Flauta-dupla

Flauta dupla é um instrumento de sopro, conhecidos desde a antiguidade. A flauta dupla foi um instrumento bastante utilizado e desapareceria somente no século XVI.

No uso coloquial, mas de forma incorreta do ponto de vista organológico, às vezes outros instrumentos de sopro duplos de madeira (instrumentos de sopro duplo, também chamados instrumentos de dupla palheta simples) são chamados de “flauta dupla”. Além disso, o antigo aulos grego, o mais conhecido instrumento de palheta formado por dois tubos melódicos, aparece na literatura mais antiga também sob o nome de “flauta dupla”.[carece de fontes?]

Origem

Figura de mármore de Ceros. Uma das primeiras representações de um instrumento de sopro duplo. Cultura cicládica, III milênio a.C.

Distingue-se entre: Instrumentos de sopro duplo formados por dois tubos melódicos separados, como o antigo aulos, que são soprados ao mesmo tempo, em ângulo variável entre si; Instrumentos com tubos melódicos fabricados separadamente e depois ligados em paralelo, como o instrumento de palheta simples zummara, usado na música popular árabe; Flautas duplas feitas de uma única peça de madeira, com duas perfurações internas, como as flautas duplas usadas na música popular dos eslavos do sul e a flauta de acordes histórica. O modo de produção sonora é independente dessa distinção de forma. Na Europa, desde a Idade da Pedra até a música folclórica tradicional atual, praticamente só aparecem flautas com canal (flautas de bico com bloco). As flautas de aresta sopradas pelo bordo (sem bloco) pertencem à esfera cultural oriental e são comprovadas desde as culturas mesopotâmicas, a partir de meados do III milênio a.C.;[1] as flautas transversais foram e ainda são, em grande medida, reservadas à música erudita na Europa.

Uma sequência evolutiva fixa de tipos de flauta na Idade da Pedra, tal como proposta por Curt Sachs (partindo da flauta de uma nota com canal, especialmente em Geist und Werden der Musikinstrumente, Berlim 1929), dificilmente pode ser mantida, pois flautas de osso sem furos de digitação e flautas de osso com furos foram usadas ao mesmo tempo e possivelmente tinham funções diferentes.[1] Da Idade da Pedra europeia não há achados de flautas duplas.

Antiguidade

Figura de bronze de um tocador de instrumento de sopro duplo de Masdschid-i Solaiman, Irã. Período parto, III-II milênio a.C., altura 5 cm, Louvre

Instrumentos de sopro duplo, formados por dois instrumentos de palheta simples ou dupla, soprados simultaneamente por um único músico, são conhecidos, a partir de representações, desde a cultura cicládica (a partir do III milênio a.C.) na região do Mediterrâneo oriental. Que não se tratava de flautas fica claro em pinturas de vasos posteriores, que mostram auloi (plural de aulos, instrumento de palheta simples ou dupla) com tubos melódicos frequentemente ligeiramente cônicos e bocais finos.[2]

Nas inúmeras representações de instrumentos de sopro duplo no Mundo Antigo mediterrâneo e no Antigo Oriente, muitas vezes não se consegue determinar com clareza se ali estão retratados instrumentos de palheta ou flautas, já que o critério decisivo seria o modo de produção sonora. Uma pequena figura de mármore, pertencente à cultura de Ceros-Siros da Idade do Bronze inicial e com cerca de 20 cm de altura, foi encontrada junto com um tocador de harpa na ilha grega de Ceros.[3] Essa figurinha representa um grupo de pelo menos quatro instrumentistas de sopro, dos quais os outros não estão preservados por inteiro; também pertencem ao grupo dois tocadores de flauta de Pã, surgidos na transição da Idade da Pedra para uma alta cultura inicial.[4]

Numa das figuras masculinas de Ceros, um tubo melódico largo projeta-se para frente a partir do queixo esticado. O músico segura o instrumento simples com ambos os braços dobrados, da mesma forma que a outra figura segura dois tubos melódicos. Devido ao bocal largo de cada tubo, Hermann Moeck (1951) considera essa figura a mais antiga evidência de uma flauta dupla europeia, do mesmo tipo que hoje é tocado pelos eslavos do sul nos Bálcãs.[1]

Tocador de aulos num simpósio. Tondo com pintura de vaso de figuras vermelhas de Vulcos, por volta de 490 a.C.

