Fernando de Holanda Barbosa

Fernando de Holanda Barbosa
Nascimento
10 de julho de 1945 (80 anos)

Nacionalidade Brasil
OcupaçãoEconomista, pesquisador e professor universitário
PrêmiosPrêmio Horalambos Simeonidis

Fernando de Holanda Barbosa é um economista brasileiro. É professor emérito da Escola Brasileira de Economia e Finanças (EPGE) da Fundação Getúlio Vargas (FGV)[1][2] e professor aposentado do Departamento de Engenharia de Produção da Universidade Federal Fluminense (UFF).[3] Reconhecido por sua contribuição à análise da inflação, à teoria monetária e à macroeconomia, é autor de diversos artigos e livros sobre esses temas.

Durante o governo Itamar Franco, Fernando de Holanda Barbosa ocupou o cargo de Secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, tendo participado de debates e da formulação de políticas estabilização que preconizavam a mudança simultânea dos regimes fiscal e monetário, diferente do que aconteceu com o Plano Real, que mudou o regime monetário em 1994 e o regime fiscal em 1998.[3][4][5][6] Essa mudança simultânea teria a vantagem de abreviar o período do plano de estabilização.

Pesquisa

As pesquisas de Barbosa concentram-se na interação entre políticas fiscal e monetária, inflação e crises fiscais, e história econômica brasileira. Em seus trabalhos, apresentou contribuições teóricas e empíricas para a compreensão da inflação crônica, da hiperinflação e do crescimento econômico do Brasil.

O livro Exploring the Mechanics of Chronic Inflation and Hyperinflation (Springer, 2017) reúne trabalhos sobre a dinâmica da inflação crônica e da hiperinflação e apresenta uma teoria para explicá-las, e mostra que as raízes desses dois fenômenos são um regime monetário fiscal no qual as emissões monetárias financiam o déficit público.[7]

O livro O Flagelo da Economia de Privilégios: Brasil, 1947–2020 — Crescimento, Crise Fiscal e Estagnação, com apresentação na contracapa do ex-presidente do Banco Central, Afonso Celso Pastore, e o ex-ministro da Fazenda, Antonio Delfim Netto, publicado pela Editora FGV em 2021, analisa as consequências dos privilégios econômicos no país.[2][4][5]

A hipótese central deste livro é de que a cultura brasileira gera privilégios e cria instituições que produzem crises fiscais e estagnação, um fenômeno recorrente no Brasil, ilustrado pelos eventos que aconteceram de meados do século passado até a segunda década do século atual. O autor sugere mudanças nas regras do jogo que impeçam a extração de renda da sociedade por intermédio do Estado.[2][4][5]

Trajetória profissional

Barbosa graduou-se em Engenharia Elétrica pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, em 1967, e em Economia pela Faculdade de Ciências Políticas e Econômicas Cândido Mendes em 1968. Foi aluno de mestrado em Economia pela Fundação Getúlio Vargas (1969-1970) e Mestre e Ph.D. na mesma área pela Universidade de Chicago (1975), na qual se especializou em econometria.[2][3][4][8]

No ano acadêmico 1975/1976 foi pesquisador associado no Center for Operations Research and Econometrics (CORE) da Universidade Católica de Louvain, na Bélgica, realizando atividades de pós-doutorado em econometria Bayesiana.[2][4]

De volta ao Brasil, foi pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada IPEA de 1976 a 1980, quando passou a integrar o corpo docente da Escola Brasileira de Economia e Finanças (EPGE) (FGV). Foi diretor de Pesquisas da instituição entre 1983 e 1993 e, posteriormente, editor da Revista Brasileira de Econometria entre 1986 e 1988. Participou dos conselhos editoriais de diversas revistas científicas, incluindo Pesquisa e Planejamento Econômico, Revista Brasileira de Economia, Revista de Economia Contemporânea, Análise Econômica,[9] Econômica[10] e Economia Aplicada.[11] Foi também professor titular do Departamento de Engenharia de Produção da Universidade Federal Fluminense, de 1977 a 2008. Orientou dissertações e teses em temas como política monetária, inflação, crescimento e finanças públicas.[8]

