Estúdios do Lumiar

Estúdios do Lumiar
Informações gerais
TipoProdutora de televisão (1956-2007)
Inauguraçãodezembro de 1956 (1956-12)
Proprietário inicialRTP
Geografia
PaísPortugal Portugal
CidadeLisboa

Os Estúdios do Lumiar foram os primeiros espaços usados pela Rádio e Televisão de Portugal para as suas emissões regulares.[1]

História

Após as emissões experimentais na Feira Popular de Lisboa, em setembro de 1956, a RTP começou a preparar as infraestruturas para o início das suas emissões experimentais, tendo escolhido os estúdios do Lumiar, de forma provisória.[2][3] No entanto, seria usado durante os 50 anos seguintes.[1] Nestes estúdios, antes da chegada da RTP, foram produzidos filmes como "A Morgadinha dos Canaviais”, “Chaimite” e “O Cerro dos Enforcados".[3]

As emissões experimentais no Lumiar começaram a 3 de dezembro de 1956, ocupando o horário compreendido entre as 15h50 e as 19h, com pequenos filmes e ensaios técnicos, totalizando cerca de 90 horas de emissão.[4][5] Numa dessas emissões experimentais (a 7 de dezembro), a emissão abriu com o locutor Álvaro Baptista Pereira a anunciar o corte da transmissão durante dois minutos, em solidariedade para com o povo húngaro, na sequência da invasão do país pela União Soviética.[5]

Durante os meses seguintes, os horários de emissão foram alargados ao domingo, apesar da redução do número de horas em janeiro para 71. Já em fevereiro de 1957, começou a ser emitido o primeiro telejornal da história da televisão portuguesa: o Jornal de Actualidades, composto por 5 minutos de notícias lidas e 10 de material filmado.[6] Para além disso, foi introduzida a locução em estúdio,[6] a que se acrescentou a visita da Rainha Isabel II a Portugal, que constituiu a primeira emissão no exterior.[7][8]

As emissões regulares arrancaram a 7 de março,[9] tendo os estúdios do Lumiar, como sede da RTP, sido palco de vários eventos marcantes da história da televisão em Portugal, como o Festival RTP da Canção, o 25 de abril de 1974 (em que os estúdios foram ocupados pelo MFA),[10][11][12][13] entre outros.

Venda dos terrenos e atualidade

Por se tratar de uma concessão provisória, os estúdios viriam a ser encerrados a 3 de março de 2007,[1] e vendidos a 25 de maio do mesmo ano, pelo valor de 16 milhões de euros.[14][15] No entanto, apenas em 2011, o Tribunal Arbitral decidiu favoravelmente o registo da mais-valia da alienação,[16] após a entidade compradora ter apresentado um requerimento de arbitragem na Associação Comercial de Lisboa, em 2009.[15]

Atualmente, os edifícios dos estúdios encontram-se em avançado estado de degradação.[17][18]

Estúdios

Inicialmente, os estúdios ocupavam uma área de 296 m², com o estúdio A a ter 4 câmeras e o B (uma antiga sala de projeção) 2.[19] Anos mais tarde, o cinema do Lumiar, inaugurado em 1968, foi convertido em estúdio.[20]

Ao longo dos anos, viria a expandir a sua capacidade, tendo tido à sua disposição 5 estúdios.[21]

Estúdio A ou 1

Tratava-se do principal estúdio, onde eram emitidos programas como o Telejornal,[22] O Passeio dos Alegres,[23] o Festival RTP da Canção,[24] e emissões especiais dedicadas às eleições.[25] Para além disso, foi neste estúdio que foi lida a proclamação da Junta de Salvação Nacional, na madrugada de 26 de abril de 1974.[12]

Estúdio B ou 2

Neste estúdio, eram emitidos programas como o Telejornal (a partir da década de 1960), o Boletim Meteorológico,[26] Se Bem Me Lembro,[27] assim como a locução de continuidade.[26]

Estúdio C (Estúdio Cottinelli Telmo da Tóbis)

Estúdio com 19,5 x 24,5 metros de área e 8 metros de altura, alugado pela RTP à Tóbis Portuguesa entre 1963 e 1970. Eram produzidas e emitidas peças como as do Teleteatro ligeiro,[26] assim como programas musicais e de variedades, como por exemplo as primeiras cinco edições do Grande Prémio TV da Canção[28][29] e programas de música ligeira. A ligação desse estúdio ao complexo principal era feita por via de um cabo coaxial. Foi demolido um ano depois de ser usado.[30]

Estúdio D ou 3

Estúdio construído de raiz e tornado operacional no início de 1968, em preparação para as emissões do 2º Programa. Esse estúdio era pouco maior que o B e, tal como esse, foi de início destinado à emissão de telejornais, boletins meteorológicos, locuções e programas de baixa produção para ambos os canais e possuindo uma régie de continuidade com visibilidade direta para o estúdio e capaz de serem para lá delegados, por via da Central Técnica, todos os meios existentes: Videotapes, telecinemas, estúdios e exteriores.[31] Em 1980, adequando o inicio das emissões a cores, o estúdio foi abandonado por não apresentar então possibilidades de reapetrechamento,[32] mas voltou a estar operacional a partir de abril de 1982 após ter sido sujeito a obras de expansão de sua área e à instalação de uma nova régie e equipamentos.[33]

Estúdio 4

Tornado operacional a partir de 21 de março de 1976, apesar de fazer parte de um edifício cuja obra foi concluída cerca de um ano antes, o Estúdio 4 do Lumiar, com uma área de cerca de 140m², ficou inicialmente reservado aos programas da Direção de Informação, como o Telejornal e as coberturas dos três atos eleitorais ocorridos nesse ano.[34] Mas também foram feitos neste estúdio, programas nos géneros de concursos, infantis e talk-shows.