Entre os achados da cultura musical suméria, datados em meados do III milênio a.C. nos túmulos reais de Ur, há tábuas de escrita e selos cilíndricos com representações de harpas curvas, liras, flautas longitudinais e imagens fragmentárias de trombetas, além de dois tubos de prata com furos de digitação, interpretados como um oboé duplo (instrumento de palheta dupla). Do início do II milênio a.C. (época paleobabilônica) provêm várias figuras de argila representando macacos tocando flauta ou oboé duplo. Do II milênio a.C. sobreviveram numerosas representações de instrumentos de sopro duplo em relevos de argila, produzidos em série com o uso de moldes. Numa figura estilizada de argila, um homem de braços dobrados segura com ambas as mãos um instrumento de sopro duplo; este é representado por meio de um desenho inciso sobre o peito. Duas fileiras com oito cavidades cada marcam os furos de digitação. Em Larsa, foi encontrada uma figura de macaco com um instrumento de sopro duplo cujos tubos melódicos têm comprimentos diferentes.[5]

No Antigo Império egípcio, na segunda metade do III milênio a.C., tocavam-se flautas, flautas duplas e instrumentos de palheta. Instrumentos de sopro duplo, descritos nos textos ou mostrados em imagens ora como “flautas”, ora como “oboés”, também existiram entre os hititas, no período neo-hitita e no Império Assírio. Em muitos sítios da Mesopotâmia, foram achadas figuras femininas de argila, da época selêucida, segurando claramente instrumentos de palheta duplicados, o que comprova uma longa tradição contínua de instrumentos de sopro duplo. No grande templo da cidade parta de Hatra, da segunda fase de construção (aprox. 80–150 d.C.), foi preservado um relevo com um tocador de oboé duplo. Trata-se da mais antiga representação conhecida de um “doppelaulos” na Mesopotâmia, com anéis metálicos giratórios que podem ser deslocados ao longo dos tubos melódicos para cobrir determinados furos de digitação e, assim, alterar a afinação do instrumento. Se um determinado furo tivesse de permanecer aberto, o músico girava o anel até que a abertura ficasse exatamente sobre o furo. Esses anéis giratórios já eram conhecidos na Grécia antiga e no Império Romano e chegaram, juntamente com a flauta de Pã (syrinx), à região entre os dois rios Tigre e Eufrates.[6]

Entre os instrumentos mencionados na Bíblia, o nome hālīl (da raiz hebraica ḥll, “escavar, perfurar”) é interpretado de maneiras diversas: como instrumento de palheta duplo, flauta, flauta dupla ou mesmo como termo genérico para instrumentos de sopro.[7]

A musa Euterpe, da mitologia grega, é frequentemente representada com uma flauta ou um doppelaulos como seu atributo. Ela é considerada a inventora da auletiké, traduzida na literatura mais antiga como “arte de tocar flauta”, isto é, a execução instrumental no aulos. Por meio da flauta, Euterpe se liga ao gênero da poesia cantada, na qual um cantor solista é acompanhado por uma flauta.

Idade Média europeia e Europa Ocidental

Músico com flauta dupla e alaúde de braço dobrado (semelhante à posterior mandora). Detalhe de uma cena da vida de São Martinho de Tours. Afresco de 1322–1326 na igreja inferior da Basílica de São Francisco, em Assis.

Edward Buhle (1903) reproduz em miniaturas dos séculos X a XIII várias figuras de músicos com instrumentos de sopro duplo, nas quais, porém, não é possível reconhecer com certeza se se tratam de flautas duplas. Buhle considera essas representações parte de uma tradição iconográfica herdada da Antiguidade, com instrumentos que, naquele período, provavelmente já não estavam mais em uso na Europa.[8] Desde o início da Idade Média, flautas de canal duplas são usadas na Europa; contudo, não se sabe ao certo quando surgiram pela primeira vez. O compositor e poeta francês Guillaume de Machaut (1300/05–1377) menciona em La Prise d’Alexandrie uma passagem sobre a flauta dupla, com os versos: “E mais de dez pares de flautas, ou seja, vinte instrumentos, tanto fortes quanto suaves”.

