Euscarthmus meloryphus

Euscarthmus meloryphus
Barulhento  (Euscarthmus meloryphus)
Barulhento  (Euscarthmus meloryphus)
Estado de conservação
Espécie pouco preocupante
Pouco preocupante (IUCN 3.1) [1]
Classificação científica
Reino: Animalia
Filo: Chordata
Classe: Aves
Ordem: Passeriformes
Gênero: Euscarthmus
Espécie: E. meloryphus
Nome binomial
Euscarthmus meloryphus
(Wied-Neuwied, 1831) [2]
Distribuição geográfica

Subespécies
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O Barulhento (Euscarthmus meloryphus) é uma espécie de pássaro da família Tyrannidae, nativa da América do Sul, conhecida também como Arrelia (Minas Gerais), Traz-farinha-aí, Ceguinha (Brejo paraibano) e Maria-barulhenta.[3] [4]


O Barulhento é um pássaro pequeno, de plumagem marrom-amarelada em cima, branco-sujo em baixo e com uma mancha semi-oculta de tom alaranjado brilhante na coroa. É um papa-moscas que vive em arbustos densos e de difícil visualização, mas de presença notável, na primavera e no verão, por seu canto estridente e contínuo.

Sistemática e Taxonomia

Euscarthmus meloryphus era um complexo taxonômico que compreendia três subespécies, em populações distintas e separadas geograficamente, com Euscarthmus meloryphus meloryphus (Wied-Neuwied, 1831), [2] nos campos e florestas secas ao sul da Bacia Amazônica; Euscarthmus meloryphus paulus (Bangs, 1899),[5] no extremo norte da América do Sul; e Euscarthmus meloryphus fulviceps (P. L. Sclater, 1871), na região costeira do Equador e do Peru. Embora sem uma análise taxônomica adequada e bem fundamentada, para muitos sistemas taxonômicos a subespécie Euscarthmus meloryphus fulviceps, do sudoeste árido do Equador e oeste do Peru, já era considerada uma espécie separada do complexo com base em diferenças morfológicas, de plumagem e de vocalização. [6] [7] Com base nos extensos estudos morfológicos e principalmente de vocalização de Frantz, I. et al. (2020), [8] o Comitê de Classificação Sul-Americana (SACC) na Proposta nº 898, aprovou a separação das espécies. [9] [10]

Distribuição geográfica

Euscarthmus meloryphus (Wied-Neuwied, 1831) é um complexo composto de duas subespécies aceitas, separadas geograficamente. [4]

Morfologia

O Barulhento (Euscarthmus meloryphus) mede entre 9 e 12 cm de comprimento e pesa entre 5 e 10 g. A espécie nâo apresenta dimorfismo sexual. Os adultos da subespécie nominal têm uma coroa marrom-clara com uma crista fraca e penas centrais ruivas, um tanto escondidas. Possuem loros opacos de cor bege a esbranquiçada e um anel ocular indistinto de cor bege a esbranquiçada em um rosto marrom-claro. A subespécie E. m. paulus é semelhante à nominal, mas com uma face fulva a bege. As íris são de cor marrom-médio a castanho-avermelhada ou canela, a maxila preta, a mandíbula pode ser acinzentada a branca, rosa-amarronzada pálida ou totalmente cinza-plumada. Suas partes superiores são marrom-claras. Suas asas são marrom-escuras com pontas ruivas nas coberteiras e bordas ruivas menos distintas nas penas de voo. Sua cauda é escura. Sua garganta e peito são branco-acinzentados com uma coloração marrom nas laterais do peito e flancos. As pernas e pés podem apresentar qualquer um dos vários tons de cinza. O restante de suas partes inferiores é amarelo-creme. [16]

