João Jacó Matias Schindler

João Jacó Matias Schindler
Pseudônimo(s)Barão de Schindler, Filósofo do Cais
Nascimento
Morte
Residênciaruas do centro do Rio de Janeiro
NacionalidadeBaviera
Etniaalemã

João Jacó Matias Schindler (Baviera, agosto de 1796Rio de Janeiro, 26 de maio de 1855) foi um soldado alemão que posteriormente se tornou um mendigo no Rio de Janeiro.

Ficou conhecido na cidade como Filósofo do Cais, devido a seus hábitos excêntricos que incluíam reproduzir diálogos, meditar profundamente de olhos abertos, andar descalço e escrever em cadernos. Costumava vagar pelo porto e pelo Largo do Paço, abrigando-se no Arco do Teles.[1] Era tido com carinho pela população, tendo sido considerado pelo cronista Mello Moraes Filho como um importante personagem do folclore urbano da cidade, os chamados "tipos de rua".[2]

História

Pouco se sabe a respeito de sua vida. Quase todos os detalhes registrados têm origem em uma biografia ficcionalizada que foi publicada por um autor anônimo, décadas após a sua morte.[3] Muitos dos detalhes do romance, inclusive os fantásticos, foram publicados como verídicos por variados veículos de mídia, o que contribuiu para a propagação do personagem no legendário popular.[4]

Segundo a tradição, Schindler foi filho único de Barão Anselmo Schindler, membro da antiga nobreza alemã. Alistou-se no exército aos 17 anos, tendo lutado contra os exércitos de Napoleão na Batalha de Leipzig. Após a batalha, foi transportado com graves ferimentos para o castelo do Conde Mockwitz-Katzinellubogen, onde seria cuidado. Durante sua estadia no castelo, apaixonou-se por Condessa Ermelinda, filha do Conde; no entanto, ao pedir-lhe a mão, foi recusado pelo Conde pois ela já estaria prometida a um príncipe russo.[3]

Schindler voltou ao exército, lutou em Waterloo sob o marechal Blücher e, por sua bravura, alcançou a patente de capitão. Com o fim da guerra, licenciou-se para retornar à Saxônia e pedir a condessa em casamento novamente, mas descobriu que ela havia viajado à Dresden, para seu casamento com o príncipe russo. Schindler apressou-se com o objetivo de interromper a cerimônia, mas ao chegar, o casamento já havia se concluído. Profundamente melancólico, foi internado no hospício dos alienados, onde permaneceu durante 1 ano. Ao sair, descobre que seus pais haviam morrido, e que ele portanto havia herdado o título de Barão.[3]

Em 1820, Schindler partiu para o Mediterrâneo, onde lutou ao lado de Markos Botsaris na guerra de independência da Grécia. Botsaris morreu em seus braços na batalha de Missolonghi, e o fez prometer que levaria sua filha Penélope em segurança ao Capitão Kolokotronis. Cumprida a promessa, Schindler retorna para a Alemanha e se alista para fazer parte do Corpo de Estrangeiros de Dom Pedro I.[3]

Em 1824, Schindler chega ao Brasil e é enviado ao Rio Grande do Sul junto a outros mercenários alemães. Por conta das intrigas de seus colegas, acaba abandonando a tropa e é acolhido por um chefe indígena francês chamado Preux, que lhe promete a mão de sua filha Alice. Schindler se recusa a casar com Alice, afirmando ainda amar Ermelinda, e Alice recorre a um filtro amoroso que leva Schindler a confundí-la com Ermelinda. Transtornado, Schindler foge para o interior e embrenha-se num cafezal, onde recebe duas cartas: a primeira de Ermelinda, contando-lhe que o príncipe russo havia falecido e pedindo que Schindler retorne à Alemanha para casar-se com ela; e a segunda com notícias da morte de Ermelinda, que havia deixado para ele toda sua fortuna. Ao ler as cartas, Schindler desespera-se e retorna ao Rio de Janeiro, onde passa a perambular pelas ruas.[3]

Em 1855, aos 58 anos de idade, contraiu febre tifóide. Foi internado na Santa Casa de Misericórdia, onde faleceu oito dias depois.[5]

Referências

  1. Colchete Filho, Antonio Ferreira (26 de novembro de 2007). Praça XV - O Projeto do Espaço Público. [S.l.]: 7 Letras. p. 45 
  2. Morais Filho, Melo (2002). «Festas e tradições populares do Brasil». Conselho Editorial do Senado Federal: 347-350. Consultado em 27 de setembro de 2025 
  3. a b c d e L. M. J. A. O Barão de Schindler, ou O filósofo do cais ressuscitado. Fiel narração da vida; aventuras maravilhosas deste personagem singular extraídas dos seus papéis póstumos. Porto Alegre: A. B. Streccius 
  4. Lenzi, Maria Isabel Ribeiro. «"Tipos de rua" do Rio de Janeiro do século XIX». BNDigital. Consultado em 27 de setembro de 2025 
  5. Lima, Hermeto; Filho, Mello Barreto (1942). História da Polícia do Rio de Janeiro (PDF). [S.l.]: A Noite. p. 195