Numa miniatura inglesa do século XIV, vê-se, ao centro, um acrobata fazendo o pino, ladeado por um músico com flauta dupla e outro com flauta de uma mão e tambor. O tocador da flauta dupla segura os dois tubos em ângulo agudo um em relação ao outro.[9] Um afresco na igreja inferior da Basílica de São Francisco, em Assis (1322–1326), mostra um músico com duas flautas de canal, que ele mantém separadas em ângulo agudo. O músico mal consegue segurá-las, e as flautas têm mais furos do que ele é capaz de alcançar com os dedos.[10]

Uma flauta dupla de peça única é tocada por uma dama sentada sobre um cisne, em um gravado em cobre de Baccio Baldini (c. 1436–1487), realizado por volta de 1470 com o título "Música". O mural Assunção de Maria ao Céu, pintado logo após 1500 por Girolamo di Benvenuto (c. 1470–1524) na igreja Santa Maria in Portico a Fontegiusta, em Siena, mostra uma flauta dupla com o tubo direito mais curto. Dos registros contábeis do duque Carlos, o Temerário, de 1457, depreende-se que um tocador de flauta dupla recebia pagamento. O compositor Johannes Tinctoris usa, por volta de 1484, a palavra tibia para um instrumento de sopro duplo empregado em uma de suas composições – termo ambíguo, pois entre os romanos designava o aulos, um instrumento de palheta. No século XVI, é provável que muitos dos instrumentos de sopro duplo na Europa Ocidental fossem instrumentos de palheta dupla, e não flautas.[11]

A partir do século XVI, aparecem dois tipos diferentes de flautas de canal duplas. Um tipo com número desigual de furos de digitação em cada tubo, de modo que um deles poderia servir como bordão (nota pedal). Contudo, para acompanhamento de canto com bordão, desde a Idade Média preferiam-se gaitas de fole e sanfona. Um inventário da capela de Stuttgart de 1589 indica que a flauta dupla era usada naquela época apenas em festas de carnaval (Fastnachtsspiel). Uma flauta dupla do século XVI, conservada no All Souls College, em Oxford, tem os dois tubos perfurados numa única peça de madeira, com comprimentos diferentes afinados a uma quinta de distância. Cada tubo possui quatro furos de digitação na frente e um furo de polegar atrás, que eram tocados de forma independente com os dedos de ambas as mãos.[12]

No outro tipo, o músico sopra contra duas arestas de corte posicionadas de maneira diferente, e cobre com um só dedo os furos de digitação de ambos os tubos, que se encontram muito próximos numa mesma cavidade.[13] Fontes holandesas afirmam que o construtor de instrumentos Michiel Parent (1663–1710), ativo em Amsterdã, teria inventado por volta de 1700 essa flauta de bloco dupla ou “flauta de acordes”.[14] Em 20 de janeiro de 1667, o cronista inglês Samuel Pepys (1633–1703) menciona, em seu diário, uma moda musical que consistia em “ligar duas flautas da mesma afinação, de modo que eu pudesse tocar em uma e repetir o que toquei na outra como eco, o que soa extraordinariamente bonito”.[15]

Do século XVIII, há flautas duplas com tubos de comprimentos diferentes e flautas de acordes com arestas de corte deslocadas, capazes de produzir acordes de terça. A flauta de acordes continuou a ser desenvolvida até meados do século XIX. No início do século XVIII, o construtor de instrumentos de sopro Christian Schlegel (c. 1667–1746), de Basileia, produziu uma variante denominada “Plattflöten” (“flautas planas”), feitas de uma peça de madeira achatada. Um exemplar descrito num catálogo de 1906 do Museu Histórico de Basileia possui sete furos de digitação em cada tubo e é feito de madeira frutífera envernizada em vermelho escuro. O mestre de capela e compositor Jakob Christoph Kachel (1728–1795), de Basileia, escreveu sobre as flautas de Schlegel, em um manuscrito intitulado Ensaio histórico sobre a música:[16]

“A flauta dupla, ou flauta plana, na qual se podem tocar pequenos trechos em terças, foi inventada há 40 anos pelo velho Schlegel em Basileia, pai do Schlegel já falecido. Desapareceu juntamente com seu inventor.”

Schlegel não foi o primeiro a ser apontado como inventor da flauta dupla. Depois dele, o construtor inglês William Bainbridge inventou, por volta de 1806, em Londres, um flageolet duplo com dois tubos cônicos invertidos, alimentados por uma câmara de ar comum. O músico sopra num bocal em forma de bico (snabel) e, por meio de um mecanismo de chaves, pode fechar um dos tubos. O tubo direito tem quatro furos de digitação e o esquerdo, sete. No flageolet duplo tenor, a extensão é de d1 a b2 no tubo direito e de fis a a2 no esquerdo. O modelo um pouco menor, chamado Octave, é afinado uma quarta acima, em sol.[17] Em meados da década de 1820, Bainbridge introduz ainda o triplo flageolet (tenor triple-flageolet), com três tubos (o terceiro é um bordão), encaixados numa câmara de ar rígida e redonda, como no instrumento de palheta simples pungi, da Índia. O triplo flageolet era uma raridade relativamente cara.[18] No início do século XX, as flautas duplas praticamente desapareceram da Europa Ocidental.[19]

