Eucidaris tribuloides

Eucidaris tribuloides (Lamarck, 1816)

Estado de conservação
Espécie pouco preocupante
Pouco preocupante (IUCN 3.1) [1]
Classificação científica
Reino: Animalia
Filo: Echinodermata
Classe: Echinoidea
Ordem: Cidaroida
Família: Cidaridae
Gênero: Eucidaris
Espécie: E. tribuloides
Nome binomial
Eucidaris tribuloides 
(Lamarck, 1816) [2]

Eucidaris tribuloides, popularmente conhecida como ouriço-satélite, é uma espécie de equinoide onívora com ampla distribuição em águas tropicais e subtropicais do Oceano Atlântico.[3]

Distribuição geográfica

E. tribuloides está distribuída por ambos os lados do Oceano Atlântico. No lado ocidental, ocorre desde o Cabo Hatteras, na Carolina do Norte, EUA, até o estado do Rio de Janeiro, no Brasil. É muito comum nos mares caribenhos também.[4][5][6] No lado oriental, na costa ocidental africana, ocorre nas Ilhas de Cabo Verde, no Golfo da Guiné e na Ilha da Ascensão.[7] É considerada espécie invasora no mar Mediterrâneo.[8]

Morfologia

Carapaça globular, levemente achatada na direção oral-aboral. Espinhos primários espessos e cilíndricos, de tamanho médio, com a extremidade formada por uma pequena coroa de dentículos esbranquiçados e com as pontas levemente pintadas de marrom, em indivíduos adultos, e em jovens, com bandas alternadas brancas e castanho-avermelhadas. Muitas vezes estes espinhos possuem briozoários, algas e outros animais incrustantes ao seu redor. Os espinhos secundários são bastante comprimidos, bem menores que os espinhos primários e situados ao redor destes. Os espinhos secundários também são encontrados na região do periprocto e do perístoma. Os espinhos não são cobertos por tecido. As cinco zonas ambulacrais são levemente sinuosas e ladeadas por espinhos secundários. A região interambulacral é formada por duas fileiras de nove espinhos primários cada uma. As pedicelárias globíferas podem ser observadas na região do perístoma.[9] Seus órgãos reprodutivos (ou gônadas) são estruturas discretas e se desenvolvem como ácinos ou túbulos – compostos por um epitélio germinal, tecido muscular, tecido conectivo e peritônio – levemente fusionados e suspensos por um mesentério no interior da cavidade do celoma.

Ecologia

E. tribuloides é uma cidarídea de águas tropicais a subtropicais do Oceano Atlântico. — HabitatE. tribuloides é epibentônica e subtidal, habita os tapetes de ervas marinhas, os fundos rochosos, as fendas, lagoas de fundo e zonas de rebordo, as areias e cascalhos, de recifes e atóis, usando seus espinhos primários para se mover e se ancorar sob as rochas ou em fendas.[10] Ouriços-do-mar são fundamentais para a teia trófica dos ecossistemas que habitam, como predadores e presas de diversos animais. A oscilação em sua população é um importante indicativo ecológico das mudanças na abundância de peixes e invertebrados carnívoros, seus predadores.[11]Hábitos alimentares — ouriços-do-mar são vorazes e a biomassa de sua população pode causar mudanças significativas na comunidade bentônica por meio da predação e da bioerosão do substrato calcificado. O ouriço-satélide é um onívoro bentônico, de hábito noturno, permace ancorado durante o dia, para forragear à noite, sem se afastar muito de sua localidade. E. tribuloides alimenta-se das algas marinhas, detritos orgânicos e, principalmente, dos invertrebados incrustrados, como poliquetas, esponjas e crinóides, que raspa das rochas e outros substratos com sua estrutura bucal especializada (lanterna de Aristóteles).[12]Reprodução — a reprodução de E. tribuloides é influênciada pelas estações climáticas, ciclos do sol e da lua.[13][14][15][16]

