Chile, além do PTS e da LTS. Também estiveram presentes militantes da Europa e um delegado observador da Juventude de Esquerda Revolucionária, grupo venezuelano.[12]

Como resultado da crise econômica e das mobilizações em diferentes países, o FT-QI cresceu na América Latina e na Europa e está atualmente promovendo a formação de um novo agrupamento, um Movimento por uma Internacional para uma Revolução Socialista -. Quarta Internacional (MIRS-CI), tendo publicado um manifesto em 2013.[carece de fontes?]

Membros e ex-membros

Seções plenas[13][14]

País Partido/Organização
Alemanha Organização Revolucionária Internacionalista
Revolutionäre Internationalistische Organisation (RIO)
Argentina Partido dos Trabalhadores Socialistas
Partido de los Trabajadores Socialistas (PTS)
Bolívia Liga Operária Revolucionária - Quarta Internacional
Liga Obrera Revolucionaria - Cuarta Internacional (LOR-CI)
Brasil Movimento Revolucionário de Trabalhadores (MRT)[15]
Chile Partido de Trabalhadores Revolucionários
Partido de Trabajadores Revolucionarios (PTR)
França Revolução Permanente
Révolution Permanente (RP)
Espanha Corrente Revolucionária de Trabalhadores e Trabalhadoras
Corriente Revolucionaria de Trabajadores y Trabajadoras (CRT)
Corrent Revolucionari de Treballadors i Treballadores (CRT)
Estados Unidos Voz de Esquerda
Left Voice (LV)
México Movimento dos Trabalhadores Socialistas
Movimiento de los Trabajadores Socialistas (MTS)
Uruguai Corrente dos Trabalhadores pelo Socialismo
Corriente de Trabajadores por el Socialismo (CTS)
Venezuela Liga dos Trabalhadores pelo Socialismo
Liga de Trabajadores por el Socialismo (LTS)
Costa Rica Organização Socialista Revolucionária
Organización Socialista Revolucionaria (OSR)
Itália Fração Internacionalista Revolucionária
Frazione Internazionalista Rivoluzionaria (FIR)
Peru Corrente Socialista de Trabalhadores
Corriente Socialista de las y los Trabajadores (CST)

Ex-membros

País Partido/Organização Observações
França Grupo Comunista Internacionalista Revolucionário
Groupe Communiste Revolutionaire Internationaliste (CRI)
Na V Conferência (2008) foi incorporada como seção simpatizante.[16] Com a criação do NPA, o grupo dissolveu-se na Tendência Comunismo, Luta Auto-organizada, Internacionalista e Revolucionária (CLAIRE), cujos membros mantiveram o status de simpatizantes da então FT-QI.[17][18] Posteriormente, em abril de 2011, membros da Tendência CLAIRE fundaram uma tendência interna no NPA denominada Corrente Comunista Revolucionária (CCR). A CCR atuou como seção da FT-QI até sua expulsão do NPA em 2021, momento em que deu origem ao Revolução Permanente.[19][20][21]
Costa Rica Liga da Revolução Socialista
Liga de la Revolución Socialista (LRS)
Na V Conferência (2008) foi incorporada como seção plena.[16] Em 2014 deixou de "funcionar como organização",[22] participando da VIII Conferência (2013),[23] mas sem delegação presente na IX Conferência (2015).[24]

Veja também

Notas

  1. Partido Operário Socialista é o antigo nome do Partido dos Trabalhadores Zapatistas. Posteriormente é possível verificar que o "Comitê de Reconstrução" passa a ser inutilizado, mantendo a assinatura como POS.

