Fisostigmina
Fisostigmina
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Nome IUPAC (sistemática)
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| (3aR,8aS)- 1,3a,8-trimetil- 1H,2H,3H,3aH,8H,8aH- pirrolo [2,3-b] indol-5-il N-metilcarbamato | |
Identificadores
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| 57-47-6 | |
| 5983 | |
| APRD00406 | |
Informação química
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| C15H21N3O2 | |
Farmacocinética
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| 3 a 8% | |
| Maior metabolito: Eserolina | |
| 15-40 min | |
Considerações terapêuticas
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Fisostigmina, também conhecido pelo nome comercial Eserina, é um parassimpaticomimético de ação indireta pela ação da inibição da acetilcolinesterase.[1] Foi sintetizado em 1935 pelos químicos Percy Julian e Josef Pik.[2]
Mecanismo de ação
A fisostigmina é um inibidor da acetilcolinesterase, a enzima responsável pela degradação da acetilcolina. Ao interferir com o metabolismo da acetilcolina, a fisostigmina estimula indiretamente ambos os receptores nicotínicos e muscarínicos, devido ao consequente aumento da acetilcolina disponível nas sinapses.[3]
Usos
A fisostigmina, um inibidor da acetilcolinesterase, pode ser utilizada no tratamento da miastenia grave, glaucoma e do esvaziamento gástrico atrasado.[4] Como potencia a transmissão de sinais de Acetilcolina no Cérebro e pode atravessar a barreira hematoencefálica, o salicilato de fisostigmina é usado para tratar o envenenamento anticolinérgico, ou seja, o envenenamento por substâncias que interfirem na transmissão dos sinais da acetilcolina, como a Atropina, Escopolamina e outras sobredosagens de fármacos anticolinérgicos.[5] É também utilizada para reverter o bloqueio neuromuscular. A fisostigmina é o antídoto de eleição para o envenenamento por Datura stramonium. É também um antídoto para o envenenamento por Atropa belladonna e por Atropina.[6] Foi usada como antídoto para o envenenamento por GHB,[7] mas é pouco eficaz e frequentemente causa toxicidade adicional, pelo que não é um tratamento recomendado.[8] Pode ser igualmente utilizada como antídoto para o envenenamento por Dimenidrinato ou Difenidramina.[9]
Demostrou-se que melhora a memória a longo prazo,[10] e foi explorada numa ocasião como terapia para a doença de Alzheimer, mas nos ensaios clínicos não demonstrou ter benefícios convincentes, e causava efeitos secundários de moderados a graves muito comuns, como náuseas, vómitos, diarreia, perda de apetite, dor abdominal e tremores, resultando numa alta taxa de descontinuação da medicação.[11] A fraca tolerabilidade da fisostigmina levou ao seu abandono em favor de inibidores da acetilcolinesterase posteriores, três dos quais estão atualmente em uso: Donepezil, Galantamina e Rivastigmina.[12] Recentemente, começou a ser usada no tratamento da hipotensão ortostática.
A fisostigmina foi proposta como antídoto para a intoxicação por gama-hidroxibutirato (GHB), um potente agente sedante-hipnótico que pode causar perda de consciência, perda de controlo muscular e morte.[carece de fontes] A fisostigmina pode contrariar o GHB ao produzir um estado não específico de excitação. Contudo, não há evidências científicas suficientes que mostrem que serve para tratar adequadamente a toxicidade do GHB. Além disso, doses baixas de GHB produzem uma forte ação no receptor de GHB e não no receptor $\text{GABA}_\text{B}$, o que resulta num efeito estimulante que atuaria sinergicamente com a fisostigmina e produziria hiperestimulação quando os níveis sanguíneos de GHB começassem a cair.
Também se propuseram outros usos para a fisostigmina: poderia reverter os efeitos secundários indesejados de benzodiazepinas como o Diazepam, aliviando a ansiedade e a tensão.[13] Outro uso proposto é para reverter os efeitos dos barbitúricos (qualquer do grupo dos derivados do ácido barbitúrico para uso como sedativos ou hipnóticos).
Efeitos colaterais
Os possíveis efeitos colaterais incluem depressão e overdose.
