Estação Ferroviária de Carviçais

Carviçais
Linha(s): Linha do Sabor (PK 33,473)
Altitude: 620 m (a.n.m)
Coordenadas: 41°10′58.55″N × 6°53′7.99″W

(=+41.18293;−6.88555)

(mais mapas: 🌍; IGeoE)
Município: Torre de MoncorvoTorre de Moncorvo
Inauguração: 17 de setembro de 1911 (há 114 anos)
Encerramento: 1988 (há 37 anos)
Vestígios da antiga estação de Carviçais, em 2008.

A Estação Ferroviária de Carviçais, originalmente denominada de Carviçaes,[1] foi uma estação da Linha do Sabor, que servia a localidade de Carviçais, no Município de Torre de Moncorvo, em Portugal.

Infraestrutura

A estação de Carviçais possuía, além do edifício principal para uso dos passageiros (que se situava do lado sudeste da via)[2], um armazém para mercadorias. Possuía ainda um triângulo ferroviário, destinado às operações de inversão das locomotivas.[3] Vestígios desta instalação são ainda visíveis em fotografia aérea, a norte da via, cerca de 100 m a leste do edifício principal.[carece de fontes?] Próximo da estação, à margem da via, situava-se um celeiro da Federação Nacional de Produtores de Trigo (FNPT).[carece de fontes?]

História

Planeamento e inauguração

Em 1899, uma comissão técnica, que tinha sido encarregada de estudar as linhas a ser construídas na área a Norte do Rio Mondego, propôs a instalação de uma linha férrea de bitola ibérica até à região mirandesa, servindo desde logo as minas de Reboredo.[4] No entanto, este alvitre foi criticado pelas autoridades militares, pelo que, quando a linha foi oficialmente classificada, em 15 de Fevereiro de 1900, determinou que deveria ser de bitola métrica, enquanto que o lanço entre o Pocinho e Carviçais deveria ser bi-bitola, de forma a evitar o transbordo do minério no Pocinho.[4] Porém, quando foi aprovado o projecto definitivo para a linha, em Abril de 1904, foi planeada exclusivamente de via métrica.[4]

O lanço entre o Pocinho e Carviçais foi concluído nos princípios de 1911,[4] mas só entrou ao serviço em 17 de Setembro de 1911, tendo sido a primeira parte desta linha a ser aberta.[5][6][7]

Horário de 1916, onde a estação surge com o nome original, Carviçaes.

Prolongamento até Lagoaça e expansão da estação

Em Julho de 1926, já se previa que brevemente a linha iria ser continuada a partir de Carviçais.[8] Com efeito, o lanço seguinte, até Lagoaça, foi aberto em 6 de Julho de 1927.[6]

Em 1933, o Ministro das Obras Públicas e Comunicações aprovou um parecer da Direcção Geral de Caminhos de Ferro, sobre a escolha de um terreno junto à estação de Carviçais, para a instalação de oficinas de reparação de material circulante,[9] Empreendimento para o qual foi destinada a soma de 600 mil escudos, entre 1931 e 1932, .[10] Um diploma publicado no Diário do Governo n.º 240, II Série, de 13 de Outubro de 1937, aprovou o processo de expropriação dos terrenos junto à estação de Carviçais, para poder ser ali instalado um triângulo para a inversão de locomotivas.[11]

Encerramento

A linha foi encerrada em 1988.[12]

Ver também

Referências

  1. Horário de 1916
  2. (anónimo): Mapa 20 : Diagrama das Linhas Férreas Portuguesas com as estações (Edição de 1985), CP: Departamento de Transportes: Serviço de Estudos: Sala de Desenho / Fergráfica — Artes Gráficas L.da: Lisboa, 1985
  3. Diagrama da estação
  4. a b c d SOUSA, José Fernando de (1 de Junho de 1938). «Linha do Sabor: Inauguração do Troço de Mogadouro a Duas Igrejas» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. Ano 50 (1211). Lisboa. p. 251-252. Consultado em 24 de Dezembro de 2025 – via Hemeroteca Digital de Lisboa 
  5. «Troços de linhas férreas portuguesas abertas à exploração desde 1856, e a sua extensão» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. Ano 69 (1652). Lisboa. 16 de Outubro de 1956. p. 528-530. Consultado em 8 de Agosto de 2014 – via Hemeroteca Municipal de Lisboa 
  6. a b TORRES, Carlos Manitto (16 de Fevereiro de 1958). «A evolução das linhas portuguesas e o seu significado ferroviário» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. Ano 70 (1684). Lisboa. p. 91-95. Consultado em 8 de Agosto de 2014 – via Hemeroteca Municipal de Lisboa 
  7. OLIVEIRA, Armando (2017). «Estação Ferroviária de Carviçais». Sistema de Informação para o Património Arquitectónico. Instituto Público do Património Cultural. Consultado em 18 de novembro de 2024 
  8. «Linhas Portuguesas» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. Ano 39 (925). 1 de Julho de 1926. p. 208. Consultado em 8 de Agosto de 2014 – via Hemeroteca Municipal de Lisboa 
  9. «Direcção Geral de Caminhos de Ferro» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. Ano 46 (1087). 1 de Abril de 1933. p. 201. Consultado em 14 de Junho de 2017 – via Hemeroteca Municipal de Lisboa 
  10. SOUSA, José Fernando de (1 de Março de 1934). «Direcção Geral de Caminhos de Ferro: Relatório de 1931-1932» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. Ano 47 (1109). p. 127-130. Consultado em 14 de Junho de 2017 – via Hemeroteca Municipal de Lisboa 
  11. «Parte Oficial» (PDF). Gazeta dos Caminhos de Ferro. Ano 49 (1197). Lisboa. 1 de Novembro de 1937. p. 520-522. Consultado em 25 de Dezembro de 2025 – via Hemeroteca Municipal de Lisboa 
  12. REIS et al, 2006:150

Bibliografia

  • REIS, Francisco; GOMES, Rosa; GOMES, Gilberto; et al. (2006). Os Caminhos de Ferro Portugueses 1856-2006. Lisboa: CP-Comboios de Portugal e Público-Comunicação Social S. A. 238 páginas. ISBN 989-619-078-X 

Ligações externas