A Filosofia da Libertação (FdL) é um movimento Filosófico que analisa os processos de domínio, opressão, exclusão...e busca teorizar a práxis para a libertação integral de povos e comunidades[1]. Considerada uma filosofia de Práxis. A FdL se preocupa em analisar o processo que leva de um estado ao outro[1]. Por causa desse foco em atividades prática, a Filosofia da Libertação é considerada um movimento ao invés de uma escola de filosofia[2].
Segundo o autor Hugo Allan Matos, a filosofia da libertação, além de querer libertar o pensamento em geral e a filosofia em particular do helenocentrismo e eurocentrismo, dentre outras coisas, assume o objetivo de:
"...identificar, classificar, denunciar... os mecanismos pelos quais somos dominados, explorados, enganados, também no campo político. Contudo, esse novo objetivo deve ser perseguido não com o partidarismo, ou seja, criação ou engajamento em partidos e/ou grupos específicos, mas como filósofo(s)...".[3]
A Filosofia da Libertação, também conhecida como Filosofia latino-americana nasce como movimento filosófico na América Latina, inclusive foi o primeiro movimento que problematizou a possibilidade de uma Filosofia Latino-Americana e por isso, há uma discussão se a Filosofia Latino-Americana só o é, se Filosofia da Libertação, Leopoldo Zea escreve: "Filosofia Latino-Americana como Filosofia da Libertação".
Enquanto movimento filosófico, os caracteres decolonial, feminista, antirracista, intercultural, revolucionário...estão impregados no que se entende como Princípio Libertação. que como citado é a libertação de qualquer forma de domínio, exclusão ou opressão possíveis. [4]
História
É possível traçar uma história de Pensamentos de Libertação desde a Invasão Europeia [5].Segue uma breve linha que visa apenas citar pensadoras e pensadores que se inscrevem na história da Filosofia Latino-Americana como Pensamento de Libertação ou que apesar de não se inscreverem como tal, de alguma maneira direta ou indiretamente dialogam com o pensamento de Libertação e/ou são frequentemente citados, citadas, nos textos desta tradição de séculos. A divisão aqui é estritamente pedagógica e tenta nomear não tão cronológicamente uma linha que é complexa, plural.
1. Século XVI: O Grito da Alteridade e a Crise da Consciência Colonial
O pensamento de libertação nasce no exato momento em que o "Eu" europeu tenta anular o "Outro" "americano"[6].
Antón de Montesinos: O marco zero é geralmente é visto em seu sermão de 1511 (Ego vox clamantis in deserto), que questiona a base ontológica da conquista: "Estes não são homens? Não têm almas racionais?".
Frei Bartolomeu de las Casas (1484-1566)Bartolomé de las Casas: Evolui da denúncia para uma defesa jurídica e teológica da alteridade. Sua obra Brevíssima Relação da Destruição das Índias é o primeiro tratado contra a totalidade opressora.
Inca Garcilaso de la Vega: Em Comentarios Reales de los Incas, opera uma "tradução cultural". Como mestiço, ele reivindica a racionalidade do sistema incaico, desafiando a ideia de barbárie.
Anacaona (Resistência Taína): No campo da práxis histórica (essencial para a genealogia feminina), a cacique Anacaona representa a resistência política e cultural contra a imposição espanhola, sendo um símbolo de dignidade e recusa à submissão.
Guaman Poma de Ayala: Em sua Nueva Corónica y Buen Gobierno, ele utiliza o desenho e a escrita para denunciar o "mundo ao avesso" criado pela colonização, propondo uma reforma que respeitasse a autonomia indígena.
2. Século XVII e XVIII: Razão Crítica, Resistência e Hibridismo
Neste período, a libertação transita para a defesa da capacidade intelectual e do direito à história própria[7].
Sor Juana Inés de la Cruz: A "Fênix do México" é pilar fundamental. Sua Respuesta a Sor Filotea de la Cruz é um manifesto de libertação intelectual da mulher. Ela questiona o patriarcado e a estrutura de saber colonial, defendendo o direito ao conhecimento como ato de liberdade.
Aqualtune (Séc. XVII): Princesa do Congo e estrategista política fundamental na gênese do Quilombo dos Palmares.
Dandara dos Palmares (m. 1694): Guerreira estrategista do Quilombo dos Palmares, símbolo da recusa absoluta à escravidão.
Bartolina Sisa (c. 1750–1782): Heroína indígena Aymara que liderou revoltas contra o domínio colonial no Alto Peru.
