Fogueiro

Fogueiro no tênder de um comboio a vapor.
Um fogueiro a trabalhar numa instalação industrial a carvão.

Um fogueiro ou foguista é um profissional que opera caldeiras a vapor, conduzindo os fogos e executando a limpeza dos equipamentos.

Na época da propulsão a vapor, grande parte dos fogueiros eram empregues na marinha e nos transportes ferroviários. Hoje em dia, os fogueiros são, sobretudo, empregues em instalações industriais.

Funções genéricas

Compete a um fogueiro operar, regular e vigiar o funcionamento de geradores a vapor, destinados ao fornecimento de força motriz ou ao aquecimento.

No âmbito das suas funções, um fogueiro acciona as válvulas ou outros dispositivos de regulação das caldeiras afim manter o nível de água conveniente, alimenta o depósito dos queimadores ou a fornalha com o combustível adequado, ativa e regula a chama de modo a obter água quente ou vapor; verifica se a temperatura e a pressão nas caldeiras não ultrapassam os níveis pré-estabelecidos; substitui os bicos dos queimadores sempre que necessário; procede à manutenção e limpeza dos equipamentos, comunica aos seus superiores a anomalias detetadas e preenche os relatórios e documentação de funcionamento dos equipamentos. No caso de caldeiras aquecidas a carvão, compete ainda ao fogueiro a remoção do carvão e cinzas da casa da caldeira.

A um fogueiro também pode competir a execução da função de azeitador, sendo então responsável pela lubrificação das máquinas.

Marinha

Na marinha, os fogueiros pertenciam ao escalão de praças ou de marinhagem de máquinas. Normalmente, o acesso à categoria fazia-se a partir da categoria de chegador. Posteriormente, um fogueiro podia aceder às categorias de maquinista prático ou condutor de máquinas.

O quase desaparecimento da propulsão clássica a vapor nas embarcações, levou também ao quase desaparecimento da função de fogueiro. No entanto, por tradição, várias marinhas continuam a designar como "fogueiros" os seus marinheiros da especialidade de máquinas.

Em Portugal, a categoria de fogueiro era a mais elevada da marinhagem de máquinas da marinha mercante. Acediam à mesma, os profissionais habilitados com um curso de fogueiro da marinha mercante, depois de três anos de embarque como chegador ou aqueles que tivessem prestado serviço como chegadores da Armada. A categoria entrou em extinção a partir de 1989.

Na Marinha Portuguesa, a função de fogueiro era desempenhada pelos marinheiros e cabos fogueiros, sob a supervisão dos sargentos condutores de máquinas. Existiam os postos de segundo-fogueiro, de primeiro-fogueiro e de cabo fogueiro que correspondiam, respetivamente a segundo-marinheiro, primeiro-marinheiro e cabo de manobra. Os fogueiros eram auxiliados por chegadores equiparados a grumetes de manobra. Os postos de fogueiros foram mais tarde transformados em postos de fogueiros-motoristas dando, posteriormente origem às classes de Condutores de Máquinas e de Maquinistas Navais, hoje fundidas na Classe de Electromecânicos.

Na Marinha Mercante Brasileira, são designados "foguistas" os marinheiros de máquinas.

Ferrovia

Fogueiro trabalhando no DRB alemão Classe 52 7409 chamado Stadt Würzburg.

Nas locomotivas dos comboios/trens a vapor, os fogueiros são, normalmente responsáveis pela limpeza das cinzas e pós da caldeira, ates de acenderem o fogo, pelo enchimento da caldeira de água, pela verificação da existência de combustível suficiente a bordo antes do início da jornada, pelo acendimento do fogo, pelo aumento ou diminuição da intensidade do fogo de acordo com a potência necessária, pela lubrificação do equipamento e pelo desempenhar de outras tarefas que lhe sejam atribuídas pelo maquinista.

Indústria

Na indústria, os fogueiros constituem os técnicos de operação de centrais de produção de vapor. Compete-lhes operar, monitorizar, manter e limpar as máquinas a vapor e caldeiras, bem como as bombas, compressores e outros equipamentos auxiliares, para fornecimento de vapor e energia a instalações e ferramentas pneumáticas.

Referências gerais