Referências
- ↑ Elias, Luis; Fuentes, Ramón; Cerda, Juan (1980). «Usos clinicos del salicilato de fisostigmina» (PDF). Rev. Mex. Anest. Revista Mexicana de Anestesiología (em espanhol). Ep. II, v. 3 (n. 3): 187-190. Consultado em 30 de janeiro de 2021
- ↑ «How Percy Julian Became a Great 20th Century Scientist». www.pbs.org (em inglês). Consultado em 30 de janeiro de 2021
- ↑ Katzung, Bertram G.; Trevor, Anthony J. (2 de março de 2017). Farmacologia Básica e Clínica - 13.ed. [S.l.]: McGraw Hill Brasil
- ↑ Assis, José Lamartine de (dezembro de 1960). «Tratamento das formas severas de miastenia pelo ACTH por via intravenosa». Arquivos de Neuro-Psiquiatria (4): 359–382. ISSN 0004-282X. doi:10.1590/S0004-282X1960000400003. Consultado em 30 de janeiro de 2021
- ↑ Moore PW, Rasimas JJ, Donovan JW (março de 2015). «Physostigmine is the antidote for anticholinergic syndrome». Journal of Medical Toxicology. 11 (1): 159–160. PMC 4371033
. PMID 25339374. doi:10.1007/s13181-014-0442-z
- ↑ Potter SO (1893). A Handbook of Materia Medica, Pharmacy and Therapeutics. Londres: P. Blakiston's. p. 53
- ↑ Traub SJ, Nelson LS, Hoffman RS (2002). «Physostigmine as a treatment for gamma-hydroxybutyrate toxicity: a review». Journal of Toxicology. Clinical Toxicology. 40 (6): 781–787. PMID 12475191. doi:10.1081/CLT-120015839
- ↑ Zvosec DL, Smith SW, Litonjua R, Westfal RE (2007). «Physostigmine for gamma-hydroxybutyrate coma: inefficacy, adverse events, and review». Clinical Toxicology. 45 (3): 261–265. PMID 17453877. doi:10.1080/15563650601072159
- ↑ Scharman EJ, Erdman AR, Wax PM, Chyka PA, Caravati EM, Nelson LS, et al. (19 de janeiro de 2006). «Diphenhydramine and dimenhydrinate poisoning: an evidence-based consensus guideline for out-of-hospital management». Clinical Toxicology. 44 (3): 205–223. PMID 16749537. doi:10.1080/15563650600585920
- ↑ Christodoulou C, MacAllister WS, McLinskey NA, Krupp LB (2008). «Treatment of cognitive impairment in multiple sclerosis: is the use of acetylcholinesterase inhibitors a viable option?». CNS Drugs. 22 (2): 87–97. PMID 18193921. doi:10.2165/00023210-200822020-00001
- ↑ Coelho F, Birks J (2001). «Physostigmine for Alzheimer's disease». The Cochrane Database of Systematic Reviews. 2001 (2 (número de artigo: CD001499)). PMC 8078195
. PMID 11405996. doi:10.1002/14651858.CD001499
- ↑ Mehta M, Adem A, Sabbagh M (2012). «New acetylcholinesterase inhibitors for Alzheimer's disease». International Journal of Alzheimer's Disease. 2012 (número de artigo: 728983). PMC 3246720
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- ↑ Sienkiewicz-Jarosz H, Maciejak P, Krzaścik P, Członkowska AI, Szyndler J, Bidziński A, et al. (maio de 2003). «The effects of central administration of physostigmine in two models of anxiety». Pharmacology, Biochemistry, and Behavior. 75 (2): 491–496. PMID 12873642. doi:10.1016/S0091-3057(03)00141-2
Bibliografia
- Brenner, George M. (2000). Pharmacology (em inglês) 1st ed ed. Philadelphia: W.B. Saunders. OCLC 42643664
- Compendium of Pharmaceuticals and Specialties (em inglês) 35th ed ed. Ottawa: Canadian Pharmaceutical Association. 2000. OCLC 59509865
- Este artigo incorpora texto (em inglês) da Encyclopædia Britannica (11.ª edição), publicação em domínio público.