Gregório de Matos (Brasil): Embora satírico, sua crítica à exploração econômica e à hipocrisia da metrópole em relação à colônia pode ser lida como uma semente de consciência nacional.
3. Século XIX: Emancipação Política e Pedagogia Social
Com as independências, o foco se torna o "desenodamento" das correntes "mentais" que sobreviveram ao fim do estatuto colonial.
Simón Rodríguez: Mentor de Bolívar, ele afirmava: "Ou inventamos, ou erramos". É o precursor de uma educação libertadora, focada na realidade americana e não na cópia europeia.
José Martí: Seu ensaio Nuestra América é o divisor de águas. Martí introduz a ideia de que o "bom governante" é aquele que conhece os elementos do seu próprio país, denunciando o perigo do imperialismo cultural e econômico.
Juana Azurduy (1780–1862): Líder militar nas lutas de independência da região andina.
Juan Bautista Alberdi (1810–1884): Político e pensador argentino, central na reflexão sobre a emancipação mental.
Nísia Floresta (Brasil): Pioneira no feminismo libertador. Em Direitos das Mulheres e Injustiça dos Homens, ela conecta a libertação feminina à educação, tratando a opressão de gênero como uma extensão das injustiças sociais da nação.
Nísia Floresta Brasileira Augusta (1810-1885)
Luísa Mahin (Séc. XIX): Liderança negra na Revolta dos Malês, guardiã da resistência subjetiva e política na diáspora.
Flora Tristan: De origem peruana e francesa, ela vincula a libertação da classe operária à libertação da mulher, antecipando em décadas a união entre a luta social e a de gênero que marcaria a filosofia posterior.
Simón Bolívar (1783-1830): Pan-americanismo. Idealizou a união dos povos latino-americanos como estratégia de soberania contra o imperialismo.
4. Século XX: A Filosofia Brasileira e o Pensamento Social como Pensamento Latino-Americano e de Libertação
Pensadoras e pensadores anteriores, concomitantes, em diálogo ou não, com os pensamentos de libertação, passam a utilizar esta categoria de libertação (e decolonialidade). Diversas autoras e autores pensam a partir de seu próprio lugar, aplicando ou criticando às ideias eurocêntricas, formando o que hoje geralmente é classificado como Pensamento Latino-Americano e de Libertação.
José Carlos Mariátegui: Com os 7 Ensaios de Interpretação da Realidade Peruana, ele "provincializa" o marxismo europeu, afirmando que a revolução na América Latina deve passar pela questão indígena e pela terra.
W.E.B. Du Bois (1868–1963): Sociólogo e historiador, organizador dos primeiros Congressos Pan-Africanos (1919).
Clorinda Matto de Turner: Autora peruana fundamental. Em seu romance Aves sin nido, ela faz uma denúncia visceral da exploração dos indígenas pelo clero e pelo Estado, sendo uma voz de libertação social através da literatura.
Emiliano Zapata (1879–1919): Líder da Revolução Mexicana, símbolo da luta pela terra e liberdade.
José Gaos (1900–1969): Filósofo exilado no México que defendeu o pensar a partir da própria circunstância.
C.L.R. James (1901–1989): Intelectual de Trinidad e Tobago, autor fundamental sobre as lutas negras internacionais.
Raul Prebisch (1901–1986): Economista da CEPAL, formulador da tese sobre a deterioração dos termos de troca.
George Padmore (1903–1959): Ativista pan-africano e organizador do Congresso de Manchester em 1945.
Josué de Castro (1908–1973): Autor brasileiro que denunciou a geopolítica da fome como estrutura colonial.
Kwame Nkrumah (1909–1972): Primeiro líder do Gana independente e figura central do pan-africanismo.
Lélia Gonzalez (Raízes da Amefricanidade): Embora sua obra máxima seja posterior, o pensamento que ela resgata sobre a resistência negra e o feminismo negro no Brasil é vital para entender a libertação como uma luta contra a "colonialidade do poder".
Orlando Fals Borda (1925–2008): Sociólogo colombiano criador da Pesquisa-Ação Participativa.
Milton Santos (1926–2001): Geógrafo brasileiro que analisou a permanência colonial a partir do sistema-mundo.
Alberto Guerreiro Ramos (1915–1982): Sociólogo brasileiro que propôs a "Redução Sociológica" contra o transplante de ideias.
Aníbal Quijano (1930–2018): Formulador do conceito de Colonialidade do Poder e da classificação racial mundial.
Franz Hinkelammert (1931–2023): Referência na Economia da Libertação e na crítica à idolatria do mercado.
