Euclydes Barbosa
| Informações pessoais | ||
|---|---|---|
| Nome completo | Euclydes Barbosa | |
| Data de nascimento | 17 de dezembro de 1909 | |
| Local de nascimento | São Paulo, São Paulo, Brasil | |
| Data da morte | 26 de fevereiro de 1988 (78 anos) | |
| Local da morte | São Paulo, São Paulo, Brasil | |
| Apelido | Jaú[1] | |
| Informações profissionais | ||
| Período em atividade | 1932–1944 (13 anos) | |
| Posição | zagueiro | |
| Clubes de juventude | ||
| Scarpo-SP | ||
| Clubes profissionais | ||
| Anos | Clubes | Jogos e gol(o)s |
| 1932–1938 1938–1942 1942 1943 1944 |
Corinthians Vasco da Gama Madureira Portuguesa de Desportos Santos |
145 (0) 95 (1)[2] [1] 0 (0) 0 (0) 23 (0) |
| Seleção nacional | ||
| 1936–1940 | Brasil | 10 (0)[3] |
Euclydes Barbosa, mais conhecido como Jaú (São Paulo, 17 de dezembro de 1909[4] — São Paulo, 26 de fevereiro de 1988), foi um futebolista brasileiro, que atuou como zagueiro, entre outros clubes, do Sport Club Corinthians Paulista e do Vasco da Gama, além de defender a Seleção Brasileira.[5]
Ganhou o apelido de Jaú, nome do primeiro hidroavião brasileiro a fazer a travessia do Oceano Atlântico, por ter boa impulsão.[6][7]
Carreira
Futebol
Barbosa foi um dos zagueiros mais técnicos e celebrados do futebol brasileiro entre as décadas de 1930 e 1940.[8] Iniciou sua trajetória de destaque no Corinthians em 22 de maio de 1932, na vitória sobre o Atlético Santista por 5 a 1, em partida válida pelo Campeonato Paulista de 1932, realizada na Fazendinha.[7] Naquele ano, virou notícia nacional ao recusar uma oferta de suborno em um jogo contra o Palmeiras, mas mesmo assim ficou com a pecha de vendido até deixar o clube.[7][9]
Ficou no Timão até o início de 1938, sendo sua última das 145 partidas pelo clube realizada em 6 de fevereiro.[7]
No Timão, Jaú compôs uma linha defensiva histórica,[8] conquistando o título de campeão paulista em 1937[7][8] — primeiro título profissional da história do clube[7] —, e sendo reverenciado por sua elegância e liderança em campo.[8] Ficou no clube até o início de 1938, sendo a última de suas 145 partidas pelo clube realizada em 6 de fevereiro daquele ano.[7]
Sua habilidade o levou à Seleção Brasileira, pela qual disputou a Copa do Mundo de 1938 na França,[8] como um dos titulares em sua posição,[10] ajudando o país a conquistar o terceiro lugar, na melhor campanha brasileira até então.[8] Ao todo, disputou dez partidas pela seleção, sem ter marcado nenhum gol.[10]
Sua trajetória nos gramados também foi marcada pelo pioneirismo e pela resistência ao racismo estrutural da época.[8] Além do Corinthians, teve passagens importantes por clubes como o Scarpo-SP,[4][10][11][1] o Madureira — integrando o famoso "Trio de Ferro" suburbano —, o Vasco da Gama, a Portuguesa e o Santos, onde encerrou sua carreira em 1944.[8][10][11][1] Jaú notabilizou-se por gestos de profunda conexão espiritual, como o ato de tocar o gramado com a testa antes das partidas, uma prática que se tornou sua marca registrada e era respeitada por companheiros e adversários como um "toque de sorte".[8]
Religiosidade
Barbosa se destacou como uma das figuras mais emblemáticas na preservação das raízes africanas da Umbanda em São Paulo durante o século XX. Após encerrar sua carreira no futebol em 1944,[8] dedicou-se integralmente ao sacerdócio como pai de santo,[7][8] fundando seu terreiro na Zona Leste da capital paulista. Sua atuação religiosa foi marcada pela resistência ao processo de "embranquecimento" e "desafricanização" da Umbanda, defendendo o caráter ritualístico e ancestral da religião em oposição às tentativas de higienização doutrinária promovidas por setores da elite da época.[8]
Devido à sua visibilidade e à prática de uma vertente religiosa fortemente vinculada à negritude, Jaú foi alvo de sistemática perseguição estatal e intolerância religiosa. Registros históricos apontam que o ex-zagueiro sofreu diversas detenções e episódios de violência policial, tendo seu terreiro invadido sob acusações infundadas de "feitiçaria". Mesmo diante da repressão, consolidou-se como uma liderança comunitária e espiritual de grande prestígio, unindo sua identidade como ídolo esportivo à luta pela dignidade e reconhecimento dos cultos afro-brasileiros até o fim de sua vida.[8]
Títulos
- Corinthians
- Campeonato Paulista: 1937[1]
- Torneio Início Paulista: 1936 e 1938
- Taça Cidade de Salvador: 1936
- Vasco da Gama
- Portuguesa de Desportos
- Santos
- Taça Santa Casa de Ribeirão Preto: 1944
- Seleção Paulista
- Campeonato Brasileiro de Seleções Estaduais: 1934 e 1936
Referências
- ↑ a b c d e «Jaú... Ex-zagueiro do Corinthians». Terceiro Tempo. Consultado em 30 de agosto de 2018
- ↑ «Há 114 anos nascia o zagueiro Jaú, que jogou no Vasco entre 1938 e 1942». netvasco.com. Consultado em 22 de abril de 2024
- ↑ «Todos os brasileiros». Folha de S.Paulo. 9 de dezembro de 2015. Consultado em 30 de agosto de 2018
- ↑ a b «Especial - 2010 - Todos os brasileiros - 1938». Folha de S.Paulo. Consultado em 24 de janeiro de 2026
- ↑ Micheletti, Rogério. «Jaú - Que fim levou?». Terceiro Tempo. Consultado em 24 de janeiro de 2026. Cópia arquivada em 18 de novembro de 2019
- ↑ «Jaú». Terceiro tempo. Terceiro Tempo. Consultado em 29 de julho de 2024
- ↑ a b c d e f g h «Grandes ídolos - Jaú». Estadão. Consultado em 1 de maio de 2025
- ↑ a b c d e f g h i j k l m Aurélio, Marco (15 de abril de 2024). «Pai Jaú: macumba, futebol e negritude no Brasil do século 20». Revista Opera. Consultado em 24 de janeiro de 2026
- ↑ «As chagas do sport». Memória BN. Jornal dos Sports (RJ) de 9 de setembro de 1932. Consultado em 29 de julho de 2024
- ↑ a b c d Todos os Brasileiros na Copa de 1938 - Folha Online, Especial Copa do Mundo de 2006
- ↑ a b «Almanaque Dos Craques Do Santos FC | PDF | Clubes de Futebol | Futebol». Scribd. Consultado em 11 de novembro de 2025
Ligações externas
- Perfil de Jaú (em inglês) em soccerway