Festa do Gambá

Festa do Gambá
Características
Classificação festa
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Data/Ano 1723
Localidade/Origem Brasil Aveiro
Especificações ténicas
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Festa do Gambá ou Festival Folclórico do Gambá (ou também conhecido como Festa de São Benedito), é um festejo popular religioso-popular iniciado em 1723, celebrado de 28 a 30 de junho, em homenagem a São Benedito, na vila de Pinhel no município brasileiro de Aveiro, no estado do Pará.[1][2]

A festa combina devoção a São Benedito com práticas festivas (músicas e danças ritualizadas) e é marcada pelo uso do instrumento chamado gambá (um tambor oco) que dá nome à manifestação. A festividade apresenta importante referência de identidade local e continuação de trânsitos culturais afro-indígenas e mestiços na Amazônia.[3]

História e Origem

Fontes locais e pesquisas etnográficas apontam o surgimento da festa no período colonial, através de documentos de memória comunitária e registros orais que situam a origem em meados do século XVIII, quando se instituíram as celebrações em louvor a São Benedito no povoado de Pinhel. A festa sobreviveu por meio da memória e transmissão intergeracional, alterando elementos formais ao longo dos séculos, mas preservando a centralidade do ritmo e do ritual do gambá. Estudos recentes que trabalham com narrativas orais documentam as trajetórias históricas contadas por moradores e membros da irmandade de São Benedito.[3][4]

Instrumento, Etimologia e Música

O termo Gambá faz referência e significa tanto a dança quanto o ritmo.[2] Tem origem na construção de dois instrumentos de percussão feitos de tronco oco, com uma das bocas fechada por um couro de animal esticado.[1] Devido o odor desagradável do couro nomeou-se o instrumento de gambá.

Musicalmente, o gambá acompanha cantos devotos, com versos que invocam São Benedito e exprimem temas de paz, caridade e memória comunitária. O gambá é tido como o instrumento que rege a pulsação rítmica da festa.[3][5]

Personagens e Rituais

A festa articula personagens simbólicos, como a Rainha, o Recongo, juízes/mordomos do santo, e práticas rituais, como cortejos, danças, oferta de alimentos, distribuição de bens e troca de dons, conjunto que constitui o núcleo relacional entre irmandade, comunidade e devotos. Pesquisas etnográficas destacam a importância das trocas materiais e simbólicas (como comida, cantos, objetos) como mecanismo de circulação de dons e reafirmação das redes sociais locais durante a festividade.[5][6]

Significado cultural, Memória e Preservação

A Festa do Gambá é tida como um símbolo de resistência e persistência de práticas culturais afro-amazônicas e mestiças, com forte componente identitário para Pinhel. Por meio de estudos orais e visuais, pesquisadores discutem como a festa funciona como espaço de memória e de reafirmação de pertencimento, ao mesmo tempo em que se insere em dinâmicas contemporâneas (ex. fluxos turísticos regionais, políticas culturais e processos de patrimonialização). Há também trabalhos recentes que analisam o gambá como ritmo e repertório, conectando a prática local a outras celebrações de rua na Amazônia.[6][7]

Organização da Festa

A Festa do Gambá costuma ocorrer durante três dias em junho (normalmente em torno do dia de São Benedito) e é organizada por grupos locais, incluindo a irmandade do santo e famílias responsáveis pelas patronagens (mordomia). A dimensão coletiva da organização (ramadas, barracões, mastro, preparação dos tambores e rituais de abertura/encerramento) tem sido registrada tanto em relatos de moradores quanto em levantamentos institucionais de turismo cultural.[1][4]

Referências

  1. a b c «Festival Folclórico do Gambá – Festa de São Benedito». Secretaria de Estado de Turismo - Governo do Pará. Consultado em 9 de agosto de 2018 
  2. a b «Gambá de Aveiro». FGC Produções. Consultado em 9 de agosto de 2018 
  3. a b c Lima, Paula Maryse Hoyos (2023). «Senta que lá vem história: o Gambá de Pinhel construindo narrativas de cidadania». Repositório UFPA. Consultado em 19 de novembro de 2025 
  4. a b Lima, Paula Maryse Hoyos; Amorim, Célia Regina Trindade Chagas (2024). «Narrativas orais sobre a Festa do Gambá: fé e cidadania na comunidade de Pinhel, Pará, Brasil». Puçá - Revista de Comunicação e Cultura na Amazônia. Consultado em 19 de novembro de 2025 
  5. a b de Figueiredo, Vanessa Lima Brasil; de Carvalho, Luciana Gonçalves (12 de julho de 2019). «O gambá e as trocas rituais na Festa de São». Asas da Palavra. Consultado em 19 de novembro de 2025 
  6. a b de Figueiredo, Vanessa Lima Brasil; de Carvalho, Luciana Gonçalves (21 de dezembro de 2019). «Comida, canto e dança: a circulação de dons na festa do gambá para São Benedito». Iluminuras. Consultado em 19 de novembro de 2025 
  7. do Nascimento, Arthur Figueira; Holanda, Yomarley Lopes (17 de setembro de 2025). «O ritmo do gambá amazônico: presença negra e resistência cultural». Contra Corrente. Consultado em 19 de novembro de 2025 

Ligações externas