Flor de Sangue (livro)
| Flor de Sangue | |
|---|---|
| Autor(es) | Valentim Magalhães |
| Idioma | português |
| País | |
| Gênero | Romance |
| Lançamento | 1896 (1a edição) |
Flor de Sangue é um livro de Valentim Magalhães que, embora o autor alegue na introdução não se enquadrar em nenhuma escola literária ("Não resolvi fazer um romance naturalista, nem de aventuras, nem de psicologia, nem simbolista, nem idealista"), tem todas as características do naturalismo literário, na crueza com que descreve as cenas de suicídio/homicídio, a naturalidade com que aborda o submundo da prostituição, o adultério, o sexo ("e rolaram para o tapete, abraçados, unidos, fundindo almas e corpos num só beijo, num só gemido, num só delíquio"), os encontros furtivos ("encontravam-se fora de casa, para se possuírem em liberdade"), o ambiente prisional, etc.[1] De tão naturalista, o periódico religioso O Apóstolo o tacha de "romance pornográfico" (quase no final da terceira coluna).[2] Uma advertência: As edições gratuitas em PDF disponíveis contêm inúmeros erros tipográficos, por isso, para uma leitura de qualidade, recomenda-se uma edição impressa mais antiga. O porquê do título "Flor de Sangue" é explicado no desenlace do livro.
Sumário
(Contém spoilers) O personagem Paulino, graças à amizade e apoio financeiro do ricaço Fernando Gomes, forma-se em medicina, aperfeiçoa-se na Europa e na volta, convidado para morar na propriedade de seu amigo e protetor no então arrabalde carioca da Tijuca, acaba se apaixonando por sua esposa Corina ("Amava Corina, amava a mulher do seu amigo, amava-a como um louco") e, embora se esforce para controlar sua paixão, é seduzido por ela durante uma ausência do marido. Desesperado ao descobrir que não foi por amor que Corina se entregou a ele, e sim por capricho, e sentindo-se culpado por trair o grande amigo e por ter sucumbido à "embriaguez dos sentidos, loucura erótica, amor carnal", viaja a São Paulo e lá se suicida. O marido Fernando sente a falta do amigo, perde dinheiro na crise do Encilhamento, mergulha no submundo da jogatina e do sexo, e a esposa continua sua carreira de adúltera, primeiro com o barão de Santa Lúcia e enfim com o escroque Hugo da Rosa, que extorque dinheiro dela sob chantagem. Uma tal história não poderia ter um final feliz.[3]
Recepção pela crítica
O livro teve ampla cobertura da crítica, na maioria negativa, em parte por preconceito por abordar temas considerados tabus na sociedade da época, em parte por ter sido escrito às pressas, conforme confessa o autor na introdução ("no dia 1o de janeiro do corrente ano escrevi o primeiro capítulo; no dia 2 o seguinte, no dia 5 o terceiro, no dia 6 o quarto; enfim, em dois meses, tinha escrito mais de metade do livro, apesar das muitas interrupções que outros misteres impunham"), com falhas estilísticas, falta de verrossimilhança em algumas passagens ou mesmo falhas de enredo, por exemplo, ao dizer que Paulino "estourou os miolos" quando na verdade se matou com um golpe de bisturi, erro este que gerou uma errata que se celebrizou.
A crítica mais detalhada do livro, de José Veríssimo, extremamente negativa, com o título "Literatura Apressada" e subtítulo "A 'Flor de Sangue' do Sr. Valentim Magalhães", saiu na Revista Brasileira no 10 de 1897.[4]
Referências
- ↑ Valentim Magalhães, Flor de Sangue, Editora Três, 1974.
- ↑ «Jornal O Apóstolo de 7/2/1897». Consultado em 7 de setembro de 2025
- ↑ Valentim Magalhães, Flor de Sangue, Editora Três, 1974.
- ↑ José Veríssimo. «A "Flor de Sangue" do Sr. Valentim Magalhães». Consultado em 7 de setembro de 2025