Celso Furtado (1920–2004): Economista brasileiro que sistematizou o subdesenvolvimento como estrutura autônoma.
Ruy Mauro Marini (1932–1997): Expoente da Teoria Marxista da Dependência e do conceito de superexploração.
Theotônio dos Santos (1936–2018): Um dos fundadores da Teoria Marxista da Dependência.
Bento Prado Júnior (1937–2007): Filósofo brasileiro citado por Safatle sobre a leitura generosa de autores.
Álvaro Vieira Pinto (1909-1987)Roberto Schwarz (n. 1938): Crítico literário brasileiro que formulou as "ideias fora de lugar".
Vânia Bambirra (1940–2018): Cientista política fundamental na Teoria Marxista da Dependência.
Ignacio Martín-Baró (1942–1989): Psicólogo social da libertação, mártir em El Salvador.
Beatriz Nascimento (1942–1995): Historiadora brasileira que resgatou o quilombo como categoria de libertação.
O ISEB, com ênfase em Álvaro Vieira Pinto (1909-1987), que como expõe o filósofo Breno Augusto da Costa, entende o conceito de Liberdade como Libertação. Vieira Pinto também foi uma das principais referências filosóficas de Paulo Freire, que por sua vez foi uma das matrizes da escola da filosofia da libertação.
5. A Década de 1960: A Formalização do Movimento
Aqui, todos os fios anteriores se enodam para criar a estrutura que conhecemos.
Enrique Dussel (1934-2023)Leopoldo Zea (1912–2004): Defensor da originalidade da filosofia latino-americana e da emancipação mental.
Augusto Salazar Bondy: Com a pergunta "Existe uma filosofia de nossa América?", ele diagnostica que nossa filosofia era inautêntica porque nossa cultura era dependente.
Enrique Dussel: Sistematiza a Ética da Libertação. Ele lê o rosto do oprimido como o "Lugar Teológico" e filosófico. A exterioridade (o Outro) é quem revela a injustiça do Sistema.
Dina Victoria Picotti (1936–2025) foi uma influente filósofa, educadora e escritora argentina, reconhecida como uma das figuras centrais da Filosofia da Libertação e da filosofia intercultural na América Latina.
Hugo Assmann: Destaca-se pela intersecção entre Teologia e Economia. Critica a "idolatria do mercado" e reflete sobre a dimensão ética das necessidades vitais.
Arturo Andrés Roig: Foca na História das Ideias na América Latina e no "a priori antropológico" (o reconhecimento de nós mesmos como sujeitos da nossa própria história). Propõe a "Segunda Independência" (mental e cultural).
Raúl Fornet-Betancourt: Principal expoente da Filosofia Intercultural. Defende o diálogo entre as diversas matrizes culturais (indígenas, africanas, europeias) sem a hegemonia de um centro.
Paulo Freire: Transforma a libertação em método. A educação deixa de ser depósito (bancária) para ser diálogo. A conscientização é o processo de "desatar os nós" da opressão.
Maria Lugones e Rita Segato: Embora consolidem suas obras mais tarde, elas bebem dessa fonte para criar o Feminismo Decolonial, criticando a Filosofia da Libertação quando esta esquece as especificidades da opressão de gênero na periferia.
6. Contemporaneidade
Na atualidade, diversos pensadores e diversas pensadoras têm refletido lançando mão de categorias e conceitos que podem ser remetidos ao paradigma da libertação.
Walter Mignolo (n. 1941): Semiólogo argentino central no grupo Modernidade/Colonialidade
Antonio Joaquim Severino (n. 1941): Filósofo da educação brasileiro defensor de posições decolonizantes.
Ivone Gebara (n. 1944): Teóloga brasileira referência no ecofeminismo de libertação.
María Lugones (1944–2020): Filósofa argentina que articulou a colonialidade de gênero.
Silvia Rivera Cusicanqui (n. 1949): Intelectual boliviana que propõe a modernidade indígena e a sociologia da imagem.
Sueli Carneiro (n. 1950): Filósofa e ativista brasileira, referência no feminismo negro decolonial.
Rita Segato (n. 1951): Antropóloga argentina focada em estruturas de gênero e violência colonial.
Arturo Escobar (n. 1951): Antropólogo colombiano crítico do modelo de desenvolvimento eurocêntrico.
Ramón Grosfoguel (n. 1956): Sociólogo porto-riquenho que analisa a decolonialidade como ressignificação de longo prazo.
