Eucalyptus agglomerata

Eucalyptus agglomerata
Eucalyptus agglomerata no Parque Nacional Watagans [en]
Eucalyptus agglomerata no Parque Nacional Watagans [en]
Estado de conservação
Espécie pouco preocupante
Pouco preocupante (IUCN 3.1) [1]
Classificação científica
Reino: Plantae
Clado: Planta vascular
Clado: Angiosperma
Clado: Eudicotyledoneae
Clado: Rosídeas
Ordem: Myrtales
Família: Myrtaceae
Gênero: Eucalyptus
Espécie: E. agglomerata
Nome binomial
Eucalyptus agglomerata
Maiden[2]

Eucalyptus agglomerata[3] é uma árvore endêmica do leste da Austrália. Possui casca fibrosa e persistente, folhas verdes ou verde-acinzentadas com um brilho azulado, gomos florais em grupos de onze a quinze, flores brancas a cor creme e frutos hemisféricos achatados e aglomerados.

Folhagem de E. agglomerata.
Gomos florais de E. agglomerata.
Frutos de E. agglomerata.

Descrição

O Eucalyptus agglomerata é uma árvore que atinge até 40 metros de altura, caracterizada por uma casca espessa e fibrosa, geralmente cinza sobre um tom marrom-avermelhado. As folhas das árvores jovens são verdes, brilhantes, onduladas e peludas, com formato lanceolado amplo a ovado. Já as folhas adultas são glabras, de lanceoladas a amplamente lanceoladas, medindo entre 75 e 120 mm de comprimento e 14 a 30 mm de largura. Elas variam de verdes a verde-acinzentadas, com tonalidade semelhante em ambas as faces, exibindo um brilho sutil e uma nuance azulada que, à distância, dá à folhagem uma aparência azul-esverdeada. Os gomos florais aparecem em grupos de onze a quinze, sustentados por um pedúnculo achatado ou angular de 6 a 13 mm de comprimento, sem pedicelos nos gomos individuais. Os gomos maduros têm formato oblongo ou fusiforme, com 7 a 8 mm de comprimento e cerca de 3 mm de largura, apresentando uma caliptra cônica tão longa e larga quanto o hipanto. As flores são brancas e a floração ocorre principalmente entre outubro e janeiro. Os frutos são hemisféricos achatados e aglomerados, medindo de 3 a 5 mm de comprimento por 5 a 10 mm de largura.[4][5][6][7][8]

Taxonomia e nomenclatura

O Eucalyptus agglomerata foi descrito formalmente em 1922 por Joseph Henry Maiden, com a descrição publicada no Journal and Proceedings of the Royal Society of New South Wales. O espécime-tipo foi coletado por Maiden em 1896 em Hill Top [en], na região das Terras Altas do Sul de Nova Gales do Sul.[9][10][11] O epíteto específico (agglomerata) é um adjetivo em latim que significa "aglomerado" ou "reunido em massa",[12] em referência aos frutos agrupados.[4]

Distribuição e habitat

O Eucalyptus agglomerata é frequentemente encontrado em encostas suaves a moderadas nas áreas costeiras e de planalto, embora também cresça em declives acentuados das Montanhas Azuis. Os solos variam em tipo, alguns de baixa qualidade, mas a maioria apresenta boa umidade no subsolo. Solos podzólicos oferecem os melhores resultados. Predominam solos sedimentares, derivados de folhelhos e arenitos, e, em menor escala, de ardósias.[9] O clima é geralmente quente e úmido, com precipitação anual entre 700 e 1.500 mm. Geadas são comuns nas altitudes mais elevadas de sua distribuição, mas ausentes nos habitats costeiros mais baixos. A temperatura média máxima do mês mais quente varia de 25 a 31 °C, enquanto a mínima do mês mais frio fica entre -2 e 6 °C. A espécie ocorre a até 120 km do mar.[9]

Está presente nas regiões leste-central e sul de Nova Gales do Sul, distribuindo-se ao norte até Wauchope [en][13] e ao sul até logo após a fronteira com Victoria, alcançando o Parque Nacional Croajingolong [en].