Flauta de eco

Euterpe, uma musa da mitologia grega, segura uma flauta de bloco dupla. Gravura em cobre de Virgil Solis para as Metamorfoses de Ovídio, 1562

O nome flauta de eco é conhecido sobretudo porque Johann Sebastian Bach prescreve um instrumento assim chamado em seu 4.º Concerto de Brandemburgo (1721). Em várias fontes do final do século XVII e início do XVIII, são mencionadas “flautas de eco”, sem que fique claro de forma inequívoca a que tipo de instrumento o termo se refere. Numa serenata de Giovanni Bononcini (Il fiore delle Eroine, 1704), são exigidas duas flautas e duas echoflöten, todas com a mesma extensão. Supõe-se que as flautas de eco deveriam talvez, fora do palco, repetir as frases melódicas tocadas pelas flautas principais. Na obra teórica de Étienne Loulié, "Éléments ou Principes de musique mis dans un nouvel ordre" (Paris, 1696), mencionam-se duas flautas de eco: uma de som forte e outra de som suave. Poderiam tratar-se de duas flautas de bloco ligadas entre si, como as que provavelmente usava o flautista de bloco francês Jacques Paisible (c. 1656–1721). Em seus concertos em Londres, por volta de 1713–1718, Paisible chamava a atenção do público com uma “echo flute” ou “small echo flute”.[20] Também o seu colega mais velho, o violinista e flautista de bloco James Banister (1662–1736), era conhecido por tocar duas flautas de bloco ao mesmo tempo.[21]

De coleções particulares do início do século XVIII, conhecem-se vários pares de flautas de bloco ligadas, por exemplo do construtor francês Pierre Jaillard Bressan (1663–1731) e do fabricante de flautas Johann Heitz (1673–1737), de Berlim. Outro par de flautas de bloco, do final do século XVIII e de fabricante saxão desconhecido, conservado no Museu dos Instrumentos de Música de Leipzig, é fixado por uma tira de latão.[22]

O tipo de flauta que Bach designou como fiauto d’echo foi objeto de discussões controversas. O especialista americano em flauta de bloco Dale Higbee (1925–2015) defendeu, em 1962, a tese de que Bach teria pretendido simplesmente duas flautas de bloco comuns em fá¹, e que o termo fiauto d’echo — que não aparece em nenhum outro lugar de sua obra — se referiria apenas ao modo de execução, ou seja, a um efeito de eco musical entre as duas flautas.[23] “Eco” poderia também referir-se a uma flauta de bloco uma oitava mais aguda.[24]

Bach compôs o 4.º Concerto de Brandemburgo na mesma época em que Paisible, em Londres, se tornava conhecido com uma “flauta de eco” especialmente construída. O músico e maestro inglês Thurston Dart (1960) chama atenção para esse fato. Bach poderia, em Berlim, ter ouvido falar dessas inovações da cena musical londrina e, como ele costumava ser linguisticamente preciso, o fiauto d’echo provavelmente não seria nem flauta de bloco nem flauta transversal, mas um instrumento de outro tipo.[25]

David Lasocki (1992) retoma a controvérsia dos anos 1960[30] e supõe que a flauta de eco poderia ser ou uma determinada afinação de flauta já conhecida, ou um efeito de eco, portanto um modo especial de tocar, talvez também no sentido figurado de que as flautas de bloco funcionariam como um “eco melódico” do violino solo. Com isso, Lasocki segue em grande parte Higbee e discorda de Dart. Ele observa que, após a morte de Paisible em 1721, não há mais menções à sua “echo flute” nos programas londrinos, nem foi encontrada nenhuma flauta dupla em seu espólio. Ao mesmo tempo, parece pouco provável que uma flauta de bloco comum fosse anunciada publicamente como novidade, o que sugere algum tipo de modificação do instrumento. Uma hipótese sobre se a flauta de eco de Paisible seria uma flauta de bloco comum ou modificada foi proposta por Jeremy Montagu (1981). Ele supõe uma flauta de bloco com um dispositivo especial[26] por exemplo, um furo extra para o polegar) que permitiria alternar, na mesma altura sonora, entre um som forte e um som suave.[ John Martin (1989) vai além e sugere que um construtor em Londres teria ligado duas flautas de bloco, uma de som forte e outra de som suave, vendendo esse instrumento a Paisible. O fato de Paisible provavelmente ter tocado pares de flautas de bloco é reforçado por fontes contemporâneas, e essa prática pode ter sido conhecida na Alemanha.[27]

