Forças Armadas Revolucionárias do Povo

Forças Armadas Revolucionárias do Povo
Bandeira do Partido Africano para a Independência da Guiné e de Cabo Verde
PaísCabo Verde e Guiné-Bissau
RamoExército
SiglaFARP
Período de atividade1964–1973
CoresVermelho, verde, amarelo
História
CombatesGuerra de Independência da Guiné-Bissau
Sede
GuarniçãoBissau

As Forças Armadas Revolucionárias do Povo (FARP) eram originalmente o braço armado do Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde durante a luta contra o domínio português na Guiné-Bissau e em Cabo Verde. Desde 1973, elas constituem as forças armadas nacionais da Guiné-Bissau. Um ramo separado cabo-verdiano das FARP formou as forças armadas nacionais deste país de 1975 até o início da década de 1990, quando foram renomeadas como "Forças Armadas de Cabo Verde".

História

No processo de preparação da luta armada contra o domínio português na então Guiné Portuguesa, em 1962, o PAIGC estabeleceu um Plano de Ação e Organização Militar que definiu o esquema geral de uma estrutura militar. Este plano previa dois tipos de grupos de guerrilha armados: grupos de área ou territoriais e grupos móveis ou de intervenção. No final daquele ano, esses grupos já estavam armados com granadas de mão e submetralhadoras PPSh-41.

A luta armada finalmente começou em 23 de janeiro de 1963, com um ataque de guerrilha ao quartel português em Tite.

No I Congresso do PAIGC em 1963, foi tomada a decisão de criar o Exército Popular e a Milícia Popular (responsável pela guarda das áreas libertadas), bem como reestruturar a Guerrilha.

Para cumprir a decisão tomada no I Congresso, as Forças Armadas Revolucionárias do Povo (FARP) foram criadas em fevereiro de 1964, sendo constituídas pelo então também criado Exército Popular e pela já existente Guerrilha. A Milícia Popular também foi criada naquele momento, mas não fazia parte das FARP, ficando instead subordinada aos órgãos políticos e administrativos civis do PAIGC.

A principal unidade tática das FARP tornou-se o bigrupo de infantaria, cada um constituído por dois ou mais grupos de infantaria, chefiados por um comandante e um comissário político e apoiados por armas pesadas. Cada grupo de infantaria incluía cerca de 18 elementos armados com armas automáticas, três metralhadoras e dois lança-rojões. A estrutura do bi-grupo estava tão bem adaptada a esse tipo de guerra que algumas unidades portuguesas copiaram sua organização, com o General António de Spínola defendendo a reorganização geral de todas as companhias de caçadores (infantaria ligeira) portuguesas de acordo com seu modelo. Além dos bi-grupos, as FARP também incluíam grupos independentes especializados de atiradores de elite, morteiros pesados, foguetes, lança-rojões, sapadores, canhões antitanque e artilharia antiaérea, bem como baterias de artilharia.

Em 1971, o PAIGC procedeu a uma profunda reestruturação das FARP. Estas passaram a ser constituídas pelas Forças Armadas Nacionalistas (FAN) e pelas Forças Armadas Locais (FAL). As FAN incluíam o já existente Exército Popular Nacional (antigo Exército Popular) e a recém-criada Marinha Popular Nacional. Os bigrupos, grupos independentes e baterias de artilharia do Exército Popular Nacional foram agrupados em corpos de exército, e estes foram agrupados em exércitos. A Marinha Popular Nacional incluía tanto unidades navais quanto unidades de Fuzileiros. As FAL eram a antiga Milícia Popular, agora também integrada nas FARP.

O PAIGC declarou unilateralmente a independência da Guiné-Bissau em 24 de setembro de 1973, que foi reconhecida por vários países. As FARP passaram então a ser consideradas as forças armadas nacionais do novo Estado. A luta armada, no entanto, continuou, já que Portugal obviamente não reconheceu essa independência, mantendo suas forças no que ainda considerava sua província da Guiné. Finalmente, após a mudança de regime político causada pela Revolução dos Cravos, Portugal reconheceu a independência da Guiné-Bissau em 10 de setembro de 1974, retirando suas forças militares do novo país.

Quando Cabo Verde se tornou independente em 1975, suas recém-criadas forças armadas também passaram a ser conhecidas como FARP, sendo constituídas originalmente por alguns elementos cabo-verdianos que participaram da luta na Guiné-Bissau. Nessa época, ainda havia planos de unir a Guiné-Bissau e Cabo Verde, com os dois países sendo governados pelo PAIGC. Este plano de unificação, no entanto, foi abandonado, e as forças militares de Cabo Verde foram renomeadas como "Forças Armadas de Cabo Verde" no início da década de 1990.

Atualmente, as FARP continuam a ser as Forças Armadas oficiais da Guiné-Bissau.

Ver também

Referências

  • Aniceto Afonso and Carlos de Matos Gomes, Guerra Colonial: Angola – Guiné – Moçambique, Editorial Notícias, Lisbon 2000. ISBN 972-46-1192-2
  • Manuel A. Ribeiro Rodrigues, The Overseas Campaigns 1961–1974 – Guinea-Angola-Mozambique – Army (I), Edições Destarte Lda., Lisbon 2000. ISBN 972-8496-14-1 (Bi-lingual edition)
  • Manuel António Gabriel da Silva Machado and António Eleutério Sucena do Carmo, Tropas Pára-quedistas Portuguesas 1956-1993, Revista BOINA VERDE, 1st edition 1991 (authors' 2nd edition, 1992). (no ISBN)
  • Peter Abbott, Manuel Ribeiro Rodrigues and Ron Volstad, Modern African Wars (2): Angola and Mozambique 1961–74, Men-at-Arms series 202, Osprey Publishing Ltd, Oxford 1988. ISBN 978-0-85045-843-5
  • José Augusto Matos, Mar Verde, The Portuguese Amphibious Assault on Conakry, 1970, Africa@War Volume 55, Helion & Company Limited, Solihull UK 2021. ISBN 978-1-804510-60-5