Exposição pré-natal à cocaína
A exposição pré-natal à cocaína (PCE), teorizada na década de 1970, ocorre quando uma pessoa grávida usa cocaína ou crack, e assim expõe seu feto à droga. Supõe-se que esses bebês tenham maior risco de problemas de saúde e desenvolvimento, sendo chamados coloquialmente de "bebês do crack".[1]
A PCE é muito difícil de estudar, porque raramente ocorre isoladamente; geralmente coexiste com uma variedade de outros fatores, que podem confundir os resultados de um estudo.[2] Pessoas grávidas que usam cocaína frequentemente também usam outras drogas [en] podem estar desnutridas e sem acesso a cuidados médicos, estão em risco de violência e podem negligenciar seus filhos. Crianças com PCE em lares adotivos podem enfrentar problemas devido a situações familiares instáveis. Fatores como a pobreza, frequentemente associada à PCE, têm uma influência muito mais forte sobre as habilidades intelectuais e acadêmicas das crianças do que a exposição isolada à cocaína.[3] Assim, os pesquisadores têm dificuldade em determinar quais efeitos resultam da PCE e quais resultam de outros fatores nas histórias das crianças.
A PCE está associada ao parto prematuro, doenças congênitas, transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) e outras patologias. Acredita-se que os efeitos da cocaína no feto sejam semelhantes aos do tabaco e menos graves do que os do álcool.[4] Nenhuma evidência científica demonstrou diferença nos danos ao feto entre o crack e a cocaína em pó.[5]
Não foram encontrados distúrbios ou condições específicas em pessoas cujas mães usaram cocaína durante a gravidez. A PCE parece ter pouco efeito no crescimento infantil. [6] Estudos centrados em crianças de seis anos ou menos não demonstraram quaisquer efeitos directos e a longo prazo da PCE na linguagem, no crescimento ou no desenvolvimento, medidos através de resultados de testes.
"Crack baby" (também chamado de "cocaine baby" e "crack kid") foi um termo cunhado para descrever crianças que foram expostas ao crack quando fetos, que surgiu nos EUA durante as décadas de 1980 e 1990 em meio a uma epidemia de crack.[7] Os primeiros estudos relataram que as pessoas que tinham sido expostas ao crack no útero ficariam gravemente incapacitadas emocionalmente, mentalmente e fisicamente; esta crença tornou-se comum nas comunidades científicas e na população em geral.[7] Havia uma preocupação generalizada de que uma geração de crianças expostas à cocaína viesse a sobrecarregar a sociedade e os serviços sociais à medida que estas aumtassem. No entanto, pesquisas posteriores não conseguiram confirmar as conclusões dos primeiros estudos, que apontavam para consequências graves e incapacitantes da PCE; esses estudos iniciais apresentavam falhas metodológicas, como tamanhos de amostra reduzidos e fatores de confusão. Ao longo do tempo, os cientistas passaram a considerar que tais conclusões podem ter sido exageradas.[7]
Referências
- ↑ Ross, Emily J; Graham, Devon L; Money, Kelli M; Stanwood, Gregg D (18 de junho de 2014). «Developmental Consequences of Fetal Exposure to Drugs: What We Know and What We Still Must Learn». Neuropsychopharmacology. 40 (1): 61–87. PMC 4262892
. PMID 24938210. doi:10.1038/npp.2014.147
- ↑ Ackerman, John P.; Riggins, Tracy; Black, Maureen M. (2010). «A Review of the Effects of Prenatal Cocaine Exposure Among School-Aged Children abstract». Pediatrics. 125 (3): 554–565. PMC 3150504
. PMID 20142293. doi:10.1542/peds.2009-0637
- ↑ Lambert, BL; Bauer, CR (novembro de 2012). «Developmental and behavioral consequences of prenatal cocaine exposure: a review». Journal of Perinatology. 32 (11): 819–828. PMC 4143247
. PMID 22791278. doi:10.1038/jp.2012.90
- ↑ Okie S (7 de fevereiro de 2009). «Encouraging new on babies born to cocaine-abusing mothers». The New York Times. Consultado em 1 de dezembro de 2015
- ↑ Lavoie D (25 de dezembro de 2007). «Crack-vs.-powder disparity is questioned». usatoday.com. USA Today. Consultado em 12 de agosto de 2010
- ↑ Goldberg 2009, p. 228.
- ↑ a b c Martin, M (3 de maio de 2010). «Crack babies: Twenty years later». npr.org. National Public Radio. Consultado em 1 de dezembro de 2015
Bibliografia
- Goldberg, R (2009). «Cocaine amphetamines». Drugs Across the Spectrum. [S.l.]: Brooks Cole. ISBN 978-0-495-55793-7