Jung Mo Sung (n. 1957): Teólogo e economista da libertação focado na crítica à idolatria do capital.
Santiago Castro-Gómez (n. 1958): Filósofo colombiano que analisa a modernidade como projeto de governamentalidade.
Antônio Bispo dos Santos (1959–2023): Pensador quilombola brasileiro que formulou o pensamento contracolonial.
Euclides Mance (n. 1963): Filósofo brasileiro referência na Economia da Libertação e redes de colaboração.
Julieta Paredes Carvajal (n. 1967): Feminista boliviana criadora do feminismo comunitário.
Nelson Maldonado-Torres (n. 1969): Filósofo porto-riquenho focado na ética e colonialidade do ser.
Catherine Walsh: Intelectual na rede Modernidade/Colonialidade focada em pedagogia decolonial e interculturalidade.
Ofélia Maria Marcondes: Pesquisadora brasileira que trabalha o "Sulear" do pensamento e a educação emancipadora.
Alberto Vivar Flores: Antropólogo que contribui para a Antropologia da Libertação no diálogo Sul-Sul.
Gladys Tzul Tzul: Intelectual Maia-K'iche' focada na resistência territorial e governos comunais.
Lorena Cabnal: Feminista comunitária e decolonial que trabalha com a cura do corpo-território.
Natatcha Romão: Pesquisadora brasileira focada em posições decolonizantes na filosofia da educação.
Antonio Carlos Wolkmer fundamenta um Pluralismo Jurídico e um Direito da Libertação que desafiam a hegemonia estatal moderna.
Jessé Souza: Sociologia do Atraso. Denuncia o mito da herança ibérica e revela que a escravidão é a verdadeira base da desigualdade e da elite brasileira.
Sírio López Velasco: Caracteriza-se pela proposta de uma Ética Argumentativa da Libertação aplicada à Educação Ambiental e à justiça social.
Domenico Jervolino: Traz a contribuição da Hermenêutica (especialmente Paul Ricoeur), discutindo tradução, alteridade e o "estrangeiro" como hóspede.
Yamandú Acosta: Reflete sobre o pensamento uruguaio e latino-americano, focando na construção da identidade e na democracia como projeto de libertação.
Mary Christine Morkovsky: Traz perspetivas feministas para a filosofia da ciência e da libertação, focando no quadro dos oprimidos.
Celso Luiz Ludwig: Atua na interface entre Direito e Filosofia da Libertação, buscando uma teoria crítica jurídica que responda às necessidades dos marginalizados.
Jesus Eurico Miranda: Foca na comparação entre o pensamento de Dussel, Salazar Bondy e Leopoldo Zea.
Mauricio Langón: Filósofo uruguaio focado na prática do filosofar e na educação como ato libertador.
José Luiz Ames: Especialista na ética dusseliana, focando nos conceitos de liberdade e projeto de libertação.
Castor Mari Martín Bartolomé Ruiz: Reflete sobre as sociedades de controlo, biopolítica e o governo dos desejos.
Sonia Maria Zanetti Fabris: Trabalha a educação e a infância sob uma ótica crítica e libertadora.
Alécio Donizete (Silva): Poeta e pesquisador. Caracteriza-se pela intersecção entre poesia e resistência política, focando na "saga negra" e na denúncia da escravidão subjetiva e material.
Adilbenia dos Santos Freire: Educadora decolonial e investigadora da Ancestralidade que articula a filosofia da africanidade e a ética da alteridade para combater o epistemicídio no currículo brasileiro, resgatando a agência das mulheres negras e os saberes afrodiaspóricos como fundamentos de uma pedagogia da libertação.
Alfredo Gomez-Muller: Filósofo cubano radicado na França. Suas pesquisas focam na crítica ao "Grand Récit" pós-moderno e no desencanto com o ideal de emancipação moderno.
Anita Helena Schlesener: Especialista na obra de Antonio Gramsci. Pesquisa o papel dos intelectuais, a formação da hegemonia e a relação entre ética, educação e política no Brasil.
Antonio Sidekum: Filósofo brasileiro. Atua no diálogo internacional da filosofia da libertação, focando em ética e alteridade, com forte ligação com centros de pesquisa na Alemanha.
Breno Augusto da Costa é um filósofo da libertação e pesquisador da soberania nacional que articula a ontologia de Álvaro Vieira Pinto ao rigor dusseliano para fundamentar uma Filosofia do Desenvolvimento autêntica, capaz de superar a dependência epistemológica e impulsionar o projeto de libertação da realidade brasileira.
