Fernando Limongi

Fernando Limongi
Limongi em um evento organizado pelo IEA/USP sobre a erosão democrática na América Latina
Nome completoFernando de Magalhães Papaterra Limongi
Nacionalidadebrasileiro
Alma materUSP, Universidade de Chicago
Ocupaçãocientista político
PrémiosPrêmio Woodrow Wilson (2001)
Empregador(a)USP
Magnum opusDemocracy and Development; Political Institutions and Well-Being in the World, 1950-1990 (em coautoria)
Principais interessesPolítica comparada
Carreira científica
Orientador(es)(as)Adam Przeworski

Fernando de Magalhães Papaterra Limongi é um cientista político brasileiro, professor titular aposentado do departamento de Ciência política da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (USP).

Biografia

Juventude

Limongi nasceu em uma família de servidores públicos de São Paulo, sendo o quinto de seis irmãos. Seu pai era promotor, e foi alçado à posição de desembargador através do quinto constitucional. Sua mãe era do lar.[1]

Fez seu ginásio no Colégio Santa Cruz e decidiu cursar ciências sociais na USP, por interesse em política — ainda que não fosse um grande frequentador do movimento estudantil. Iniciou a graduação em 1978 e logo começou a dar aulas de sociologia em uma escola primária particular. Foi muito influenciado pelas aulas de teoria política com Juarez Brandão Lopes, Leôncio Martins Rodrigues e Carlos Estevam Martins. Durante a graduação, interessou-se logo pela aplicação prática da ciência política, em contraposição à abordagem excessivamente teórica de viés marxista que predominava na USP.[1]

Até então, ainda não havia decidido seguir uma carreira acadêmica. Mas, no fim dos seus estudos, foi demitido da escola em que dava aulas e, logo ao se formar, tornou-se desempregado. A experiência do desemprego lhe marcou profundamente, sendo influenciado por um colega a concorrer ao mestrado na UNICAMP, onde já vigia o sistema de ingresso na pós-graduação por meio de exames com bolsas da CAPES para os primeiros colocados.[1]

Carreira acadêmica

Durante o mestrado, foi orientado por Maria Hermínia Tavares de Almeida, que lhe influenciou para a área de políticas públicas. Tanto Limongi como a sua orientadora, rapidamente se filiam a uma tendência na Academia paulista, que se organizava ao redor de Bolívar Lamounier, para difundir em São Paulo uma contraposição à tradição francesa da sociologia dominante na USP. Analogamente ao legado do IUPERJ no Rio de Janeiro, estes acadêmicos pretendiam importar o rigor metodológico no trato de dados quantitativos que foi desenvolvido pela ciência política norte-americana.[1]

Ainda durante o mestrado, em 1986, tornou-se professor da USP a título precário de não mestres — que ainda era permitido na época. Logo em seguida, ocorre o desmembramento do departamento de Ciências Sociais e a fundação do departamento de ciência política, tendo como primeiro diretor o professor Carlos Guilhon que, por seu bom relacionamento com o reitor José Goldemberg, consegue atrair para a USP diversos professores como Guillermo O'Donnell, Simon Schwartzman e Fábio Wanderley Reis.[1]

Procedeu ao doutoramento em ciência política na Universidade de Chicago em 1993 sob a orientação de Adam Przeworski, com qual publicou diversas obras.[2]

De volta ao Brasil e à USP em 1992, assumiu diversas responsabilidades no Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (CEBRAP) sendo hoje um dos membros da Câmara de Pesquisadores do centro.[3][4]

Em 2006 Limongi avaliou para a revista online IDG Now! algumas biografias na enciclopédia Wikipédia sobre candidatos à presidência nas Eleições gerais no Brasil em 2006.[5]

Prêmios

Fernando Limongi recebeu diversas prêmiações. Foi ainda um dos co-autores da obra Democracy and Development de Adam Przeworski que recebeu em 2001 o Woodrow Wilson Prize, da associação estadunidense The American Political Science Association.[6]

  • 2006: Prêmio Olavo Brasil de Lima Jr., ABCP - Associação Brasileira de Ciência Política.
  • 1999: Prêmio ANPOCS/CNPq de melhor obra científica em Ciências Sociais pelo livro Executivo e Legislativo na Nova Ordem Constitucional (junto com Argelina Cheibub Figueiredo).
  • 1999: Gregory Luebbert Award, American Political Association. Best paper in Comparative Politics para o artigo: Adam Przeworski, Fernando Limongi, "Modernization: Theories and Facts", World Politics 49, No. 2 (janeiro de 1997): 155-183[7]

Obras (seleção)

  • Adam Przeworski (co-autores: Michael E. Alvarez, Jose Antonio Cheibub, Fernando Limongi) (2000). Democracy and Development; Political Institutions and Well-Being in the World, 1950-1990. New York: Cambridge University Press. 336 páginas. ISBN 0-521-79379-3 
  • Argelina Cheibub Figueiredo, Fernando Limongi (1999). Executivo e Legislativo na Nova Ordem Constitucional. Rio de Janeiro: Editora FGV. 231 páginas. ISBN 8522502919 

Referências

  1. a b c d e «Fernando Limongi | FGV CPDOC». cpdoc.fgv.br. Consultado em 3 de julho de 2022 
  2. «DCP - FFLCH -USP - Fernando Limongi». fflch.usp.br. Consultado em 19 de janeiro de 2011 
  3. «diverCIDADE - Revista Eletrônica do Centro de Estudos da Metrópole». centrodametropole.org.br. Consultado em 19 de janeiro de 2011 [ligação inativa]
  4. «CEBRAP: Câmara de Pesquisadores». cebrap.org.br. Consultado em 19 de janeiro de 2011. Arquivado do original em 22 de dezembro de 2010 
  5. «IDG Now!: Especialista avalia biografia de candidatos à presidência na Wikipedia». idgnow.uol.com.br. Consultado em 19 de janeiro de 2011. Arquivado do original em 25 de janeiro de 2007 
  6. «Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas
    Departamento de Ciência Política: Prêmios e títulos»
    . sistemas3.usp.br. Consultado em 19 de janeiro de 2011
     
  7. «American Political Science Association: PastWinner». nd.edu. Consultado em 19 de janeiro de 2011 


Ligações externas