Referências

  1. «Estrategia Internacionalista Nº1». Fraccion Internacionalista de la LIT-CI. Estrategia Internacionalista (1). Julho de 1989. Consultado em 7 de janeiro de 2026 
  2. a b c «Estratégia Internacional Nº 6». Fração Trotskista - Estratégia Internacional. Estratégia Internacional (6): p. 77. Junho de 1996. Consultado em 7 de janeiro de 2026 
  3. López, Rodrigo (16 de maio de 2025). «Notas sobre la crisis del Movimiento al Socialismo. Debates políticos e itinerarios militantes entre la caída del Muro de Berlín y el ascenso del menemismo (1989-1992)». Anuario de la Escuela de Historia (em espanhol) (42): 4 e 21. ISSN 1853-8835. doi:10.35305/aeh.vi42.454. Consultado em 6 de janeiro de 2026 
  4. a b c d e López, Rodrigo (16 de maio de 2025). «Notas sobre la crisis del Movimiento al Socialismo. Debates políticos e itinerarios militantes entre la caída del Muro de Berlín y el ascenso del menemismo (1989-1992)». Anuario de la Escuela de Historia (em espanhol) (42): 4-7. ISSN 1853-8835. doi:10.35305/aeh.vi42.454. Consultado em 6 de janeiro de 2026 
  5. a b Aiziczon, Fernando (2024). «La experiencia de Zanón: trotskismo y movimiento obrero en los albores del siglo XXI». In: Camarero, Hernán; Mangiantini, Martín. El trotskismo en la Argentina: estudios para una historia política, social y cultural (em espanhol) 1ª ed. Buenos Aires, Argentina: Prometeo Editorial. pp. 403–425. ISBN 978-987-8267-88-3 
  6. WANDERLEY, Shimenny Ludmilla Araújo (2019). «O parlamentarismo revolucionário como proposta transicional: uma análise do caso do partido de Los Trabajadores Socialistas na Argentina.». bdtd.ibict.br. Consultado em 8 de janeiro de 2026 
  7. López, Rodrigo (16 de maio de 2025). «Notas sobre la crisis del Movimiento al Socialismo. Debates políticos e itinerarios militantes entre la caída del Muro de Berlín y el ascenso del menemismo (1989-1992)». Anuario de la Escuela de Historia (em espanhol) (42): 23-24. ISSN 1853-8835. doi:10.35305/aeh.vi42.454. Consultado em 6 de janeiro de 2026 
  8. a b «Estrategia Internacionalista Nº1». Fraccion Internacionalista de la LIT-CI. Estrategia Internacionalista (1). Julho de 1989. Consultado em 7 de janeiro de 2026 
  9. «Alternativa Socialista Nº 3». Partido Obrero Socialista (CR). Alternativa Socialista (3). 8 páginas. Fevereiro de 1989. Consultado em 8 de janeiro de 2026 
  10. «Polémica con la LIT y el legado de Nahuel Moreno». ft-ci.org (em espanhol). Consultado em 8 de janeiro de 2026 
  11. «Alternativa Socialista». ceip.org.ar (em espanhol). Consultado em 8 de janeiro de 2026 
  12. Dalay, Diego; Gallardo, Juan (setembro de 2004). «Se realizó la Segunda Conferencia Internacional de la Fracción Trotskista». Fracción Trotskista Cuarta Internacional. Consultado em 8 de janeiro de 2026. Cópia arquivada em 31 de outubro de 2025 
  13. «Red internacional de diarios - La Izquierda Diario». Fracción Trotskista - Cuarta Internacional. La Izquierda Diario (em espanhol). Consultado em 26 de dezembro de 2025 
  14. «Resoluções da XIV Conferência da Corrente Revolução Permanente (Quarta Internacional)». Esquerda Diário. MRT. 23 de dezembro de 2025. Consultado em 26 de dezembro de 2025 
  15. «Surge o Movimento Revolucionário de Trabalhadores». Estratégia Internacional. 14 de abril de 2015. Consultado em 26 de dezembro de 2025. Cópia arquivada em 15 de outubro de 2022 
  16. a b «Gran acto de cierre de la V Conferencia Internacionalista». Fracción Trotskista Cuarta Internacional (em espanhol). 27 de julho de 2008. Consultado em 26 de dezembro de 2025. Cópia arquivada em 19 de outubro de 2017 
  17. «Dissolution du Groupe CRI et appel à rejoindre la Tendance CLAIRE du NPA: résolution de l'AG nationale des militants CRI, réunie le 13 février 2009». Groupe CRI. 2009. Consultado em 26 de dezembro de 2025. Cópia arquivada em 7 de março de 2018 
  18. «Carta desde Francia». Fraccíon Trotskista Cuarta Internacional (em espanhol). FT-CI Francia. 12 de março de 2009. Consultado em 26 de dezembro de 2025. Cópia arquivada em 15 de maio de 2025 
  19. «Archive: historique de la Tendance CLAIRE en tant que tendance du NPA». Tendance CLAIRE (em francês). 14 de julho de 2024. Consultado em 26 de dezembro de 2025. Cópia arquivada em 12 de novembro de 2025 
  20. «Qui sommes nous?: Un Courant Communiste Révolutionnaire dans le NPA». Courant Communiste Revolutionnaire (CCR) (em francês). 10 de maio de 2011. Consultado em 26 de dezembro de 2025. Cópia arquivada em 22 de agosto de 2011 
  21. Carrique, Juan (13 de junho de 2021). «Expulsão da CCR do NPA na França: evento isolado ou consequência da trajetória política do mandelismo?». Ideias de Esquerda - Suplemento teórico do Esquerda Diário. Consultado em 26 de dezembro de 2025. Cópia arquivada em 28 de setembro de 2021 
  22. Z, BB (25 de setembro de 2018). «LA HUELGA CONTRA EL "COMBO FISCAL" Y EL SEGUNDO GOBIERNO DEL PAC EN MOMENTOS DECISIVOS». Liga de la Revolución Socialista (LRS) (em espanhol). Consultado em 26 de dezembro de 2025. Cópia arquivada em 21 de novembro de 2023 
  23. «Por um Movimento por uma Internacional da Revolução Socialista -Quarta Internacional-». Estratégia Internacional. 4 de novembro de 2013. Consultado em 26 de dezembro de 2025. Cópia arquivada em 16 de julho de 2025 
  24. «Conferencia internacionalista en Buenos Aires». Fracción Trotskista Cuarta Internacional (em espanhol). 7 de maio de 2015. Consultado em 26 de dezembro de 2025. Cópia arquivada em 19 de junho de 2025