Douglas Kellner: Teórico norte-americano. Analisa as tensões entre a Teoria Crítica (Escola de Frankfurt), o pós-estruturalismo e a Filosofia da Libertação.
Eli Dal’Pupo: Pesquisador da educação. Realiza o confronto teórico entre as concepções pedagógicas de Paulo Freire e Enrique Dussel.
Eduardo Oliveira (UFBA) constrói uma Filosofia da Ancestralidade e da Africanidade que ancora o pensamento no território.
Enrique Puchet: Filósofo uruguaio. Sua característica é a crítica rigorosa à arquitetônica dusseliana, especialmente nas "Apostilas" à Ética Comunitária.
Daniel Pansarelli Filósofo brasileiro. Pesquisa a autonomia e a ética decolonial, estabelecendo diálogos entre Paul Ricoeur, Paulo Freire e Enrique Dussel.
Geraldo Balduino Horn: Foca no Ensino de Filosofia nas escolas públicas, defendendo a filosofia como ferramenta indispensável para a cidadania e formação integral.
Gilberto Pérez Villacampa: Filósofo cubano. Caracteriza-se pelo estudo exegético da evolução do pensamento de Dussel a partir de seus "diários íntimos" e modificações textuais.
Giselle Moura Schnorr: Atualidade de Paulo Freire. Reflete sobre a Pedagogia do Oprimido, a libertação do sujeito e os modos de subjetivação.
Gilberto Pérez Villacampa: Filósofo cubano. Caracteriza-se pelo estudo exegético da evolução do pensamento de Dussel a partir de seus "diários íntimos" e modificações textuais.
Giulio Girardi: Filósofo italiano. Defende a "Refundação da Esquerda Revolucionária" e uma filosofia popular de libertação que reconheça o povo oprimido como sujeito intelectual.
Guillermo Kerber: Pesquisador uruguaio. Foca na Ética e Ecologia, analisando o desafio ambiental a partir da perspectiva latino-americana.
Hans Schelkshorn: Filósofo austríaco. Realiza o debate crítico entre a Ética do Discurso (Apel/Habermas) e a Ética da Libertação Latino-Americana.
Helmut Thielen: Teórico alemão. Caracteriza-se pela proposta de uma "Teoria Crítica da Práxis Utópica" ancorada na fé cristã e na subversão profana do mercado.
Hugo Allan Matos: Filósofo da libertação que pensa a categoria Enosamento, fundindo o rigor académico à práxis insurgente, resgatando a ancestralidade de pensadoras silenciadas para confrontar o epistemicídio.
James L. Marsh: Filósofo norte-americano. Pesquisa a relação entre comunicação, pragmática e processos de libertação.
José Maria Aguirre Oraa: Filósofo espanhol. Foca na fundamentação ética da libertação e no diálogo com o marxismo e a ética europeia.
Juan Manuel Aragués: Pesquisador da Ética da Libertação. Caracteriza-se pela análise sistemática dos princípios éticos universais de Dussel.
Kwame Gyekye: Filósofo africano (Gana). Sua pesquisa foca no status do indivíduo no pensamento social africano e nas tensões entre tradição e modernidade.
Magali Menezes: Filósofa da educação e investigadora das Africanidades que reconfigura o pensamento pedagógico a partir do conceito de "Sulear" e das matrizes afrodiaspóricas, consolidando uma ética da interculturalidade crítica como ferramenta de libertação e justiça epistémica.
Michael D. Barber: Filósofo norte-americano. Busca "pontes" metodológicas entre a Filosofia da Libertação e a Pragmática Transcendental.
Neuza Vaz e Silva: Filósofa da cultura e da interculturalidade que no seio da ASAFTI (Associação Sul Americana de Filosofia e Teologia Interculturais[8]), articula a ética da hospitalidade e o diálogo intercultural como dimensões fundamentais para a renovação e a abertura do pensamento de libertação latino-americano.
Neuza Vendramin Volpe: Pesquisadora da educação. Caracteriza-se pelo uso da filosofia de Emmanuel Levinas para pensar o "Outro na Educação" contra a tirania da totalidade.
Olírio Plínio Colombo: Teólogo brasileiro. Foca nas notas introdutórias à Teologia da Libertação e na articulação entre fé e justiça social.
Pablo Guadarrama Gonzáles: Filósofo cubano. Investiga as razões e finalidades do filosofar na América Latina em contraposição à cultura hegemônica.
