Evandro Rabello
| Evandro Rabello | |
|---|---|
| Nome completo | Evandro de Carvalho Rabello |
| Conhecido(a) por | Estudos sobre frevo e carnaval do Recife |
| Nascimento | 6 de setembro de 1935 Macujê, Aliança, Pernambuco, |
| Morte | 9 de junho de 2015 Recife, Pernambuco, |
| Nacionalidade | brasileira |
| Ocupação | Historiador; folclorista; pesquisador |

Evandro Rabello (Macujê, Aliança, 6 de setembro de 1935 — Recife, 9 de junho de 2015) foi um historiador, folclorista e pesquisador brasileiro, atuante principalmente nas áreas do frevo, do Carnaval do Recife e de outras manifestações da cultura popular de Pernambuco. Desenvolveu trabalho documental voltado à história de agremiações, práticas musicais e folguedos, com destaque para a pesquisa de fontes jornalísticas dos séculos XIX e XX.
Biografia
Rabello nasceu no distrito de Macujê, então denominado Nossa Senhora da Lapa, no município de Aliança, em 6 de setembro de 1935. Seu registro civil foi lavrado em 7 de setembro do mesmo ano.[1] Graduou-se em História pela Universidade Católica de Pernambuco (UNICAP).
Além da formação universitária, concluiu o curso técnico em Turismo pelo Ministério da Educação e Cultura (1974). Realizou cursos especializados em Cultura Popular no Brasil e Artes Populares (Fundação Joaquim Nabuco, 1966–1967), Sociologia do Açúcar (Museu do Açúcar, 1970) e História do Recife, Folclore, Escravidão e Abolição em Pernambuco (Arquivo Público Estadual, 1977–1979).
Rabello morreu em 9 de junho de 2015, no Recife, aos 79 anos.[2]
Carreira e obra
Trabalhou no Instituto do Açúcar e do Álcool (1958), no Museu do Açúcar (1961), no Instituto Joaquim Nabuco de Pesquisas Sociais (1969), na Empresa de Turismo de Pernambuco – Empetur (1973) e na Fundação Joaquim Nabuco (1982–1986). Em 1987 integrou a Fundação de Cultura Cidade do Recife.
Sua produção inclui pesquisas sobre o carnaval do Recife, o frevo, maracatus, blocos carnavalescos e danças populares. Seu trabalho caracterizou-se pela utilização de acervos jornalísticos como fonte primária, especialmente registros publicados entre o século XIX e a primeira metade do século XX.
Em 2004, publicou Memórias da Folia: O Carnaval do Recife pelos Olhos da Imprensa (1822–1925), pesquisa que reúne matérias de periódicos pernambucanos e reconstitui aspectos da evolução do carnaval recifense.[3] Em 1979, lançou Ciranda: dança de roda, dança de moda, dedicado à sistematização histórica e etnográfica da ciranda em Pernambuco.[1]
Trabalhos diversos
Além de seus livros, publicou livretos, folhetos, micromonografias e encartes, incluindo: O Mundo de Dona Finha; Transporte na Zona Canavieira; Guia do Carnaval do Recife; Acorda-Povo; Vuca-Vuco; Vassourinhas; A Festa de Nossa Senhora da Lapa; A Cruz do Patrão; Um Carnaval Tricolor; Um Livro Gigante e Oportuno – O Recife e o Carnaval; e O Aparecimento da Palavra Frevo.
Participou também de antologias e dicionários, como o Dicionário de Folcloristas Brasileiros.
Colaborações em periódicos
Colaborou com revistas como: Boletim da Comissão Pernambucana de Folclore, Bangüê, Boletim da Cidade do Recife, Revista do Museu do Açúcar, Revista do Turismo, Cultura, Arrecifes, Letras e Artes, Revista de Pernambuco, Revista de História Municipal e Brasil Açucareiro.
Nos jornais, escreveu para Diário de Pernambuco, Jornal do Commercio, Jornal da Cidade, Edição Extra, Diário da Noite, Suplemento Cultural do Diário Oficial do Estado de Pernambuco, Folha de Olinda, O Estado de Minas e o Jornal do Comércio (Manaus).
Editoria
Foi editor das coleções Xilogravura Popular do Nordeste (1968) e 20 Xilogravuras do Nordeste (1970).
