Festa da Lapinha - Reis

Festa de Reis
Observado porSoteropolitano
TipoCatólica
SignificadoCelebração da visita dos três Reis Magos ao Menino Jesus em aeu nascimento.
Data5 e 6 de janeiro
FrequênciaAnual

A Festa de Reis é uma manifestação religiosa católica e cultural, tradicional na cidade de Salvador, no estado brasileiro da Bahia. Ocorre anualmente nos dias 5 e 6 de janeiro, no bairro da Lapinha, em celebração à visita dos três Reis Magos ao Menino Jesus no dia de seu nascimento.[1]

A festividade é organizada pela Igreja de Nossa Senhora da Conceição da Lapinha desde 1993.[2]

História

A Festa dos Reis tem sua origem na Europa. Veio para o Brasil no período da colonização portuguesa. O cortejo dos Ternos de Reis acontece no bairro da Lapinha desde 1975. O atual formato da festividade teve seu início no ano de 1993, através do padre José de Souza Pinto, que integrou a solenidade da igreja com o desfile dos ternos. Padre Pinto criou o Terno Anunciação, que abre o cortejo do evento.[2][3][4]

Polêmica da Festa de Reis da Lapinha em 2006

A Polêmica da Festa de Reis da Lapinha em 2006 refere-se à controvérsia gerada pela participação do Pe. José de Souza Pinto na tradicional celebração da Festa de Reis da Lapinha, em Salvador. O evento ganhou destaque nacional após a exibição de uma reportagem no Jornal da Globo, em 5 de janeiro de 2006, que mostrava o padre Pinto vestido de Oxum, uma orixá da religião Candomblé, durante a festividade.

A atitude do padre, que já era conhecido por suas performances inovadoras na festa desde o início da década de 1990, causou grande repercussão e dividiu opiniões na comunidade católica. A Arquidiocese de Salvador, liderada pelo cardeal arcebispo primaz do Brasil, Dom Geraldo Majella Agnelo, emitiu uma nota pública no dia seguinte ao evento, expressando sua perplexidade e desaprovação em relação à conduta do padre. A nota divulgada em 6 de janeiro de 2006, continha o seguinte trecho:

"As apresentações do Padre José de Souza Pinto, religioso da Sociedade das Divinas Vocações, se colocaram fora da normalidade e, por isso, causaram perplexidade entre as autoridades presentes, os fiéis e os demais participantes dos festejos. Ademais, os comportamentos manifestados naquela ocasião estão a merecer cuidados terapêuticos, cujas providências estão sendo tomadas por parte dos superiores da sua Congregação e da Arquidiocese."

— Nota da Arquidiocese de Salvador sobre apresentação do Pe. Pinto, Nota da Arquidiocese de Salvador

[5]

Após a polêmica, o padre José de Souza Pinto foi afastado da paróquia e de suas atividades sacerdotais pela Arquidiocese de Salvador. A medida gerou debates e manifestações de apoio ao padre, que alegava ter realizado suas performances com o consentimento da comunidade e do cardiologista. [6]

A polêmica da Festa de Reis da Lapinha em 2006 levantou discussões sobre a relação entre religião, cultura popular e liberdade de expressão. A atitude do padre Pinto foi interpretada por alguns como uma forma de valorização da cultura afro-brasileira e de diálogo inter-religioso, enquanto outros a consideraram uma afronta à tradição católica.

Apesar da controvérsia, a Festa de Reis da Lapinha continuou a ser celebrada anualmente, mantendo suas características tradicionais. O evento permanece como um importante patrimônio cultural da cidade de Salvador. [7]

Festividades

5 de janeiro

Às dezoito horas, é realizado a Missa Solene na Igreja de Nossa Senhora da Conceição da Lapinha. Após a missa, o padre abençoa as barracas e há a queima das palhas do presépio. Logo em seguida, inicia-se o cortejo dos Ternos de Reis com seus estandartes. O cortejo começa no Largo da Lapinha, vai até a praça da Soledade e retorna para o Largo. O primeiro cortejo é realizado pelo Terno Anunciação. Após o primeiro cortejo, outros Ternos de Reis se apresentam em um palco montado no Largo, sempre acompanhados de música, e após a apresentação, saem em cortejo, enquanto outro Terno de Reis se apresenta no palco,[4][8]

6 de janeiro

Às seis horas da manhã, há a alvorada festiva e às dezoito horas, é realizado uma missa na Igreja de Nossa Senhora da Conceição e após a missa, há o cortejo com todos os Ternos de Reis.[4][9]

Referências

  1. «SecultBA apoia tradicional desfile dos Ternos de Reis na Lapinha». SecultBA - Secretaria de Cultura - Governo do Estado da Bahia. 3 de janeiro de 2020 
  2. a b Leite, Bruno. «Festa de Reis da Lapinha completa 27 anos; festejo terá almoço e apresentação de ternos». www.bahianoticias.com.br. Consultado em 15 de agosto de 2021 
  3. Ramos, Cleidiana (6 de janeiro de 2014). «Ternos de reis lutam para manter tradição». Portal A TARDE. Consultado em 16 de agosto de 2021 
  4. a b c Cruz, Mirella Rodrigues da; Souza, Catiane Rocha Passos de e Pinto, Pablo Henrique da Silva. (2021). A Lapinha dos Reis: Memória, diversidade e resistência. XVII Encontro de Estudos Multidisciplinares em Cultura (Enecult).
  5. Metro 1 https://www.metro1.com.br/noticias/cultura/144926,ha-18-anos-padre-pinto-incendiava-festa-de-reis-vestido-de-oxum. Consultado em 7 de março de 2025  Em falta ou vazio |título= (ajuda)
  6. https://www.gazetadopovo.com.br/vida-publica/padre-pinto-deixa-paroquia-e-diz-que-foi-abandonado-pela-igreja-9z1vfwcjlijunsn1p0synl07i//
  7. https://g1.globo.com/ba/bahia/noticia/2019/04/04/morre-padre-pinto-em-salvador.ghtml
  8. «Missas, tríduo e desfile marcam a Festa de Reis na igreja da Lapinha». Jornal Correio. Consultado em 15 de agosto de 2021 
  9. Machado, Márcio Walter (2 de janeiro de 2020). «Devotos iniciam tríduo da Festa de Reis na Lapinha». Portal A TARDE