Esquema prussiano

O "esquema prussiano" refere-se ao rumor sobre uma suposta sugestão feita em 1786 pelo político de Massachusetts, Nathaniel Gorham, de que se o país adotasse uma monarquia constitucional como a Inglaterra, deveria convidar Henrique da Prússia, um príncipe alemão da Casa de Hohenzollern, para ser o novo rei.

Não houve interesse por parte do Príncipe Henrique, e não há evidências de que alguém tenha tomado qualquer providência.

Contexto

Tendências monarquistas pós-revolucionárias

O príncipe Henrique da Prússia teria sido sugerido para o hipotético trono caso a Convenção Constitucional de 1787 criasse uma monarquia

Os distúrbios prolongados criados pelas deficiências dos Artigos da Confederação como constituição dos Estados Unidos, que culminaram na Rebelião de Shays, teriam dado origem a uma pequena "classe de homens na comunidade que causaram sérias apreensões aos defensores de uma forma republicana de governo".[1] Durante a reunião secreta da Convenção de Filadélfia, em maio de 1787, para redigir uma nova constituição, circularam rumores de que a convenção poderia adotar o sistema britânico de monarquia constitucional. E, caso isso acontecesse, corria o boato de que haveria a possibilidade de convidar Frederico, Duque de Iorque e Albany, para ser rei dos Estados Unidos. A convenção emitiu uma negação pública de que tal proposta existisse e o boato se dissipou.[2][3]

Atitudes americanas em relação à Prússia

A opinião pública americana da época geralmente considerava a Prússia com bons olhos.[4] O irmão mais velho do Príncipe Henrique, Frederico, o Grande, nutria um "ódio imenso" pela Grã-Bretanha por ter abandonado a Prússia perto do fim da Guerra dos Sete Anos.[4] Durante a Revolução Americana, Frederico havia fechado o território prussiano à passagem do exército do Principado de Anhalt-Zerbst, um aliado britânico. Isso obrigou as forças militares da nação sem litoral a fazer uma viagem indireta para chegar a um porto marítimo para serem enviadas à América do Norte, durante a qual quase metade das tropas de Anhalt-Zerbst desertou.[5] Restrições semelhantes foram impostas às tropas de outros aliados britânicos que tentavam transitar para a América do Norte, incluindo o Principado de Bayreuth, o Margraviato de Ansbach e o Landgraviato de Hesse-Kassel.[4]

Proposta

No início do século XX, foi descoberta uma carta de Henrique da Prússia para o general prussiano-americano Barão Von Steuben (na foto), que aparentemente confirmava a veracidade da história do "esquema prussiano"

Alegações iniciais

Segundo Rufus King, na década de 1820, Nathaniel Gorham, em 1786, correspondeu-se secretamente com o Príncipe Henrique da Prússia sobre a sua disponibilidade como monarca dos Estados Unidos.[6] Henrique não tinha interesse e não acreditava que o público americano se submeteria a um rei.[6] A história de Rufus King sobre a oferta de Gorham foi durante muito tempo considerada apócrifa, embora James Monroe, na década de 1820, tenha dito a Andrew Jackson que tinha conhecimento de que alguns políticos não identificados, que mais tarde se tornariam membros do Partido Federalista, tinham "nutrido princípios hostis ao nosso sistema de governo".[1]

Possível confirmação

No início do século XX, um rascunho não enviado de uma carta de Henrique, endereçada ao Barão Friedrich Wilhelm von Steuben, foi descoberto nos arquivos prussianos.[6] A carta refere-se a uma proposta vaga que o príncipe recebera, substancialmente semelhante à detalhada na história original.[6] Nela, Henrique relata que não está interessado numa coroa americana, mas sugere que um candidato francês seria melhor do que um prussiano. No entanto, o Príncipe Henrique nunca enviou o rascunho a Steuben. Na convenção, não houve qualquer menção a qualquer tipo de monarquia.[6]

Influência

Alguns atribuíram a cláusula do cidadão nato na constituição americana como uma tentativa da Convenção da Filadélfia de acabar com a persistência de rumores de que a realeza europeia seria convidada a assumir um hipotético trono dos Estados Unidos.[7]

Ver também

Referências

  1. a b Dunbar, Louise (1923). A study of "monarchical" tendencies in the United States, from 1776 to 1801. [S.l.]: University of Illinois  p. 55, quoting a Massachusetts book from 1788.
  2. Kraul 1911, p. 49.
  3. Vile, John (2005). The Constitutional Convention of 1787: A Comprehensive Encyclopedia of America's Founding. [S.l.]: ABC-CLIO. p. 490. ISBN 1851096698 
  4. a b c Haworth, Paul (abril de 1904). «Frederick the Great and the American Revolution». The American Historical Review. 9 (3): 460–478. JSTOR 1833470. doi:10.1086/ahr/9.3.460. hdl:2027/loc.ark:/13960/t4dn4jz77Acessível livremente 
  5. Lowell, Edward (1884). The Hessians and the Other German Auxiliaries of Great Britain in the Revolutionary War. [S.l.]: Harper & Bros. p. 52 
  6. a b c d e Krauel, Richard (outubro de 1911). «Prince Henry of Prussia and the Regency of the United States, 1786». The American Historical Review. 17 (1): 44–51. JSTOR 1832837. doi:10.1086/ahr/17.1.44 
  7. Nelson, Michael (2012). Guide to the Presidency and the Executive Branch. [S.l.]: CQ Press. p. 38. ISBN 978-1452234281