Estação Ferroviária de Sousel
Sousel
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| Linha(s): | Ramal de Portalegre (PK 194,472) |
| Coordenadas: | 🌍 |
| Município: | Sousel |
| Inauguração: | 23 de Agosto de 1925 |
| Encerramento: | 2 de Janeiro de 1990 |
A Estação Ferroviária de Sousel, originalmente denominada de Souzel, foi uma interface do Ramal de Portalegre, que servia a vila de Sousel, no Distrito de Portalegre, em Portugal. Foi inaugurada em 23 de Agosto de 1925, tendo sido o terminal provisório da linha até 20 de Janeiro de 1937, quando entrou ao serviço o troço seguinte, até Cabeço de Vide.[1]
Descrição
A estação de Sousel está enfeitada com azulejos de padrão com cor verde acinzentada e verde de desenho relevado, originários da Fábrica de Loiça de Sacavém.[2]
Em 2017, a divisão de Património da operadora Infraestruturas de Portugal fez o inventário do antigo complexo ferroviário de Sousel, como parte do programa Revive, tendo sido descrito como tendo uma área coberta 876 m² e bruta de construção de 993 m², e composto por um edifício de passageiros, instalações sanitárias, um cais coberto, cinco casas de habitação, e um depósito de água.[3] De entre o património constante na antiga estação, destacaram-se os elementos dos azulejos, das duas tomas de água, do depósito de água, do guindaste, e do gabarito no exterior. No interior do edifício, realçaram-se a bilheteira, com um separador de filas, o balcão do despacho de bagagens, e um pilar decorado.[4]
História
Planeamento
Após a construção da Linha do Leste, o capitão de engenharia Manuel Raimundo Valadas criticou o seu traçado, tendo defendido a instalação de uma linha férrea de Estremoz a Elvas via Sousel, num artigo na Revista das Obras Públicas e Minas.[5] Em 4 de Agosto de 1877, uma comissão da Associação dos Engenheiros Civis Portugueses apresentou um relatório dos estudos que tinha feito sobre a rede de caminhos de ferro nacional, tendo sugerido a construção de uma linha de Estremoz a Chança, passando por Sousel e Fronteira.[6]
No âmbito dos estudos para a elaboração do Plano da Rede ao Sul do Tejo, publicado por um decreto de 27 de Novembro de 1902,[7] foi planeada uma linha entre Estremoz e Portalegre,[8][9] transitando por Sousel, Cano, Fronteira e Cabeço de Vide.[10] Porém, esta linha só foi classificada em 7 de Maio de 1903, em bitola estreita, e com um traçado modificado, embora mantendo a passagem por Sousel.[8][11][12][7][13]
O concurso para a Linha de Portalegre decorreu em 23 de Setembro de 1903, tendo a obra sido entregue a José Pedro de Mattos.[13][14] A notícia da concessão foi recebida com entusiasmo pelos habitantes das povoações onde este caminho de ferro iria passar, incluindo Sousel.[15] No entanto, diversas complicações de ordem financeira e política impediram o concessionário de terminar a obra, pelo que a construção e exploração da linha passou para a responsabilidade do Estado.[8]
Construção e inauguração
Em 10 de Outubro de 1916, a Direcção dos Caminhos de Ferro do Sul e Sueste da operadora Caminhos de Ferro do Estado levou a cabo a arrematação para o concurso de construção da Estação de Sousel, enquadrado na construção do primeiro lanço da Linha de Portalegre.[16] Esta empreitada consistia no edifício de passageiros, um cais coberto e outro descoberto, uma fossa, uma retrete, uma curraleta, e várias habitações para os funcionários.[16] O lanço entre Estremoz e Sousel do Ramal de Portalegre entrou ao serviço em 23 de Agosto de 1925,[17] tendo sido realizada uma cerimónia de inauguração.[18]
Abertura do troço até Cabeço de Vide
O Decreto 18.190, de 28 de Março de 1930, reorganizou a rede ferroviária portuguesa, tendo a construção do lanço entre Sousel a Portalegre sido considerada como prioritária.[19][20] Assim, o lanço seguinte da Linha de Portalegre,[21] até Cabeço de Vide, entrou ao serviço em 20 de Janeiro de 1937.[8][22]
Encerramento
O lanço entre Estremoz e Portalegre foi encerrado pela empresa Caminhos de Ferro Portugueses em 2 de Janeiro de 1990.[23]
Recuperação
Em 2020, a estação de Sousel foi integrada no programa Revive Ferrovia da Secretaria de Estado do Turismo, que tinha como finalidade promover a reabilitação e a reutilização, com fins turísticos, de várias gares ferroviárias encerradas e devolutas em território nacional.[24]
Ver também
- Comboios de Portugal
- Infraestruturas de Portugal
- Transporte ferroviário em Portugal
- História do transporte ferroviário em Portugal
Referências
- ↑ MARTINS et al, 1996:255-259
- ↑ SAPORITI, 2006:288
- ↑ «Estação de Sousel». Revive Natureza. Consultado em 15 de Agosto de 2025
- ↑ CABRITA, Bruno; AZEVEDO, Paula (8 de Junho de 2017). «Ficha de inventário de bens móveis, património integrado e maquinaria pesada» (PDF). IP Património. Revive Natureza. Consultado em 15 de Agosto de 2025
- ↑ GAMA, Eurico (16 de Março de 1956). «Achegas para a História do Caminho de Ferro do Leste» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. Ano 69 (1638). Lisboa. p. 144-146. Consultado em 15 de Março de 2016 – via Hemeroteca Digital de Lisboa