Ecologia

Euscarthmus meloryphus é uma ave mais fácil de ser reconhecida por seu canto. Seu avistamento é difícil já que vive na porção baixa dos campos por entre os arbustos densos e pelo solo.
HabitatEuscarthmus meloryphus habita uma variedade de paisagens, geralmente abertas, secas a áridas, vegetações de baixa altura, áreas degradadas com arbustos densos e dispersos, campos secos, campos sujos com ervas daninhas e arbustos, áreas devastadas, matagais arbustivos e bordas de floresta seca, matagais de borda de rio, de terras baixas e montanhosas, bordas de florestas secas, pastagens com arbustos densos ou matos dispersos, cangas, restingas, caatingas, cerrados e pampas. [17] [18] [19] Vive em uma altitude entre o nível do mar até os 1.500 metros. [20]
Alimentação – é uma espécie onívora-insetívora que forrageia seu alimento, principalmente artrópodes, no solo ou próximo a ele, principalmente em alturas que estão entre os 0,25 e 2,0 metros. Só ou aos pares, busca seu alimento pulando em saltos curtos entre os ramos dos arbustos. [21]
Migração – os movimentos e migrações desta espécie ainda são mal compreendidos, mas em grande parte de sua distribuição ela é considerada residente fixa. Algumas populações do extremo sul, no entanto, parecem estar presentes apenas durante a estação reprodutiva austral, sugerindo alguma migração para o norte. Euscarthmus meloryphus é considerada residente de inverno ao norte da Bolívia [22] e sudeste do Peru. Algumas áreas no nordeste da Argentina parecem também ser ocupadas apenas durante o inverno austral. [23] Populações fixas são registradas no sudeste,[24] no centro-oeste, [25] nordeste e norte do Brasil, assim como no Paraguai, [26] Bolívia, Colômbia [27] e Venezuela.
Reprodução – a época de acasalamento de E. meloryphus pode variar dependendo da localização geográfica, temperatura e umidade. No extremo sul e ao leste ninhos foram observados entre outubro e dezembro, na Argentina,[28] Uruguai, Rio Grande do Sul,[29] Paraguai e Bolívia. Ninhos foram observados, entre março e agosto, no nordeste [30] e, entre agosto e setembro, no norte. [31] Macho e fêmea constroem o ninho juntos. O ninho é contruido em pequenas árvores, arbustos, trepadeiras ou outras plantas herbáceas, apoiado pelas bordas em forquilhas, entre 25 cm e 1,8 metros acima do nível do solo, em forma de tigela ou semiesfera, com paredes muito finas, usualmente translúcidas, compostas de finos talos secos e nervuras de folhas, hastes de gramíneas ou outras herbáceas, unidos por teias de aranha ou algodão, e forrado internamente, ou não, com radiculas entrelaçadas. Medem, externamente, entre 4 e 7 cm de diâmetro e 3 e 6,5 cm de altura e, internamente, entre 4 e 5 cm de diâmetro e 2 e 4 cm de altura. [32] [33] A fêmea deposita entre 1 e 3 ovos, branco-amarelados com pequenas pintas marrom-acinzentadas, marrons ou lilases. Os ovos são incubados por cerca de 14-15 dias até eclodirem. O filhote abandona o ninho em cerca de 12 dias. [32] [34]

Referências

  1. BirdLife International (2016). «Tawny-crowned Pygmy-tyrant Euscarthmus meloryphus». Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas. 2016: e.T103681055A93732060. doi:10.2305/IUCN.UK.2016-3.RLTS.T103681055A93732060.enAcessível livremente. Consultado em 18 de junho de 2025 
  2. a b Wied-Neuwied, Maximilian (1830). Beiträge zur Naturgeschichte von Brasilien (em alemão). 3. Weimar: Landes-Industrie-Comptoirs. p. 947 
  3. «Barulhento (Euscarthmus meloryphus)». WikiAves. Consultado em 22 de junho de 2025 
  4. a b Fitzpatrick, J. W.; del Hoyo, J.; Kirwan, G. M.; Collar, N. (2021). «Rufous-crowned Pygmy-Tyrant (Euscarthmus meloryphus), version 1.0». In Birds of the World (H. F., Greeney, Editor) (em inglês). Cornell Lab of Ornithology. Ithaca, NI, EUA. https://doi.org/10.2173/bow.tacpyt1.01 
  5. Bangs, Outram (1900). «On some new or rare birds from the Sierra Nevada de Santa Marta, Colombia». Biological Society of Washington. Proceedings of the Biological Society of Washington. 13: 91--108 
  6. del Hoyo, J.; Collar, N. J.; Christie, D. A.; Elliott, A.; Fishpool, L. D. C.; Boesman, P.; Kirwan, G. M. (2016). HBW and BirdLife International Illustrated Checklist of the Birds of the World. Volume 2: Passerines (em inglês). Barcelona, Espanha e Cambridge, Reino Unido: Lynx Edicions and BirdLife International. 1913 páginas. ISBN 9788496553989 
  7. Clements, J. F.; T. S. Schulenberg, T. S.; Iliff, M. J.; Roberson, D.; Fredericks, T. A.; Sullivan, B. L.; Wood, C. L. (2017). «The eBird/Clements checklist of birds of the world: v2016.». The Cornell Lab of Ornithology. Disponível para download em https://www.birds.cornell.edu/clementschecklist/august-2017/2017-citation-checklist-download/ 
  8. Franz, I.; Alvares, D. J.; Borges-Martins, M. (2020). «Species limits in the Tawny-crowned Pygmy-tyrant Euscarthmus meloryphus complex (Aves: Passeriformes: Tyrannidae)». Zootaxa (em inglês). 4809 (3): 475–495. doi:10.11646/zootaxa.4809.3.3 
  9. Jaramillo, A. (janeiro de 2021). Propuesta (898). «Split the Tawny-crowned Pygmy-Tyrant Euscarthmus meloryphus into two species». South American Classification Committee (em inglês) 
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