Forças de Ação Especial

Forças de Ações Especiais
Fuerzas de Acciones Especiales de la Policía Nacional Bolivariana
Oficiais da FAES
PaísVenezuela
CorporaçãoPolícia Nacional Bolivariana
SubordinaçãoMinistério do Poder Popular para Relações Interiores, Justiça e Paz
MissãoOperações táticas especiais contra criminalidade organizada e ações de alto risco
Tipo de unidadeUnidade tática policial de elite
RamoPolícia
DenominaçãoForça de Ações Especiais
SiglaFAES
Criaçãoabril de 2016
Período de atividade2016–2025[1]
Extinção2024 (transformada na Direção de Ações Estratégicas e Táticas — DAET)
História
CombatesCrise na Venezuela; operações de segurança interna
Logística
Efetivo~1 300 agentes (2019)
Comando
ComandanteJosé Miguel Domínguez (chefe identificado em 2019)
Comandantes
notáveis
Rafael Enrique Bastardo Mendoza (ex-diretor)
Sede
GuarniçãoÁrea Metropolitana de Caracas (sede e atuação principal)
Oficiais da FAES

As Forças de Ações Especiais (em castelhano: Fuerzas de Acciones Especiales de la Policía Nacional Bolivariana, FAES) são um comando de elite da Polícia Nacional Bolivariana criado em abril de 2016.[2][3] Em 2019, contavam com cerca de 1 300 agentes.[4] A FAES inclui a Unidad de Operaciones Tácticas Especiales (UOTE), uma unidade tática policial.[5] A FAES tem sido acusada de atuar como instrumento político de Nicolás Maduro,[2] bem como de funcionar como um esquadrão da morte e de reprimir a oposição.[6][7][8]

História

As denúncias de ONGs locais e organizações internacionais contra a Operação de Libertação do Povo forçaram o governo de Nicolás Maduro a abandonar essa política de segurança, mas mantiveram a mesma dinâmica em uma força distinta, as Forças de Ações Especiais (FAES). Segundo Luis Izquiel, especialista em segurança cidadã, a FAES resultou em violações de direitos humanos "iguais ou piores".[9]

A FAES tem sido acusada de atuar como instrumento político de Nicolás Maduro,[2] bem como de funcionar como um esquadrão da morte e de reprimir a oposição.[6][10][11][12][7][8]

Entre maio e novembro de 2017, das 403 mortes em que as forças de segurança participaram na Área Metropolitana de Caracas, 124 (31%) foram atribuídas à FAES, que, ao mesmo tempo, foi responsável por 62% das mortes causadas pela Polícia Nacional.[13]

A PROVEA, organização venezuelana de direitos humanos, denunciou a FAES por matar mais de 100 pessoas em bairros de baixa renda nos seis meses anteriores a janeiro de 2019, durante os protestos na Venezuela.[4][14]

Em 5 de julho de 2019, a Alta Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet, divulgou um relatório apresentando evidências do assassinato de pelo menos 6 800 venezuelanos entre janeiro de 2018 e maio de 2019 por várias forças de segurança, incluindo a FAES. O relatório documentou casos de tortura, incluindo afogamento simulado e choques elétricos. O regime considerou o documento "tendencioso".[15][16] Bachelet incluiu entre as recomendações do relatório a dissolução da FAES e a abertura de uma investigação independente sobre suas ações. Poucos dias após a publicação, Nicolás Maduro apareceu publicamente com agentes da FAES, elogiando-os. Embora o governo de Maduro tenha alegado que o relatório estava repleto de "falsidades", trabalhou com o gabinete de Bachelet. Em uma atualização de setembro de 2020 sobre a situação de direitos humanos na Venezuela, Bachelet voltou a destacar as ações da FAES e informou que, segundo o Ministério Público, setenta agentes da FAES haviam sido indiciados em vários estados.[17]

Equipamentos

O documentário de 2019 Colateral, dirigido pela jornalista venezuelana Lucrecia Cisneros, explora as consequências das execuções extrajudiciais na Venezuela por forças de segurança, incluindo a FAES.[18][19]

