Eulália Mendes

Eulália Mendes
Nascimento
1910 de abril de 30

Gouveia, Portugal
Morte
2004 de dezembro de 0

Varsóvia, Polónia
NacionalidadePortuguesa
OcupaçãoOperária têxtil, sindicalista, ativista política

Eulália Mendes (Gouveia, 30 de abril de 1910 – Varsóvia, 2004) foi uma operária têxtil, dirigente sindical e ativista política luso-americana. Tornou-se conhecida pela participação no movimento operário da Nova Inglaterra, sobretudo durante a greve têxtil de New Bedford, em 1928, e pela perseguição política sofrida durante o período do macartismo, que culminou na sua deportação dos Estados Unidos. Viveu as suas últimas décadas na Polónia, onde trabalhou como tradutora.

Biografia

Primeiros anos

Eulália Mendes nasceu em Gouveia, no distrito da Guarda, filha de um operário e de uma trabalhadora doméstica. Emigrou em criança com a família para os Estados Unidos, fixando-se na região de Boston, onde começou a trabalhar na indústria têxtil desde muito jovem.[1]

Atividade sindical nos Estados Unidos

Durante a década de 1920, Mendes envolveu-se no movimento operário ligado às comunidades imigrantes portuguesas. Destacou-se na greve têxtil de New Bedford, em 1928, representando trabalhadores em comissões reivindicativas que exigiam melhores salários, redução da jornada laboral e igualdade de direitos.[2]

Colaborou com sindicatos e organizações de orientação progressista ou comunista, assumindo funções de secretária sindical e participando ativamente em lutas laborais entre trabalhadores industriais e imigrantes.[3]

Perseguição política e deportação

No contexto da repressão macartista após a Segunda Guerra Mundial, Mendes foi alvo de vigilância e investigação devido à sua militância política. Em 1953 foi detida pelas autoridades norte-americanas e posteriormente deportada, após lhe ser negada a naturalização.[4]

Exílio na Polónia

Depois da deportação, Mendes recebeu apoio de redes de solidariedade internacional e obteve asilo político na Polónia. Estabeleceu-se em Varsóvia, onde trabalhou como tradutora em organismos de radiodifusão estatais.[5]

Permaneceu naquele país até ao final da sua vida.

Morte

Eulália Mendes morreu em 2004, em Varsóvia. A data exata não se encontra amplamente documentada em fontes públicas.[6]

Legado

O contributo de Mendes para o movimento operário luso-americano tem sido reconhecido por instituições políticas e culturais. Em Portugal foi homenageada pelo Partido Comunista Português, que destacou o seu papel na luta laboral e política.[7]

A cidade de Gouveia atribuiu o seu nome a uma rua, perpetuando a memória da sua atividade social e sindical.[6]

Ver também

  • Movimento operário nos Estados Unidos
  • Emigração portuguesa
  • Macartismo

Ligações externas

Categorias

  1. «Quem foi quem na toponímia de Gouveia». Ruas com História. 16 de setembro de 2018. Consultado em 25 de novembro de 2025 
  2. «Eulalia Mendes». Historic Women of the South Coast. Consultado em 25 de novembro de 2025 
  3. «New Bedford Textile Strike Records». University of Massachusetts Dartmouth Archives. Consultado em 25 de novembro de 2025 
  4. Stepan-Norris, Judith; Santoro, Wayne A. (2010). «Political Repression in the United States During the McCarthy Era». USF Scholar Commons. Consultado em 25 de novembro de 2025 
  5. «Eulália Mendes recordada» (PDF). Portuguese Times. 15 de abril de 2015. Consultado em 25 de novembro de 2025 
  6. a b «Quem foi quem na toponímia de Gouveia». Ruas com História. 16 de setembro de 2018. Consultado em 25 de novembro de 2025 
  7. «PCP homenageia mulher exemplar». Avante!. 29 de março de 2001. Consultado em 25 de novembro de 2025