Referências

  1. «Eucidaris tribuloides (Lamarck, 1816)». SibBr. Catálogo Taxonômico da Fauna do Brasil e Lista da Flora do Brasil 2020. Consultado em 23 de maio de 2025. Cópia arquivada em 29 de maio de 2025 
  2. Lamarck, J. B. P. A. M. de; et al. (1816). «Histoire des Radiaires: Cidarite». Histoire naturelle des animaux sans vertèbres. 3. [S.l.]: J. B. Baillière. p. 380 
  3. «Eucidaris tribuloides (Lamarck, 1816)». SibBr. Catálogo Taxonômico da Fauna do Brasil e Lista da Flora do Brasil 2020. Consultado em 23 de maio de 2025. Cópia arquivada em 29 de maio de 2025 
  4. Cerame-Vivas, M. J.; Gray, I. E. (1966). «The distributional pattern of benthic invertebrates of the continental shelf off North Carolina». Ecology. 47 (2): 260–270. doi:10.2307/1933773 
  5. Luiz Roberto Tommasi (1972). «Equinodermes da região entre o Amapá (Brasil) e a Flórida (E.U.A.) II: echinozoa». Bol. Inst. Oceanogr. 21. doi:10.1590/S0373-55241972000100002 
  6. Bernasconi, Iyear=1955). «Equinoideos y asteroideos de la coleccion del Instituto Oceanografico de la Universidad de San Pablo». Boletim do Instituto Oceanográfico (em espanhol). 6 (1–2)): 51–77. doi:10.1590/s0373-55241955000100002 
  7. Obeng, Juliet Afrah (2021). A study of sea urchin populations along the rocky coast of Ghana with a note on Its fishery. Dissertação (Tese de Mestrado) (em inglês). Ghana: University of Cape Coast. 128 páginas 
  8. Sciberras, M.; Schembri, P. J. (2007). «A critical review of records of alien marine species from the Maltese Islands and surrounding waters (Central Mediterranean)». Mediterranean Marine Science (em inglês). 8 (1): 41–66. doi:10.12681/mms.162 
  9. Manso, C. L. C.; Alves, O. F. S.; Martins, L. R. (2008). «Echinodermata da Baía de Todos os Santos e da Baía de Aratu (Bahia, Brasil)». Biota Neotrop. 8 (3): 179–196 
  10. Collin, R.; Díaz, M. C.; Norenburg, J.; Rocha, R. M.; Sánchez, J. A.; Schulze, M.; Schwartz, A.; Valdés, A. (2005). Photographic identification guide to some common marine invertebrates of Bocas Del Toro, Panama (PDF). Caribbean Journal of Science. 41. [S.l.: s.n.] p. 638-707 
  11. Ateweberhan, M., Gough, C., Fennelly, L., and Frejaville, Y. (2012). «Nearshore Rocky Reefs of Western Ghana, West Africa: Baseline ecological research surveys.» (PDF). London, United Kingdom. Blue Ventures Conservation. 104 páginas 
  12. Santos , C. P.; Coutinho, A. B.; Hajdu, E. (2002). «Spongivory by Eucidaris tribuloides from Salvador, Bahia (Echinodermata: Echinoidea (PDF). Journal of the Marine Biological Association of the UK. 82: 295 - 297. doi:10.1017/S0025315402005477 
  13. Lessios, H. A. (1991). «Presence and absence of monthly reproductive rhythms among eight Caribbean echinoids off the coast of Panama». Journal of Experimental Marine Biology and Ecology. 153 (1): 27-47. doi:10.1016/S0022-0981(05)80004-8 
  14. McPherson, B. F. (1968). «Contributions to the biology of the sea urchin Eucidaris tribuloides (Lamarck)» (PDF). Bulletin of Marine Science. 18: 400–443 
  15. Mortensen, Th. (1928). «I. Cidaroidea. Text» (PDF). A Monograph of the Echinoidea (em inglês). Copenhagen: C.A. Reitzel. London: Humphrey Milford. Oxford University Press. 551 páginas 
  16. Mortensen, Th. (1928). «I. Cidaroidea. Plates» (PDF). A Monograph of the Echinoidea (em inglês). Copenhagen: C.A. Reitzel. London: Humphrey Milford. Oxford University Press. 116 páginas