Referências

  1. «Conozca las explosivas declaraciones del fiscal Tarek William Saab sobre las Faes». 16 de novembro de 2020. Consultado em 29 de junho de 2024. Cópia arquivada em 1 de dezembro de 2020 
  2. a b c Maduro ordenó a la FANB crear este año Fuerzas de Acciones Especiales. Publicado el 26 de abril de 2016. Consultado el 13 de febrero de 2019.
  3. LR, Redacción (1 de janeiro de 2019). «FAES: 'grupo de exterminio' al servicio de Maduro que allanó casa de Juan Guaidó [FOTOS]». LaRepublica.pe (em espanhol). Consultado em 3 de fevereiro de 2019 
  4. a b «Venezuelan special police unit blamed for abuses, killings». Reuters (em inglês). 3 de fevereiro de 2019. Consultado em 3 de fevereiro de 2019 
  5. «Gradúan funcionarios del Faes de la PNB para combatir la delincuencia». La Patilla (em espanhol). 14 de dezembro de 2017. Consultado em 9 de julho de 2019 
  6. a b «Elite police force spreads terror in the barrios of Venezuela». Reuters. 13 de novembro de 2019. Consultado em 8 de outubro de 2019 
  7. a b Nick Cumming-Bruce (4 de julho de 2019). «Venezuela Forces Killed Thousands, Then Covered It Up, U.N. Says». The New York Times. Consultado em 8 de outubro de 2023 
  8. a b «UN report: Venezuela death squads kill young men, stage scenes». Al Jazeera. 4 de julho de 2019. Consultado em 8 de outubro de 2023 
  9. Galaviz, Daisy (13 de julho de 2020). «Las OLP cumplen cinco años tras una estela de violación de DD. HH.». El Pitazo. Consultado em 13 de agosto de 2020 
  10. FAES, de fuerza élite a “grupo de exterminio”. Arquivado em 2019-02-14 no Wayback Machine Publicado el 4 de marzo de 2018. Consultado el 13 de febrero de 2019.
  11. Faes, el brazo más oscuro de la represión del régimen de Maduro. Publicado el 3 de febrero de 2019. Consultado el 13 de febrero de 2019.
  12. Tom Miles (14 de julho de 2019). «Venezuela death squads kill young men, stage scenes, U.N. report says». Reuters. Consultado em 8 de outubro de 2023 
  13. «FAES, el grupo de exterminio de la Policía Nacional Bolivariana #MonitorDeVíctimas». Efecto Cocuyo. 2 de janeiro de 2018. Consultado em 13 de fevereiro de 2019. Cópia arquivada em 13 de fevereiro de 2019 
  14. Team, The Caracas Chronicles (27 de janeiro de 2019). «Meet FAES: The Bolivarian Police Death Squads Leading Repression Against Protesters». CaracasChronicles.com. Consultado em 20 de fevereiro de 2019 
  15. «Venezuela's rulers accused by UN of death squads and policy of fear». BBC News. British Broadcasting Corporation (BBC). 4 de julho de 2019. Consultado em 5 de setembro de 2019 
  16. «A bloody stalemate: With tenacity and torture, Venezuela's awful regime is hanging on». The Economist (registration or subscription required for full article). 13 de julho de 2019. pp. 32–33. Consultado em 5 de setembro de 2019 
  17. García Marco, Daniel (12 de janeiro de 2021). «Qué se sabe de la operación policial en Caracas que terminó en una "masacre"». BBC Mundo (em espanhol). Consultado em 13 de janeiro de 2021 
  18. Salgado, Diego (6 de dezembro de 2019). «Cortometraje de estudiantes de la UCAB fue premiado por la Escuela Nacional del Cine». El Ucabista (em espanhol). Consultado em 3 de maio de 2023 
  19. Schenk, Pascal (15 de novembro de 2021). «Colateral». CineFrances.Net. Consultado em 3 de maio de 2023 

Leitura adicional

  • Galavís, Natalia Gan (2020). «Rule of law crisis, militarization of citizen security, and effectson human rights in Venezuela». European Review of Latin American and Caribbean Studies. 109: 67–86. doi:10.32992/erlacs.10557Acessível livremente 
  • Mijares, Victor M (2022). «Venezuela: A revolutionary petrostate under stress». In: Wade, Christine J.; Kline, Harvey F. Latin American Politics and Development 10th ed. United Kingdom: Taylor & Francis. pp. 223–246. ISBN 9781000620559. doi:10.4324/9781003223351-16 
  • Tremaria, Stiven (2022). «Policing and Autocratisation in Bolivarian Venezuela». Bulletin of Latin American Research. 41 (1): 159–174. doi:10.1111/blar.13298Acessível livremente