Paul Ricoeur: Filósofo francês. Embora europeu, aparece nas revistas discutindo a refiguração do tempo, o intercâmbio entre tradição e utopia e a hospitalidade linguística no diálogo com o Sul.
Pedro Enrique García Ruiz: Pesquisador mexicano. Foca na gênese da Ética da Libertação (1969-1973) e na recepção dessas ideias no México.
Pierre Sané: Diretor da UNESCO. Caracteriza-se pela defesa política de que abolir a pobreza não é uma utopia, mas uma exigência de direitos humanos.
Rosa Licata: Reconocimiento de Paulo Freire como Pensador Latinoamericano.
Ricardo D. Gómez: Filósofo radicado nos EUA. Critica o cientificismo e a razão tecnológica moderna como bloqueios ao pensamento latino-americano.
Ricardo Salas Astrain: Filósofo chileno. Pesquisa a poesia popular e a religião como formas de pensamento periférico.
Ricardo Timm de Souza: Filósofo brasileiro. Caracteriza-se pela análise ética do confronto entre "Totalidades" (Leste Europeu vs. Pax Americana) a partir de Levinas.
Roberto Fragomeno: Filósofo argentino. Investiga a relação intrínseca entre religião e processos de libertação política.
Roque Zimmermann: Filósofo brasileiro. Reflete sobre o "Não-Ser" da América Latina e a identidade entre filosofia latino-americana e filosofia da libertação.
Selma Batista: O "Socialismo Mágico" Peruano: José María Arguedas e Rodrigo Montoya.
Suze de Oliveira Piza Filósofa brasileira que aprofunda a ética dusseliana e a filosofia brasileira para além dos manuais europeus.
A Filosofia da Libertação como Movimento Filosófico
O Movimento se mostra, notadamente entre os anos 1960 e 1970 (há controvérsias sobre a data), nasce como correlato filosófico da Teologia da Libertação, Pedagogia do Oprimido, Psicologia da Libertação, Sociologia da Libertação, Direito da Libertação (Direito Alternativo), Antropologia da Libertação, Economia da Libertação...
Tem como um de seus momentos marcantes a publicação em 1968 da obra Existe uma filosofia da nossa América, pelo peruano Augusto Salazar-Bondy. Em seu texto (não traduzido para o português), o autor faz um apanhado histórico e defende uma tese que afirma a inexistência de uma filosofia propriamente latino-americana. Em resposta, o mexicano Leopoldo Zea publica, em 1969, A filosofia americana como filosofia sem mais (traduzido em português como A filosofia latino-americana como filosofia pura e simplesmente), defendendo a existência de uma filosofia latino-americana na medida em que os latino-americanos propõem soluções universais para problemas continentalmente localizados. Interlocutor de Salazar-Bondy e de seus contemporâneos, participou deste diálogo o filósofo brasileiro João Cruz Costa.
No Brasil, conta com ao menos 5 gerações de produção filosófica: 1. Período de Problematização, Nascimento e Fundamentação (1960-1970). 2. Momento de desenvolvimento e Crítica (1970-1989). 3. Atualização e desenvolvimento(1989-2000). 4. Interlocução e ampliação das reflexões filosóficas em diálogo com outras áreas (2000-2013).5. Maturidade -Necessidade de resgate histórico, criação de instituições que garantam construção e divulgação das redes de pesquisas e valorização das produções acadêmicas da Filosofia da Libertação (2013-atual). Dentre os principais autores da Filosofia da Libertação no Brasil, encontram-se Euclides Mance, Antonio Rufino Vieira, Cecilia Pires, Daniel Pansarelli, Eduardo Oliveira - este último trabalhando o tema desde a Filosofia da Ancestralidade. Outros filósofos e filósofas, ainda, trabalham movimentos correlatos, dentre os quais o principal é a Filosofia Intercultural, originalmente criada por Raúl Fornet-Betancourt. No Brasil, esse movimento é desenvolvido especialmente por Magali Mendes de Menezes, Anônio Sidekum e Neusa Vaz. Desde 2018, a Associação Nacional de Pós-Graduação em Filosofia, possui um Grupo de Trabalho específico sobre Filosofia da Libertação, Latino-Americana e Africana.[9]
O autor mais destacado desta corrente filosófica é indubitavelmente Enrique Dussel, filósofo argentino naturalizado mexicano e autor de uma vasta obra que partiu, nos anos 1960, começando com a antropologia filosófica, e contribuindo com reflexões em diversos campos do conhecimento, notadamente: Teologia da Libertação, História da Filosofia, Ética, Pedagógica, Erótica, Estética, Ética e Política.