Espiral de preços e salários

Tendência da taxa de inflação mensal na Itália, de 1962 a fevereiro de 2022

Em macroeconomia, a espiral preço-salário (ou, alternativamente, espiral salário-preço) é uma explicação proposta para a inflação, na qual aumentos salariais levam a aumentos de preços, que, por sua vez, provocam novos aumentos salariais, criando um ciclo de retroalimentação positiva.[1] Segundo Gregory Mankiw, "em algum momento, essa espiral de salários e preços em constante aumento desacelera [...]. A longo prazo, a economia retorna ao ponto em que a curva de demanda agregada cruza a curva de oferta agregada de longo prazo."[1]

História

O conceito foi mencionado pela primeira vez em 1868. O termo "espiral preço-salário" apareceu em um artigo do New York Times de 1937, sobre a Greve da Little Steel [en]. Na década de 1970, o presidente dos EUA, Richard Nixon, tentou interromper o que considerava uma "espiral" de preços e custos, impondo um congelamento de preços, com pouco efeito.[2] Algumas fontes distinguem entre espirais preço-salário e salário-preço.[3]

Olivier Blanchard argumenta que o conceito perdeu relevância com o surgimento da teoria das expectativas racionais. Blanchard busca resgatar o conceito,[4] enquanto, segundo Daniel J.B. Mitchell e Christopher L. Erickson, sua popularidade diminuiu devido ao declínio dos sindicatos e da negociação coletiva. Eles afirmam: "Com o rápido declínio da filiação sindical no início dos anos 1980, seguido pela erosão relativa em relação à força de trabalho total, tornou-se cada vez mais difícil associar a inflação aos sindicatos e, portanto, às demandas dos trabalhadores".[5]

Críticas

O Socialist Worker [en] argumenta que a espiral preço-salário é um mito usado para impedir aumentos salariais.[6] A revista Tribune também considera o conceito uma retórica destinada a conter os salários dos trabalhadores.[7]

Milton Friedman criticou o conceito, argumentando que "é a manifestação externa da inflação, mas não sua origem... a inflação surge por uma única razão: um aumento na quantidade de dinheiro".[8] Ele afirmou que as espirais preço-salário cessam naturalmente se a quantidade de dinheiro não aumentar, embora, nesse ínterim, "haja uma continuação da inflação" e "algum grau de recessão e desemprego".[8] Estudos do Fundo Monetário Internacional indicam que mesmo espirais de curto prazo raramente levaram a um aumento "sustentado" nos níveis de salários e preços.[9]

Ver também

Referências

  1. a b Mankiw, N. Gregory. «15, Demanda agregada e oferta agregada». Brief Principles of Macroeconomics [Princípios Breves de Macroeconomia] 5 ed. [S.l.: s.n.] p. 353. ISBN 978-0-324-59037-1 
  2. Shiller, Robert J. (8 de fevereiro de 2022). «Opinion - Inflation Is Not a Simple Story About Greedy Corporations» [Opinião - A Inflação Não é uma História Simples Sobre Corporações Gananciosas]. The New York Times. Consultado em 5 de julho de 2025 
  3. Hearings [Audiências] (em inglês). [S.l.]: United States Congress House Committee on Banking and Currency. 1970. p. 100. Consultado em 5 de julho de 2025 
  4. Blanchard, Olivier J. (dezembro de 1985). «The Wage Price Spiral» [A Espiral Preço-Salário]. National Bureau of Economic Research. Consultado em 5 de julho de 2025 
  5. Mitchell, Daniel J.B.; Erickson, Christopher L. «The wage–price Spiral: From Push to Shove» [A Espiral Preço-Salário: Do Empurrão ao Choque] (PDF). Anderson School of Management, UCLA. Consultado em 5 de julho de 2025 
  6. «Don't swallow Tory myth of the 'wage–price spiral'» [Não engula o mito conservador da ‘espiral preço-salário’]. Socialist Worker. 20 de junho de 2022. Consultado em 5 de julho de 2025 
  7. Blakeley, Grace. «The wage–price Spiral Is a Myth» [A Espiral Preço-Salário é um Mito]. Tribune. Consultado em 5 de julho de 2025 
  8. a b Friedman, Milton (2005). «How not to stop inflation» [Como não deter a inflação]. Federal Reserve Bank of Richmond. Econ Focus. 9: 2-7. Consultado em 5 de julho de 2025 
  9. «Wage-price spirals are far scarier in theory than in practice» [Espirais preço-salário são muito mais assustadoras na teoria do que na prática]. The Economist. ISSN 0013-0613. Consultado em 5 de julho de 2025