A flauta de eco de Paisible talvez não tenha sido um fenômeno isolado, mas já estivesse em uso na França na década de 1690 sob o nome de flûte d’écho. Em sua obra teórica, Loulié já menciona duas flûtes d’écho de timbre diferente (forte e suave). George Goebel (1995) conclui que se trata de um tipo particular de flauta, pois seria improvável que Loulié, para ilustrar contraste de dinâmica, escolhesse justamente a flauta de bloco — o instrumento barroco com menores possibilidades dinâmicas.[28]

Paisible mudou-se para a Inglaterra em 1673, mas permaneceu algum tempo na França por volta de 1693, de modo que provavelmente conheceu a flûte d’écho francesa. Como esse instrumento se parecia exatamente, porém, permanece desconhecido. A flauta de eco poderia ter sido construída com dois tubos melódicos separados, ligados por travessas, cada um com características sonoras distintas, que o músico sopraria alternadamente. Tal construção, no entanto, não pertence propriamente ao grupo das flautas duplas. Um exemplar desse tipo, da segunda metade do século XVIII, encontra-se no Museu de Instrumentos da Universidade de Leipzig.[29] Para uso em concerto, um instrumento desse tipo seria pouco prático; pelo menos, seria difícil realizar, como exige o 4.º Concerto de Brandemburgo, uma mudança rápida entre as flautas.

Caso as flautas de eco de Bach fossem de fato uma forma construtiva especial, então flautas duplas com duas perfurações em uma única peça de madeira, afinadas na mesma altura, parecem a explicação mais plausível. Uma flauta dupla desse tipo aparece num gravado de Christoph Weigel (Der Pfeiffenmacher, Regensburg, 1698). O fagotista Lorenzo Alpert, do conjunto Concerto Köln, mandou construir uma flauta de eco inspirada nesse modelo, com duas aberturas de sopro separadas em um bocal largo e duas fileiras de furos muito próximos. Em uma das duas arestas (lábios), foi fixada uma pequena placa de madeira que, ao se soprar esse lado com a mesma pressão, produz um som mais suave.[30] Em 2014, o Concerto Köln executou o 4.º Concerto de Brandemburgo com duas dessas flautas de eco experimentais.[31]

Difusão

Bálcãs e Europa Oriental

À esquerda, duas flautas duplas da Suíça (c. 1800) e da Alemanha (final do século XVIII); à direita, duas dvojnice da antiga Iugoslávia (século XIX). Museu Metropolitano de Arte, Nova Iorque

A música vocal com bordão é uma antiga tradição indo-europeia.[32] Instrumentos de bordão continuam sendo usados em inúmeras formas, sobretudo na música indiana, mas também na árabe e persa, onde um som de bordão ou pelo menos um centro tonal serve de base.[33] Na Idade Média europeia, o bordão fazia parte tanto da música vocal e instrumental secular quanto da música sacra, desde a gaita de fole até o órgão. Entre os eslavos do sul, em vários países dos Bálcãs e da Europa Oriental, conservaram-se, na música folclórica, maneiras medievais de tocar flautas duplas.[34] Além da prática em que um tubo melódico toca a melodia e o outro fornece bordão, há flautas duplas nos Bálcãs em que ambos os tubos melódicos têm alturas diferentes, de modo que, ao usar as mesmas posições de dedos em ambos, o músico produz intervalos constantes, como segundas ou terças.[35]

Na Croácia, a flauta dupla sloškinja (também teležnica) é um típico instrumento de bordão, com seis furos de digitação em um tubo melódico e nenhum furo no outro.[36]