Ecologia

O Eucalyptus agglomerata é uma árvore usada como alimento por coalas.[14] Um estudo de campo realizado em 2000 no distrito de Campbelltown, sudoeste de Sydney, revelou que os coalas preferem o Eucalyptus agglomerata e o Eucalyptus punctata quando essas espécies crescem em solos derivados de folhelho, em vez de arenito.[15]

Uso em horticultura

Embora raramente cultivada, a espécie tem potencial como quebra-vento ou árvore de proteção.[4]

Madeira

O alburno, de tom marrom-claro, é resistente ao besouro Lyctus brunneus. O cerne, também marrom-claro, possui textura moderadamente fina com alguns grãos entrelaçados. Pesa 930 kg por metro cúbico, seca lentamente e é utilizado em construções gerais e cercas.[9]

Referências

  1. Fensham, R.; Collingwood, T.; Laffineur, B. (2019). «Eucalyptus agglomerata». Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas. 2019: e.T133374686A133374688. doi:10.2305/IUCN.UK.2019-3.RLTS.T133374686A133374688.enAcessível livremente. Consultado em 20 de setembro de 2021 
  2. «Eucalyptus agglomerata». APNI. Consultado em 17 de fevereiro de 2019 
  3. Philip A. Clarke (2012). Australian plants as Aboriginal Tools. [S.l.]: Rosenberg Publishing. ISBN 9781922013576 
  4. a b c Elliot, Rodger W.; Jones, David L.; Blake, Trevor (1986). «Eu-Go». In: Elliot, Rodger W.; Jones, David L. Encyclopaedia of Australian Plants suitable for cultivation. 4. Lothian Publishing. p. 16. ISBN 0-85091-213-X 
  5. «Eucalyptus agglomerata». Euclid: Centre for Australian National Biodiversity Research. Consultado em 18 de fevereiro de 2019 
  6. Chippendale, George McCartney. «Eucalyptus agglomerata». Australian Biological Resources Study, Department of the Environment and Energy, Canberra. Consultado em 18 de fevereiro de 2019 
  7. Hill, Ken. «Eucalyptus agglomerata». Royal Botanic Garden Sydney. Consultado em 18 de fevereiro de 2019 
  8. Brooker, M. Ian; Slee, Andrew V. «Eucalyptus agglomerata». Royal Botanic Gardens Victoria. Consultado em 18 de fevereiro de 2019 
  9. a b c d Forest Trees of Australia, D.J. Boland et al. 1992 ISBN 0-909605-57-2 página 282
  10. «Eucalyptus agglomerata». APNI. Consultado em 18 de fevereiro de 2019 
  11. Maiden, Joseph H. (1922). «On an additional blue-leaf stringybark». Journal and Proceedings of the Royal Society of New South Wales. 55: 266–269. Consultado em 18 de fevereiro de 2019 
  12. Brown, Roland Wilbur (1956). The Composition of Scientific Words. Washington, D.C.: Smithsonian Institution Press. p. 119 
  13. «Eucalyptus agglomerata». PlantNET - NSW Flora Online. Consultado em 12 de abril de 2010 
  14. «Australian Koala Foundation - Koalas». Consultado em 16 de abril de 2010. Cópia arquivada em 13 de setembro de 2009 
  15. Phillips, Stephen; Callaghan, John (2000). «Tree species preferences of koalas (Phascolarctos cinereus) in the Campbelltown area south-west of Sydney, New South Wales». Wildlife Research. 27 (5): 509–16. doi:10.1071/WR98087 

Fontes adicionais

  • A Field Guide to Eucalypts - Brooker & Kleinig volume 1, ISBN 0-909605-62-9 p. 67