Contribuições para o Dia do Frevo em Pernambuco
O pesquisador Evandro Rabello identificou, em pesquisa documental, aquele que é considerado um dos primeiros registros impressos da palavra “frevo”. O achado foi publicado em O aparecimento da palavra frevo (Jornal do Commercio, 1980).[4] Segundo Rabello, o termo aparece no Jornal Pequeno, de 9 de fevereiro de 1907, em referência à execução da marcha O Frevo pelo clube Empalhadores do Feitosa.[2] A data foi posteriormente adotada em comemorações oficiais do frevo em Pernambuco.
Homenagens
Recebeu diplomas de honra ao mérito do Bloco Flor da Lira (1987), Troça Maracangalha (1987), Clube Amantes das Flores (1987), Sociedade Musical Euterpina Juvenil Nazarena – Capa Bode (1988) e Troça Beliscada (1989).
Foi homenageado no VII Baile dos Artistas (1985), pelo Partido Comunista Brasileiro (1986), pelo Bloco Madeiras do Rosarinho (1986) e pela Casa do Carnaval (1991). Recebeu também homenagens de compositores como Lourival Oliveira e Getúlio Cavalcanti.
Em 1993, foi agraciado com a Medalha do Mérito José Mariano, concedida pela Câmara Municipal do Recife.
Recebeu as homenagens História Viva do Recife (1996) e Memória Viva do Recife (1999), ambas do Museu da Cidade do Recife.[5]
Em 2007, por ocasião das comemorações do centenário do frevo, foi agraciado pela Prefeitura do Recife com a Comenda do Frevo. Mais tarde, em 2014, aquando da inauguração do Paço do Frevo, naquela cidade, foi descerrada uma placa que o reconhece como Comendador do Frevo.[6]
Em 2020, recebeu uma homenagem póstuma da Prefeitura do Recife — por meio da Secretaria de Cultura, da Fundação de Cultura Cidade do Recife e da Secretaria de Turismo, Esporte e Lazer — durante as celebrações do Dia do Frevo, em reconhecimento aos “importantes trabalhos de pesquisas sobre as manifestações populares do nosso carnaval”.
Atividades associativas
Participou da Comissão Pernambucana de Folclore (desde 1966), do Instituto Histórico de Goiana (1966), da União Brasileira de Escritores (1985) e da Associação de Amigos do Arquivo Público Estadual Jordão Emerenciano (1997).
Publicações selecionadas
- Ciranda: dança de roda, dança de moda. Recife, 1979.
- Memórias da Folia: O Carnaval do Recife pelos Olhos da Imprensa (1822–1925). Recife: Fundação Joaquim Nabuco, 2004.
- “O aparecimento da palavra frevo.” Jornal do Commercio, Recife, 1980.
Ver também
Referências
- ↑ a b Fundação Joaquim Nabuco. "Evandro Rabello". Pesquisa Escolar Online. Recife: Fundaj, 2019.
- ↑ a b Jornal do Commercio. "Evandro Rabello: Pernambuco perde pesquisador e folclorista". Recife, 10 de junho de 2015.
- ↑ Catálogo Bandas de Música PE. "Memórias da Folia: O Carnaval do Recife pelos Olhos da Imprensa (1822–1925)". 2021.
- ↑ Rabello, Evandro. “O aparecimento da palavra frevo”. Jornal do Commercio, Recife, 1980.
- ↑ Blog de Fernando Machado. "Evandro Rabello: uma vida dedicada ao frevo". 2015.
- ↑ Paço do Frevo. "Placa Evandro Rabello". 2016.
Ligações externas
- Fundação Joaquim Nabuco – Página sobre Evandro Rabello
- Jornal do Commercio – Matéria sobre o falecimento de Evandro Rabello
- Blog de Fernando Machado – Evandro Rabello no Passo do Tempo
- Paço do Frevo – Acervo e homenagens
- G1 Pernambuco — Por que duas datas homenageiam o frevo
- TeloEstoque — Dia do Frevo: a origem da música e do passo no Recife no início do século XX
- Catálogo Bandas de Música PE — Linha do tempo: patrimonialização do frevo
- Catálogo Bandas de Música PE — Página dedicada a Evandro Rabello