No catálogo do Museu de Instrumentos Musicais de Bruxelas (1893), Victor-Charles Mahillon lista uma flauta dupla italiana chamada zampogna a due bocche (“zampogna de duas bocas”, bósnio svardonitsa). Trata-se de uma flauta ligeiramente achatada, na qual os tubos melódicos formam um único bloco de madeira até a metade do comprimento e depois se separam em dois tubos distintos na parte inferior. O tubo esquerdo tem cinco furos de digitação e o direito, quatro.[37] Um instrumento um pouco maior com esse mesmo nome, porém com três furos no lado esquerdo e quatro no direito, é descrito por Curt Sachs (1908). Os três furos inferiores de ambos os tubos aparecem praticamente em paralelo. Com todos os furos fechados, a flauta, proveniente de um pastor bósnio, produz o tom as¹; abrindo-se em sequência os quatro furos direitos, obtêm-se b¹, ces¹, c² e des². Pelo sobreagudo (overblowing), podem ser gerados o segundo, terceiro e quarto harmônicos. Sachs considera a sequência incomum dos três furos inferiores duplicados como um resquício de um sistema tonal europeu muito antigo, e vê no quarto furo superior direito um acréscimo posterior, destinado a completar uma escala diatônica em Ré♭ maior e Sol♭ maior.[38]

A dvojnice, também chamada diple (“a dupla”; embora o termo diple também possa designar um instrumento de palheta dupla ou uma gaita de fole), consiste em dois tubos melódicos perfurados em um único bloco de madeira, que às vezes se alarga levemente na parte inferior. Na Croácia, o tubo direito normalmente tem um furo a mais (quatro ou cinco) que o esquerdo (três ou quatro). A dvojnice serve, sobretudo, para acompanhar o canto. Na Dalmácia, oeste da Sérvia, Šumadija e Bósnia e Herzegovina, são comuns flautas com quatro ou cinco furos por tubo; no leste da Sérvia, o tipo de flauta dupla corresponde à sloškinja.[39] Na região da Herzegovina, esse instrumento é chamado dvogrle.[40] Geralmente, toca-se com posições de dedos paralelas, produzindo intervalos de segundo (segundas paralelas), ou então uma das melodias ornamenta a outra. Na Croácia, também existem flautas com três ou quatro tubos. A troynice possui quatro furos no tubo direito, três no central e nenhum no tubo de bordão, à esquerda.[41]

Na região sudoeste da Albânia, encontra-se a flauta dupla cula-diare (também curle dyjare), equivalente à dvojnice sérvio-croata. Ela é usada na região de Labëria, conhecida por seu estilo de canto iso-polifônico, com uma voz de bordão grave.[42]

Na Eslováquia, a flauta dupla dvojačka, no centro do país, consiste em uma flauta de pastor de aproximadamente 43 cm de comprimento, com seis furos de digitação, unida a outra flauta, de igual comprimento, sem furos, semelhante à flauta de harmônicos koncovka. Num tipo do norte da Eslováquia, ligeiramente mais curto, os dois tubos — cada qual com a mesma quantidade de furos — são perfurados em uma única peça de madeira. Pelo fato de se soprarem dois tubos ao mesmo tempo, as possibilidades de explorar a série de harmônicos são mais limitadas. A dvojačka pertence tradicionalmente ao repertório dos pastores, que a tocam de forma solística, para sua própria diversão.[43]

Característica da música folclórica eslovaca é a fujara, uma longa flauta de canal tocada na vertical. Uma forma especial é a fujara-dvojka (“fujara dupla”) ou dvojitá fujara, construída em duas variantes:[43]

  • duas flautas de igual comprimento mantidas juntas por tiras de metal e couro;
  • um bloco de madeira no qual as duas perfurações internas são apenas sugeridas por um rebaixo.
  • Num dos tubos da fujara-dvojka há três furos de digitação; no outro, nenhum.

Na Bulgária, a flauta dupla dwojanka é parente nominal da dvojačka eslovaca. Ela é tocada principalmente no oeste e sudoeste do país, nas regiões dos Ródopes, onde se pratica uma tradição de canto a duas vozes. A dwojanka é composta por um tubo com seis furos de digitação e um tubo de bordão com um furo lateral. Ambos são, em geral, perfurados em uma única peça de madeira. Essa flauta é usada, por exemplo, para acompanhar danças em fila.[44]

A dwodenziwka faz parte do grupo das flautas de canal ucranianas chamadas sopilka. É feita de uma única peça de madeira e possui ou dois tubos melódicos com quatro e três furos, respectivamente, ou um tubo melódico com cinco furos e um tubo de bordão sem furos.[45]

Na Hungria, a kettősfurulya ou ikerfurulya (“flauta dupla” ou “flauta gêmea”) tornou-se, a partir de meados do século XX, extremamente rara. É uma flauta dupla tocada como a flauta de canal simples furulya. O tubo melódico tem seis furos; o tubo de bordão não tem nenhum.[46]

