Estrela verde (astronomia)

Em astronomia, uma estrela verde é uma estrela branca ou azulada que aparece esverdeada em algumas condições de visualização. Sob condições de visão típicas, não há estrelas esverdeadas, porque a cor de uma estrela é mais ou menos dada por um espectro de corpo negro.[1] No entanto, existem algumas estrelas que parecem esverdeadas para alguns observadores, devido às condições de visualização, por exemplo, a 'ilusão' óptica de que um objeto vermelho pode fazer objetos próximos parecerem esverdeados (e vice-versa).[2]
A ausência de uma verdadeira Estrela Verde na astronomia é explicada fundamentalmente pela física da radiação de corpo negro, regida pela Lei do Deslocamento de Wien. Fisicamente, uma estrela é um corpo negro que emite radiação em um espectro contínuo de cores, cuja intensidade máxima depende de sua temperatura de superfície. Embora estrelas de temperatura intermediária, como o nosso Sol (cerca de 5.000 a 6.000 Kelvin), tenham o pico de sua emissão de radiação na porção verde-amarelada do espectro visível, a emissão total de luz nessas estrelas inclui contribuições significativas de todos os outros comprimentos de onda, desde o azul-violeta até o vermelho. O olho humano, ao perceber a soma de todas essas cores, as funde, resultando em uma cor percebida como branca ou, no caso do Sol, amarelada, e nunca verde. Se a temperatura da estrela fosse alta o suficiente para deslocar o pico de emissão mais para o verde, a quantidade de luz emitida na extremidade azul e violeta do espectro seria tão intensa que dominaria a percepção final, fazendo com que a estrela parecesse branco-azulada, e não verde. Portanto, a percepção de uma "estrela verde" é sempre uma ilusão de ótica, causada seja pelo forte contraste visual em sistemas estelares binários (como a companheira azul de Antares, que parece verde perto do seu brilho vermelho), ou por um efeito de dispersão atmosférica quando a estrela está perto do horizonte.
Nessas configurações, a cor verde não é uma emissão real da estrela, mas sim o resultado de uma percepção visual humana. Em sistemas onde uma estrela primária é uma gigante vermelha ou alaranjada extremamente brilhante, e a estrela companheira é uma estrela menos luminosa e de cor azul-branca intrínseca, esta companheira pode parecer verde. O exemplo mais notável é o sistema Antares (a Scorpii): a supergigante vermelha Antares A domina intensamente o campo visual com sua luz vermelha. A sua companheira, Antares B (que é uma estrela de sequência principal azul-branca), é frequentemente descrita como "esverdeada" devido ao fortíssimo contraste com a cor vermelha da primária. Essencialmente, o cérebro subtrai a cor vermelha dominante e percebe a cor complementar—o verde—na luz da estrela vizinha, criando a ilusão.
Raramente, estrelas que estão muito próximas do horizonte podem parecer piscar ou cintilar em verde (e outras cores) para um observador terrestre. Este é um efeito de refração atmosférica e dispersão da luz, onde a atmosfera age como um prisma, separando as cores do feixe de luz da estrela. É o mesmo mecanismo que causa o fenômeno do "flash verde" do Sol ao se pôr.
Referências
- ↑ Cain, Fraser (10 de fevereiro de 2009). «Are there Green Stars?». Universe Today (em inglês). Consultado em 5 de junho de 2022
- ↑ Conway, Bevil R. (31 de julho de 2002). Neural Mechanisms of Color Vision: Double-Opponent Cells in the Visual Cortex (em inglês). [S.l.]: Springer Science & Business Media