Estádio do América (av. Paraopeba)

O Campo do América, localizado na Avenida Paraopeba (hoje Augusto de Lima), foi o primeiro estádio de futebol com estrutura profissionalizada em Belo Horizonte. Concedido ao América-MG em 1921 — resultado da fusão com o Minas Gerais Futebol Clube —, o terreno passou por obras iniciadas em abril de 1922, erguidas a peso de doações de sócios e subvenções públicas, num esforço orquestrado pela própria elite da cidade.[1] Seu campo era gramado, cercado e equipado com a primeira arquibancada coberta local — medindo cerca de 66 m por 6,5 m e comportando até 5 000 espectadores.[2]

O estádio foi oficialmente inaugurado em 6 de maio de 1923, com partida entre o América-MG e o América-RJ, um grande evento que contou até com a presença do então governador Raul Soares. A estreia, porém, não foi positiva para o América mineiro, que perdeu de 5 a 1.[3]

Durante seus anos de funcionamento (1923–1928), o campo tornou-se epicentro do futebol da cidade, recebendo todos os principais jogos da Liga Mineira — mesmo aqueles sem a participação do América[4]. Foi ali, em 27 de novembro de 1927, que o Atlético Mineiro aplicou ao Palestra Itália (atual Cruzeiro) uma goleada histórica de 9 a 2, estabelecendo o recorde de maior placar do clássico mineiro até hoje.[5] A partida, realizada num dia marcante, teve público estimado em 4 000 pessoas, e marcou época na rivalidade do futebol local.

Com o tempo, a expansão urbana e a necessidade de adequação do espaço culminaram na desapropriação do terreno, que foi destinado à construção do Mercado Central, inaugurado em 7 de setembro de 1929. Com a construção do mercado, o estádio foi demolido.[6] O América transferiu-se para o bairro de Santa Efigênia, onde ergueu em 1929 o Estádio Otacílio Negrão de Lima (conhecido como Estádio da Alameda).[7]

Hoje, onde outrora ficava o estádio, encontra-se o Mercado Central de Belo Horizonte, e uma placa discretamente homenageia aquele que foi o local do primeiro estádio gramado da cidade e da lendária goleada de 9 a 2. Apesar de ter existido por apenas cinco ou seis anos, o Campo do América deixou legado profundo na história do futebol mineiro e na formação da rivalidade entre Atlético, América e Palestra/Cruzeiro.

Referências

  1. «Área que abriga o Mercado Central foi o primeiro campo gramado de Minas Gerais». www.em.com.br. Consultado em 15 de junho de 2025 
  2. «Estádio do América | Campos Invisíveis». camposinvisiveis.com (em inglês). Consultado em 15 de junho de 2025 
  3. Souza, Ives Teixeira (1 de janeiro de 2020). «Campos Invisíveis: a Paraopeba como a avenida do futebol na Belo Horizonte dos anos 1920». Revista Eletrônica do Arquivo Público da Cidade de Belo Horizonte (REAPCBH). Consultado em 15 de junho de 2025 
  4. «Área que abriga o Mercado Central foi o primeiro campo gramado de Minas Gerais». www.em.com.br. Consultado em 15 de junho de 2025 
  5. «Clássico Mineiro». Wikipédia, a enciclopédia livre. 29 de maio de 2025. Consultado em 15 de junho de 2025 
  6. Andrade, Vinícius (10 de janeiro de 2018). «Mercado Central de BH já foi estádio do América». Revista Encontro. Consultado em 16 de junho de 2025 
  7. Ribeiro, Bárbara (29 de abril de 2021). «Tem história! Relembre os antigos estádios do América-MG». Esporte News Mundo. Consultado em 15 de junho de 2025