- ↑ TEIXEIRA, Augusto César Justino (1 de Setembro de 1903). «Evora a Ponte de Sôr» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. Ano 16 (377). Lisboa. p. 295-297. Consultado em 14 de Junho de 2013 – via Hemeroteca Digital de Lisboa
- ↑ a b «Parte Official» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. Ano 16 (371). Lisboa. 1 de Junho de 1903. p. 178-190. Consultado em 14 de Junho de 2013 – via Hemeroteca Digital de Lisboa
- ↑ a b c d SOUSA, José Fernando de (1 de Fevereiro de 1937). «Abertura do novo troço da Linha de Portalegre» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. Ano 49 (1179). Lisboa. p. 75-77. Consultado em 14 de Junho de 2013
- ↑ SOUSA, José Fernando de (1 de Dezembro de 1902). «A rêde ferro-viaria ao Sul do Tejo» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. Ano 15 (359). Lisboa. p. 354-356. Consultado em 14 de Junho de 2013 – via Hemeroteca Digital de Lisboa
- ↑ «Aviz a Coruche» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. Ano 16 (369). Lisboa. 1 de Maio de 1903. p. 144-145. Consultado em 14 de Junho de 2013 – via Hemeroteca Digital de Lisboa
- ↑ «Linhas do Valle do Sorraia» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. Ano 16 (370). Lisboa. 16 de Maio de 1903. p. 164. Consultado em 14 de Junho de 2013 – via Hemeroteca Digital de Lisboa
- ↑ SOUSA, José Fernando de (16 de Dezembro de 1926). «A revisão do plano ferroviário» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. Ano 39 (936). p. 361-362. Consultado em 14 de Junho de 2013 – via Hemeroteca Digital de Lisboa
- ↑ a b «Parte Official» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. Ano 16 (375). Lisboa. 1 de Agosto de 1903. p. 263-274. Consultado em 14 de Junho de 2013 – via Hemeroteca Digital de Lisboa
- ↑ «Parte Official» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. Ano 16 (382). Lisboa. 16 de Novembro de 1903. p. 377-378. Consultado em 14 de Junho de 2013 – via Hemeroteca Digital de Lisboa
- ↑ «Efemérides» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. Ano 51 (1228). Lisboa. 16 de Fevereiro de 1939. p. 135-138. Consultado em 29 de Novembro de 2015 – via Hemeroteca Digital de Lisboa
- ↑ a b «Arrematações» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. Ano 29 (690). Lisboa. 16 de Setembro de 1916. p. 287. Consultado em 14 de Junho de 2013 – via Hemeroteca Digital de Lisboa
- ↑ TORRES, Carlos Manitto (16 de Fevereiro de 1958). «A evolução das linhas portuguesas e o seu significado ferroviário» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. Ano 70 (1684). Lisboa. p. 91-95. Consultado em 14 de Junho de 2013 – via Hemeroteca Digital de Lisboa
- ↑ MAIO, José da Guerra (16 de Março de 1949). «Reflexões sobre as novas linhas de Portalegre e do Tâmega» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. Ano 61 (1470). Lisboa. p. 181-182. Consultado em 7 de Novembro de 2014 – via Hemeroteca Digital de Lisboa
- ↑ PORTUGAL. Decreto n.º 18:190, de 28 de Março de 1930. Ministério do Comércio e Comunicações - Direcção Geral de Caminhos de Ferro - Divisão Central e de Estudos - Secção de Expediente, Publicado no Diário do Governo n.º 83, Série I, de 10 de Abril de 1930.
- ↑ SOUSA, José Fernando de (16 de Setembro de 1939). «O Fundo Especial de Caminhos de Ferro: Relatório de 1938» (PDF). Ano 51 (1242). p. 425-427. Consultado em 29 de Novembro de 2015 – via Hemeroteca Digital de Lisboa
- ↑ «A Direcção Geral dos Caminhos de Ferro e o ano findo» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. Ano 46 (1081). 1 de Janeiro de 1933. p. 15-16. Consultado em 14 de Junho de 2013 – via Hemeroteca Digital de Lisboa
- ↑ TORRES, Carlos Manitto (16 de Março de 1958). «A evolução das linhas portuguesas e o seu significado ferroviário» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. Ano 71 (1686). Lisboa. p. 133-140. Consultado em 14 de Junho de 2013 – via Hemeroteca Digital de Lisboa
- ↑ «CP encerra nove troços ferroviários». Diário de Lisboa. Ano 69 (23150). Lisboa: Renascença Gráfica. 3 de Janeiro de 1990. p. 17. Consultado em 9 de Março de 2021 – via Casa Comum / Fundação Mário Soares
- ↑ SILVA, Nuno Miguel (29 de Setembro de 2020). «Estação ferroviária de Sousel: como dar nova vida a um equipamento desativado há mais de 30 anos». Jornal Económico. Consultado em 15 de Agosto de 2025
Bibliografia
- MARTINS, João Paulo; BRION, Madalena; SOUSA, Miguel de; LEVY, Maurício; AMORIM, Óscar (1996). O Caminho de Ferro Revisitado. O Caminho de Ferro em Portugal de 1856 a 1996. [S.l.]: Caminhos de Ferro Portugueses. 446 páginas
- SAPORITI, Teresa (2006). Azulejaria no Distrito de Portalegre. Lisboa: Dinalivro, Distribuidora Nacional de Livros, Lda. 381 páginas. ISBN 972-97653-3-2
Ligações externas
- «Galeria de fotografias da Estação de Sousel, no sítio electrónico Railfaneurope» (em inglês)
- «Página sobre a Estação de Sousel, no sítio electrónico Wikimapia»
- Estação Ferroviária de Sousel na base de dados SIPA da Direção-Geral do Património Cultural
