Fânias de Eresos


Fênias de Eresos (em grego clássico: Φαινίας ὁ Ἐρέσιος, Phainias; também Fanias (Φανίας)) foi um filósofo grego natural de Lesbos, importante como seguidor e comentarista imediato de Aristóteles. Chegou a Atenas por volta de 332 a.C. e uniu-se ao seu compatriota Teofrasto na Escola Peripatética. Seus escritos sobre lógica e ciência parecem ter sido comentários ou complementos às obras de Aristóteles e Teofrasto. Também escreveu extensamente sobre história. Suas obras sobreviveram apenas em fragmentos citados por outros autores.

Vida

Fênias nasceu em Eresos, na ilha de Lesbos. Era amigo e conterrâneo de Teofrasto, cuja carta a Fênias é mencionada por Diógenes Laércio.[1] Chegou a Atenas por volta de 332 a.C.,[2] e juntou-se a Teofrasto na Escola Peripatética. Foi o discípulo mais destacado de Aristóteles, depois de Teofrasto. Escreveu sobre todas as áreas da filosofia estudadas pelos peripatéticos, especialmente lógica, botânica, história e literatura.

Filosofia

Lógica

Há poucas informações sobre seus trabalhos em lógica. Parece ter escrito comentários e suplementos às obras de Aristóteles, que acabaram sendo ofuscados pelos escritos do próprio mestre. Em uma passagem de Amônio,[3] é dito que Eudemo, Fênias e Teofrasto escreveram, emulação de seu mestre, Categorias, Da Interpretação e Analíticos. Há também uma passagem importante sobre ideias, preservada por Alexandre de Afrodísias, de uma obra de Fênias, Contra Diodoro,[4] que possivelmente é a mesma obra Contra os Sofistas, da qual Ateneu cita uma crítica a certos músicos.[5]

História natural

Uma obra Sobre as Plantas é repetidamente citada por Ateneu, frequentemente em conexão com a obra de Teofrasto sobre o mesmo assunto, da qual pode ter sido um suplemento.[6] Os fragmentos citados por Ateneu são suficientes para dar uma ideia do conteúdo da obra e do estilo do autor. Ele parece ter dado atenção especial a plantas usadas em jardins e de outras formas ligadas aos seres humanos, e em seu estilo percebe-se a exatidão e o cuidado com definições que caracterizam a Escola Peripatética.

História

Fênias é mencionado por Plutarco, que o cita como autoridade,[7] como "um filósofo versado em história". Escreveu uma espécie de crônica chamada Pritanos Eresianos, cujo segundo livro é citado por Ateneu.[8] Era ou uma história de sua terra natal ou uma história geral da Grécia organizada segundo o período do magistrado eresiano. Também interessou-se pela história dos tiranos, sobre a qual escreveu várias obras. Uma delas era Sobre os Tiranos da Sicília.[9] Outra intitulava-se Sobre o Assassinato de Tiranos por Vingança, na qual parece ter discutido a questão abordada por Aristóteles em sua Política.[10] Há várias citações desta obra, incluindo a história de Antileão e Hiparino, que mataram o tirano de Heracleia.[11]

Literatura

Sobre história literária, duas obras de Fênias são mencionadas. Em Sobre os Poetas, citado por Ateneu,[12] ele parece ter dado atenção especial aos músicos e comediógrafos atenienses. Sobre os Filósofos Socráticos é citado duas vezes por Diógenes Laércio.[13]

Fênias de Eresos também foi um dos primeiros a fazer coleções sistemáticas para uma história da música grega. Seu tratado e outros, agora perdidos, foram fontes importantes para compiladores na era Imperial, como Ateneu e o pseudo-Plutarco, e forneceram material para os léxicos tardios. "Tais compilações refletem o cosmopolitismo grego, com suas formas mais generalizadas de linguagem, literatura, arte e música, que foram marcas da era helenística."[14]

Notas

  1. Díogenes Laércio, v. 37; Schol. in Apollon. i. 972; Estrabão, xiii.
  2. Suda s.v. Phanias, cf. Clemente de Alexandria, Stromata, i.
  3. Amônio Hermias, ad Categ. p. 13; Schol. Arist. p. 28, a. 40, ed. Brandis
  4. Schol. Arist. p. 566, a. ed. Brandis
  5. Ateneu, xiv.
  6. Ateneu, ii., ix.
  7. Plutarco, Temístocles, 13
  8. Ateneu, viii.; cf. Eustáquio, p. 35, 18; Clemente de Alexandria, Stromata, i.; Plutarco, Sólon, 14, 32, Temístocles, 1, 7, 73; Suda, Fênias; Ateneu, ii.
  9. Ateneu, i., vi.
  10. Aristóteles, Política, v. 8, 9, etc.
  11. Ateneu, iii., x.; Partênio, Erotica Pathemata, 7.
  12. Ateneu, viii.
  13. Díogenes Laércio, ii. 65, vi. 8
  14. Franklin 2001

Referências