Na região montanhosa dos Cárpatos, no sul da Polônia, há uma flauta de canal dupla que, como a flauta simples, é chamada piszczałka. Da mesma forma, as palavras russas swirel, dwoinitsa e dwoitschatka podem designar flautas de canal simples e, no oeste da Rússia, raras flautas duplas, constituídas de dois tubos separados e de comprimentos diferentes, soprados em ângulo agudo. Tradicionalmente, cada tubo possui dois furos na parte superior e um furo de polegar atrás; exemplares atuais podem ter mais furos.[47]

Sul da Ásia

A jore pavo (“pavo duplo”), tocada por criadores de gado na península de Kathiawar (Gujarat), é formada por dois tubos de madeira ou bambu, cada um com quatro furos, ligados internamente por um pequeno tubo de metal. A partir desse tubo central se estende um bocal curto; o ar é conduzido às duas arestas de corte dos tubos melódicos. Outros nomes em Gujarat são venu, veno, vanso (do sânscrito “bansuri”, flauta de bambu) e piho ou pisvo.[48]

No estado de Maarastra, essa flauta soprada no meio chama-se surpava. Ela é feita a partir de um tubo de bambu de 60 a 70 cm, tocado na vertical. Apenas os furos da metade inferior são usados para criar a melodia, enquanto a metade superior produz um bordão. Curt Sachs (1928) chama esse tipo de flauta transversal, com tubo aberto em toda a extensão e soprada no meio, de “flauta de orifício central”, distinguindo-a das “flautas transversais duplas”, nas quais um nó de crescimento divide o tubo ao meio em duas câmaras de comprimentos ligeiramente diferentes. Nestas últimas, as duas metades são sopradas alternadamente a partir de um ponto central.[49]

Pacífico e Indonésia

Na ilha de Pentecost, em Vanuatu, existiu uma flauta de bambu chamada bua warue (“flauta dupla”), que corresponde a uma forma simples da surpava. Numa seção de bambu com dois entrenós, há dois furos laterais situados próximos ao nó central. O músico coloca essa área na boca e sopra nos dois furos ao mesmo tempo ou alternadamente; o nó distribui o ar entre as duas metades do tubo. Em cada extremidade fechada há um furo na parte superior e outro na inferior. O músico segura a flauta horizontalmente pelas extremidades e alterna a cobertura dos furos com os dedos. Esse instrumento de som suave também é chamado de bao bolbol, bao melau ou bao lusur.[50] Felix Speiser, que realizou uma expedição às Novas Hébridas (atual Vanuatu) entre 1910 e 1912, foi o primeiro a relatar sobre esse tipo de flauta transversal dupla. Ele a encontrou nas ilhas Ambrym e Ambae.[51] Arthur Christopher Moule (1908) descreve uma flauta transversal dupla chinesa (chih), com cerca de 45 cm, soprada aproximadamente a um terço do comprimento. Cinco furos ficam na parte mais longa e um furo na extremidade da parte mais curta.[52]

Kunz Dittmer (1950) toma essa rara flauta transversal dupla como ponto de partida para formular uma hipótese própria sobre a origem da flauta de canal, que, segundo ele, teria surgido no Sudeste Asiático. Da flauta transversal dupla, por meio de um uso acidental que cobria parcialmente as aberturas de sopro, teria surgido uma flauta de aresta lateral (bandflöte), como a suling javanesa ou a palwei birmanesa; desta, então, se teria desenvolvido a flauta de canal.[53]

Na ilha indonésia de Flores, as flautas de bambu com canal interno são chamadas foi, enquanto feko designa as flautas com canal externo, semelhantes à suling javanesa. A foi (woi) doa, dos povos Nagé, e a foi kedi, dos Ngada (etnias do centro de Flores), consistem em dois tubos de mesmo comprimento (25–32 cm), cada um com três furos. São tocados em ângulo agudo. Existe uma variante com três tubos, especialmente na aldeia de Malasera, chamada foi dogo (“foi tripla”). Nela, um tubo central de bordão fornece ar, por meio de tubos transversais, a dois tubos melódicos laterais. Os três tubos são fechados aproximadamente a 10 cm de uma extremidade por um nó interno, de modo que as partes acima formam uma câmara de ar comum. Nessas bordas de nó, o som se forma pelo princípio das flautas de aresta.[54][55] No distrito de Tanjung Bunga, no leste de Flores, o par de flautas semelhante, chamado sason rurén (abreviado rurén), tem significado mítico. Em diversas narrativas e canções, a rurén está associada a separação, perda e morte violenta.[56]

