Exército Republicano Rio-Grandense
| Exército Republicano Rio-Grandense | |
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![]() A bandeira da República Rio-Grandense era utilizada pelo Exército Farroupilha. | |
| País | |
| Missão | Força Terrestre |
| Criação | 1836 |
| Extinção | 1845 |
| História | |
| Combates | |
| Logística | |
| Efetivo | 12 000 (1840) |
| Comando | |
| Comandante | Bento Gonçalves da Silva |
| Comandantes notáveis | Bento Gonçalves da Silva Antônio de Sousa Neto João Manuel de Lima e Silva David Canabarro Giuseppe Garibaldi |
O Exército Republicano Rio-Grandense ou Exército Farroupilha, foi a força militar organizada pela República Rio-Grandense durante a Revolução Farroupilha, conflito ocorrido no sul do Império do Brasil, principalmente na província de São Pedro do Rio Grande do Sul. O exército atuou como instrumento armado do governo republicano proclamado em 11 de setembro de 1836, tendo como objetivo sustentar a independência política da província frente ao poder imperial.
Formação
Após a Proclamação da República Rio-Grandense, em 11 de setembro de 1836, as forças farroupilhas passaram a ser oficialmente reconhecidas como Exército Republicano Rio-Grandense, tornando-se a principal força militar do novo Estado rebelde.
Processo de formação:
O exército foi formado de maneira gradual e improvisada, aproveitando estruturas militares e sociais já existentes:
- Milícias provinciais: antigos corpos de ordenanças e guardas locais aderiram à causa farroupilha.
- Estancieiros e peões armados: muitos proprietários rurais levaram consigo seus trabalhadores, que já possuíam experiência com cavalos e armas.
- Ex-militares imperiais: oficiais e praças desertores do Exército imperial forneceram conhecimento técnico e disciplina militar.
- Voluntários estrangeiros: destacam-se italianos e uruguaios, como os liderados por Giuseppe Garibaldi, especialmente nas forças navais e de infantaria.
Conflitos
Na Guerra dos Farrapos, sob a liderança de comandantes como Bento Gonçalves da Silva e Antônio de Sousa Neto, o Exército Republicano destacou-se pelo uso predominante da cavalaria, adaptada às condições do pampa sulino, e por táticas de guerra móvel.
A República Rio-Grandense, envolveu-se de forma indireta na Guerra Grande. Enquanto enfrentava o Império do Brasil, líderes farroupilhas buscaram apoio e alianças na região do Prata. Nesse contexto, forças ligadas aos farroupilhas, especialmente sob a liderança de Giuseppe Garibaldi, atuaram ao lado dos colorados no Uruguai, oferecendo apoio militar e naval.
Durante a Guerra dos Farrapos, o marechal Bento Manuel Ribeiro trocou de lado duas vezes, terminando ao lado dos imperiais. Quando ele estava lutando no lado farroupilha, dirigiu os Farroupilhas à disposição de Fructuoso Rivera, na Guerra Grande.
Extinção
O Exército Republicano Rio-Grandense teve seu fim com a dissolução da República Rio-Grandense, após a derrota na guerra.
No Tratado de Ponche Verde, a Província de São Pedro do Rio Grande do Sul foi reintegrada ao Império. Os militares que serviram no Exército Republicano foram perdoados pelo governo imperial.
O Art. 8º do tratado garantia proteção aos oficiais da República Rio-Grandense após o fim da Guerra dos Farrapos, assegurando que não fossem forçados a servir no Exército Imperial. Ao mesmo tempo, permitia sua reintegração voluntária, respeitando as patentes adquiridas durante o conflito, o que facilitou a pacificação e a incorporação dos antigos líderes farroupilhas.
Os generais republicanos David Canabarro e Antônio de Sousa Neto, foram reintegrados ao Exército Imperial Brasileiro após o fim do conflito. Estes generais participariam mais tarde na Guerra do Prata, Guerra do Uruguai e na Guerra do Paraguai, junto com seus veteranos farroupilhas.
Referências
- ↑ Spalding, Walter (1956). A Revolução Farroupilha. Canoas: Enciclopédia Rio-grandense, Editora Regional
- ↑ Prenda Minha, Joana (11 de Setembro de 2025). «11 de setembro de 1836 - Proclamação da República Rio-Grandense». Portal das Missões
- ↑ «A Revolução dos Farrapos: Quando um exército de pobres resistiu ao Império por quase 10 anos». A Nova Democracia. 20 de setembro de 2025
