Eurico Figueiredo

Eurico José Palheiros de Carvalho Figueiredo foi um psiquiatra, professor universitário, ativista antifascista e deputado à Assembleia da República.

Juventude e carreira profissional

Nasceu a 24 de março de 1939 em Vila Real.

Licenciado pela Universidade de Coimbra e doutorado (Universidade de Genebra, 1976)[1] em Medicina, destacou-se na Psiquiatria, tendo sido Diretor do Serviço de Psiquiatria do Hospital Magalhães de Lemos no Porto,[2] professor catedrático[3] e diretor do Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar (ICBAS), Universidade do Porto.[1]

Foi ainda sócio do Centro De Estudos Da População, Economia E Sociedade (Cepese).[4]

Atividade antifascista

Aos 16 anos adere ao MUD juvenil e aos 18 anos ao Partido Comunista Português (PCP). Participa na campanha presidencial de Humberto Delgado.[1][3]

Destacou-se na contestação ao Estado Novo na crise académica de 1962. Participou na greve de fome e foi expulso durante trinta meses da Universidade de Lisboa e detido três vezes pela PIDE, passando pela cadeia do Aljube em maio de 1962, sendo reprimidas ações de solidariedade.[2]

Depois de uma transferência para a Universidade de Coimbra, participa na fundação do Movimento Sindical Estudantil em 1963.[3][5] Esse movimento é coordenado ainda por, A. Correia de Campos, Medeiros Ferreira, N. Brederode Santos, e Valentim Alexandre. entre outros.[5]

Integra ainda a Frente Patriótica de Libertação Nacional.[2]

Parte para o exílio na Suíça em 1965, continuando a sua atividade política.[3] Da Suíça, mantém fortes ligações particularmente com Manuel Alegre e Fernando Piteira Santos, estes em Argel.[5] Rompe com o PCP em 1967, na invasão da Checoslováquia pela URSS:[3]

Partido Socialista e deputado

Após o 25 de abril de 1974, voltou a Portugal e aderiu ao Partido Socialista. Foi membro da Direção Nacional e Política e deputado à Assembleia da República de 1983-1985 e 1991-1999.[1][3][5] Produz o relatório da Assembleia da República sobre a regionalização, em 1997.[5]

Em 1997, o Presidente da República Jorge Sampaio atribui-lhe a Grã- Cruz da Ordem da Liberdade com base "no seu percurso cívico e antifascista".[1]

Em 1999, abandonou o PS em discordância com António Guterres. Eventualmente foi candidato às eleições legislativas e Europeias pelo MPT.[3]

Morte e homenagens

Recebeu a Grã Cruz da Ordem da Liberdade em 1988 pelo Presidente da República Mário Soares.[2]

Em 2005, os "Estudos e Ensaios em Homenagem a Eurico Figueiredo" juntam contributos de "António Barros Cardoso, António Braga, António Leuschner, António Tavares-Teles, Bárbara Figueiredo, Carlos Amaral Dias, Carlos Antunes, Fernando de Sousa, Fernando Condesso, Frederico Pereira, Isabel Babo Lança, Jorge Sampaio, Luís Manuel Jesus Loureiro, Manuela Fleming, Medeiros Ferreira, Nuno Grande, Paula Santos, Paulo Mendo". Com coordenação de Isabel Babo Lança, são publicados pelas Edições Afrontamento.[4]

Faleceu de gripe A em Dezembro de 2025 no Hospital de Santo António no Porto.[6]

Referências

  1. a b c d e U.Porto, Bárbara do Carmo Silva, Notícias (27 de dezembro de 2025). «Morreu Eurico Figueiredo, antigo diretor do ICBAS e um "lutador pela Liberdade"». Notícias U.Porto. Consultado em 12 de janeiro de 2026 
  2. a b c d Museu do Aljube Resistência e Liberdade. «Eurico Figueiredo, médico, antigo preso político e resistente antifascista morreu hoje» 
  3. a b c d e f g «Morreu Eurico Figueiredo, resistente estudantil e histórico dirigente socialista». Expresso. 27 de dezembro de 2025. Consultado em 12 de janeiro de 2026 
  4. a b «Estudos e Ensaios em Homenagem a Eurico Figueiredo». Edições Afrontamento. Consultado em 7 de fevereiro de 2026 
  5. a b c d e «Eurico Figueiredo | Wook». www.wook.pt. Consultado em 7 de fevereiro de 2026 
  6. RTP (27 de dezembro de 2025). «Morreu o histórico socialista Eurico Figueiredo aos 86 anos». Morreu o histórico socialista Eurico Figueiredo aos 86 anos. Consultado em 12 de janeiro de 2026