Na África do Sul, Percival R. Kirby (1934) descreve flautas duplas simples com entalhe, feitas de dois tubos vegetais de comprimentos diferentes, ligados por fibras — uma forma semelhante à antiga flauta igemfe. Essas flautas eram imitações das “apitos de polícia” europeus.[57]

América

Mesoamérica

Flauta dupla asteca de cerâmica, meados do século XIV até 1521

Entre os achados arqueológicos do México, há vários tipos de flautas de entalhe e flautas sopradas na borda, feitos de cerâmica, osso, cana e metal. Da época pré-clássica (c. 500 a.C.) vêm flautas de vaso duplas em forma de figuras humanas ou animais, encontradas em Tlatilco, no vale do México. Em um par de figuras humanas de cerca de 15 cm de altura, o ar é soprado pela cabeça; ele sai por aberturas nos tocos das pernas, produzindo dois tons em intervalo de segunda. Um exemplar zoomorfo de quatro patas, com 9,5 cm de altura, produz os tons mi♭² e f².[58]

Do oeste do México (estado de Jalisco), há flautas duplas com bocal, datadas em torno da virada da era (c. século I), feitas de tubos de cerâmica de paredes espessas. Flautas duplas igualmente espessas, provavelmente produzidas em série, datadas por volta de 300, foram encontradas no atual estado de Colima. Os dois tubos, cada qual com quatro furos, são soprados por um bocal em forma de funil. Duas figuras de cerâmica de Jalisco (c. virada da era e c. 300 d.C.) mostram como essas flautas eram tocadas: os músicos se mantêm de pernas afastadas, com a flauta inclinada para baixo e levemente para o lado, segurando o instrumento com os braços dobrados.[59]

De Teotihuacán vêm flautas triplas e quádruplas datadas dos séculos V–VI, que produzem aproximadamente intervalos de terça. De época pré-colombiana, há uma flauta dupla cujos dois tubos têm os furos na mesma posição; ela pode ter servido como instrumento de sinal de timbre forte.[60] Uma figura de cerâmica de cerca de 500, no estilo de Colima (c. 300–800), originária do noroeste do México, mostra um tocador de flauta dupla de 38 cm de altura. O músico segura a flauta dupla, com quatro furos em cada tubo, quase horizontalmente. Outras figuras de músicos do mesmo estilo, com flautas longitudinais, flautas de Pã, chocalhos e tambores, documentam uma vida musical variada nesse período. Flautas duplas de canal desse tipo, com duas perfurações e uma única abertura de sopro, são por vezes de cerâmica negra e têm quatro furos paralelos em cada tubo, o que sugere produção padronizada. Um exemplar de 28 cm de comprimento, com tubos completamente unidos, pode produzir os tons f¹, e¹, mi♭¹, ré¹ e dó♯¹.[61]

Outra flauta dupla desse tipo, cujos tubos possuem aberturas de sopro separadas e se unem apenas na parte superior e inferior, produz diferentes sequências de notas, embora os tubos tenham o mesmo comprimento. Com todos os furos fechados, o intervalo é uma segunda maior: si♭² (direita) – dó³ (esquerda). As diferenças claras de timbre entre os dois tubos reforçam a ideia de que se buscava algum tipo de polifonia.[62]

Diversas culturas mesoamericanas deixaram numerosas flautas duplas de som muito agudo. É possível que o timbre peculiar desses instrumentos fosse usado para provocar efeitos psicoacústicos, que poderiam ser interpretados como “voz de divindades”.[63] Por volta de 500 d.C., na costa do Golfo do México, surgiu uma flauta dupla na qual a altura do som é modificada por pequenas bolas de argila móveis dentro dos tubos. Quando o instrumento horizontal, soprando de cima, é inclinado, as bolinhas rolam, alterando o comprimento efetivo das colunas de ar e produzindo dois sons uivantes.[64]

América do Sul

Do sítio arqueológico de Chavín de Huántar, no Peru, provém uma figura de cerâmica de cerca de 400 a.C., com 17,5 cm de altura, representando um tocador de flauta dupla. A figura oca, quase cilíndrica, mostra rosto, flauta e braços dobrados em baixo-relevo, com detalhes como roupa indicados por linhas incisas. Ao longo dos dois tubos da flauta dupla, veem-se furos de digitação em toda a extensão. A figura comprova a existência de flautas duplas na cultura Chavín, embora nenhum exemplar de instrumento tenha sobrevivido.[65]

Referências

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