Livros-texto

Entre as obras publicadas por Barbosa, também estão também vários livros-texto, entre os quais se destacam:

  • BARBOSA, Fernando de Holanda. Microeconomia: teoria, modelos econométricos e aplicações à economia brasileira. Rio de Janeiro, IPEA/INPES, 1985. (Série PNPE, 10). https://books.google.com.br/books?id=OJRT0QEACAAJ
  • BARBOSA, Fernando de Holanda. Macroeconomia. Rio de Janeiro, FGV Editora, 2017. ISBN: 9788522519842.
  • BARBOSA, Fernando de Holanda. Macroeconomic Theory - Fluctuations, Inflation and Growth in Closed and Open Economies. Springer, 2018. Segunda Edição 2024. ISBN-10: ‎3030063704 (em inglês) - ISBN-13: 978-3030063702. https://link.springer.combook/10.1007/978-3-319-92132-7
  • BARBOSA, Fernando de Holanda e LIMA JUNIOR, Luiz Antônio de. Workbook for Macroeconomic Theory, Fluctuations, Inflation and Growth in Closed and Open Economies. Springer, 2020. ISBN: 978-3-030-61547-5. Segunda Edição 2025.

Bibliografia selecionada

Prêmios e reconhecimentos

Em 1985, Barbosa recebeu o Prêmio Haralambos Simeonidis, concedido pela Associação Nacional dos Centros de Pós-Graduação em Economia (ANPEC). Em 2011, foi homenageado com a Láurea de Ensino e Pesquisa no Prêmio Economista do Ano da Ordem dos Economistas do Brasil.[12]

Em agosto de 2025 o Conselho Diretor da Fundação Getulio Vargas lhe concedeu o título de Professor Emérito da Escola Brasileira de Economia e Finanças (FGV/EPGE) em reconhecimento a sua excelência acadêmica e científica.

Homenagens

Em agosto de 2012, a FGV/EPGE realizou o seminário “Inflação e Crescimento” em homenagem aos 70 anos de Fernando de Holanda Barbosa. O evento contou com a participação de economistas como Luiz Carlos Bresser-Pereira, Yoshiaki Nakano, Affonso Celso Pastore, Pedro Valls, Samuel Pessôa e José Júlio Senna.[13]

Referências

  1. Fernando de Holanda Barbosa: “É preciso ter foco na eficiência da prestação dos serviços públicos”. Revista Exame, 15 de julho de 2013. Acesso em 2 de novembro de 2025.
  2. a b c d e ‘Economia de privilégios’ gera crise nas contas públicas, aponta livro. Folha de Londrina, 11 de fevereiro de 2022. Acesso em 2 de novembro de 2025.
  3. a b c O Estado que dá certo. Jornal do Brasil, 4 de novembro de 2018. Acesso em 2 de novembro de 2025.
  4. a b c d e Economista Fernando de Holanda Barbosa lança ‘O flagelo da economia de privilégios. Jornal Grande Bahia, 20 de março de 2022.
  5. a b c Estado brasileiro está quebrado porque concede muitos privilégios, diz economista. Jornal Gazeta do Povo, 4 de abril de 2022.
  6. Três questões-chave para entender por que o Brasil está no vermelho. BBC Brasil, 14 de setembro de 2015.
  7. BARBOSA, Fernando de Holanda. 2017. Exploring the Mechanics of Chronic Inflation and Hyperinflation, SpringerBriefs in Economics, Springer, number 978-3-319-44512-0, June.
  8. a b Conheça os economistas. Jornal Folha de S. Paulo, 15 de agosto de 1999.
  9. Fernando de Holanda Barbosa. Conselho Editorial – Revista Análise Econômica.
  10. Fernando de Holanda Barbosa. Conselho Editorial – Revista Econômica.
  11. Fernando de Holanda Barbosa. Conselho Editorial – Revista Economia Aplicada.
  12. Homenagem a Fernando Holanda Barbosa - encerramento - parte 5/5.
  13. Homenagem ao professor da FGV Fernando de Holanda Barbosa – Homepage do Ministério da Fazenda. Acesso em 12 de novembro de 2025.