Referências

  1. a b c DN, Redação (7 de março de 2007). «Estúdios do Lumiar foram a primeira fábrica de sonhos da TV». Diário de Notícias. Consultado em 23 de junho de 2025 
  2. «Irmãos Lumiar». Consultado em 23 de junho de 2025 
  3. a b Teves, Vasco Hogan. «RTP/Lumiar: as experiências continuam». museu.rtp.pt. Consultado em 23 de junho de 2025 
  4. Teves, Vasco Hogan. «RTP/Lumiar: as experiências continuam». museu.rtp.pt. Consultado em 23 de junho de 2025 
  5. a b Teves, Vasco Hogan. «RTP/Lumiar: as experiências continuam». museu.rtp.pt. Consultado em 23 de junho de 2025 
  6. a b Teves, Vasco Hogan. «RTP/Lumiar: as experiências continuam». museu.rtp.pt. Consultado em 23 de junho de 2025 
  7. «Visita de Sua Majestade a Rainha Isabel II – Parte I». Consultado em 23 de junho de 2025 
  8. «Visita de Sua Majestade a Rainha Isabel II – Parte II». Consultado em 23 de junho de 2025 
  9. Teves, Vasco Hogan. «As emissões regulares». museu.rtp.pt. Consultado em 23 de junho de 2025 
  10. «Edição Especial do Telejornal no dia 25 de Abril de 1974». Consultado em 23 de junho de 2025 
  11. «Ocupação da RTP pelos Militares». Consultado em 23 de junho de 2025 
  12. a b «Proclamação da Junta de Salvação Nacional». Consultado em 23 de junho de 2025 
  13. «Retirada de Tropas da RTP». Consultado em 23 de junho de 2025 
  14. «Relatório e Contas 2008» (PDF). Rádio e Televisão de Portugal. Consultado em 2 de julho de 2025 
  15. a b «Relatório e Contas 2009» (PDF). Rádio e Televisão de Portugal. Consultado em 2 de julho de 2025 
  16. «Relatório e Contas 2011» (PDF). Rádio e Televisão de Portugal. Consultado em 2 de julho de 2025 
  17. «Terrenos e instalações dos antigos estúdios da RTP no Lumiar». Assembleia Municipal de Setúbal. 22 de março de 2021. Consultado em 23 de junho de 2025 
  18. AbrilAbril (25 de março de 2021). «Requalificação dos antigos estúdios da RTP tarda a sair do papel». AbrilAbril. Consultado em 23 de junho de 2025 
  19. Teves, Vasco Hogan. «RTP/Lumiar: as experiências continuam». museu.rtp.pt. Consultado em 23 de junho de 2025 
  20. «Inauguração do Cinema Lumiar». Consultado em 23 de junho de 2025 
  21. Teves, Vasco Hogan. «A RTP aos 25 Anos, as primeiras telenovelas portuguesas». museu.rtp.pt. Consultado em 23 de junho de 2025 
  22. Saraiva, Maria do Rosário; Fernandes, Luciana; Azevedo, José (31 de outubro de 2009). «O Telejornal sob o olhar da cenografia: Da experimentação à imagem de marca». Comunicação e Sociedade: 149–162. ISSN 2183-3575. doi:10.17231/comsoc.15(2009).1049. Consultado em 23 de junho de 2025 
  23. Costa, João (6 de agosto de 2019). «O Passeio dos Alegres | Brinca Brincando». Consultado em 23 de junho de 2025 
  24. machado, Ana Machado, Ana (24 de abril de 2006). «25 de Abril de 1976 O dia da revolução da cor na televisão portuguesa». PÚBLICO. Consultado em 23 de junho de 2025 
  25. «Cobertura televisiva do dia das eleições». Consultado em 23 de junho de 2025 
  26. a b c «Documento Revista TV: Um Dia nos Estúdios do Lumiar (1966) - Museu Virtual RTP». museu.rtp.pt. Consultado em 23 de junho de 2025 
  27. «Vitorino Nemésio no Programa "Se Bem Me Lembro"». Consultado em 23 de junho de 2025 
  28. Teves, Vasco Hogan. «RTP aos 10 anos». museu.rtp.pt. Consultado em 21 de julho de 2025 
  29. «Ensaio do Festival da Canção». Consultado em 21 de julho de 2025 
  30. Anuário RTP 1971. [S.l.]: RTP - Divisão de Relações Exteriores 
  31. Teves, Vasco Hogan. «Do 2º Programa à Lua ao Zip Zip». museu.rtp.pt. Consultado em 21 de julho de 2025 
  32. «Dossier Televisão». Tempo: 14. 17 de janeiro de 1980 
  33. Teves, Vasco Hogan. «A RTP aos 25 anos. As primeiras telenovelas portuguesas». museu.rtp.pt. Consultado em 21 de julho de 2025 
  34. Teves, Vasco Hogan. «Tv Nos Acores, aproximações à cor e consolidação da rede nacional». museu.rtp.pt. Consultado em 21 de julho de 2025 

Ligações externas