Escravo Fiel e Discreto
| Testemunhas de Jeová |
|---|
Escravo Fiel e Discreto, também chamado escravo fiel e prudente, é uma expressão encontrada na Bíblia usada exclusivamente pelas Testemunhas de Jeová, a Tradução do Novo Mundo da Bíblia Sagrada, publicada e distribuída pela Sociedade Torre de Vigia. Essa expressão faz parte da Parábola do Servo Fiel, contada por Jesus Cristo em Mateus 24:45-47. Na doutrina das Testemunhas de Jeová, esse escravo fiel e prudente representa a sua liderança eclesiástica, que é chamado de Corpo Governante das Testemunhas de Jeová[1].
Atualmente, os membros do Corpo Governante das Testemunhas de Jeová são David Splane, Gage Fleegle, Geoffrey Jackson, Gerrit Lösch, Jacob Rumph, Jeffrey Winder, Jody Jedele, Kenneth Cook Jr., Mark Sanderson, Samuel Herd e Stephen Lett.[2]
Histórico
O primeiro artigo da revista Zion’s Watch Tower and Herald of Christ’s Presence (atualmente publicada em português como A Sentinela Anunciando o Reino de Jeová), publicado em 1879, aludiu à Parábola do Servo Fiel, mencionada por Jesus em Mateus 24:45-47, ao esclarecer que o objetivo central do periódico era de dar "o sustento espiritual a seu tempo" aos assinantes da revista, em sua maioria membros do movimento dos Estudantes da Bíblia.[3]
Quem é, pois, o servo fiel e prudente, que o Senhor constituiu sobre a sua casa, para dar o sustento a seu tempo? Bem-aventurado aquele servo que o Senhor, quando vier, achar servindo assim. Em verdade vos digo que o porá sobre todos os seus bens. Mateus 24:45-47, Almeida Revista e Corrigida
Em 1881, ao reconsiderar a Parábola do Servo Fiel, a revista expressou a ideia de que "os servos consagrados que vêm fielmente cumprindo seus votos de consagração" são o servo fiel e prudente mencionado por Jesus[3]. No entanto, o conceito mais amplamente difundido entre os Estudantes da Bíblia era o de que Charles Taze Russell, o fundador do movimento e o editor-chefe de The Watch Tower, era o servo fiel e prudente. Em anos posteriores a morte de Russell, The Watch Tower e outras publicações do movimento dos Estudantes da Bíblia, como o livro The Finished Mystery (1917), passaram a reforçar este conceito.
A partir de 1927, a Sociedade Torre de Vigia, editora de The Watch Tower, revisou sua interpretação sobre a Parábola do Servo Fiel, passando a adotar novamente a ideia de que ela era uma representação do "corpo inteiro dos cristãos ungidos com o espírito, que estão na terra".
Na atualidade
As Testemunhas de Jeová, que emergiram do movimento dos Estudantes da Bíblia, acreditavam que o "escravo fiel e prudente" havia sido designado por Jesus Cristo no dia de Pentecostes de 33 d.C, cerca de cinquenta dias após sua ressurreição, com a descida do espírito santo, mencionada em Atos 2:1-11, e que este evento representava a criação de uma "nação santa", composta por cristãos ungidos pelo espírito santo, posteriormente chamada nas cartas de Paulo de "Israel de Deus" (Gálatas 6:16).
Essa doutrina foi revisada na reunião da Sociedade Torre de Vigia de 2012, e publicada na edição de julho de 2013 de A Sentinela, para a interpretação de que o escravo fiel e prudente representa o Corpo Governante das Testemunhas de Jeová, que coordena as atividades das Testemunhas de Jeová no mundo inteiro[4], e de que a designação do escravo fiel e prudente ocorreu em 1919 d.C, em paralelo à profecia de Malaquias 3:1-4.[5] Desde então, as Testemunhas de Jeová acreditam que o Corpo Governante atua como escravo fiel e prudente por "lhes dar o alimento no tempo apropriado" (Mateus 24:45), o que inclui todos os ensinos religiosos das Testemunhas de Jeová, distribuídos por meio de sua evangelização, reuniões religiosas, e publicações e vídeos produzidos pela Sociedade Torre de Vigia.
Críticas
Após sua expulsão da organização em 1981, o ex-membro do Corpo Governante Raymond Franz alegou que a descrição do escravo na parábola como uma "classe" de cristãos não era suportada pela escritura e foi usada para enfatizar o conceito do escravo estar conectado a uma organização, diminuindo sua aplicação para os indivíduos no incentivo às qualidades de fé, discrição, vigilância e responsabilidade individual. Ele argumentou que se a aplicação das figuras nas parábolas correspondentes de Jesus como membros de uma classe fosse consistente, também haveria uma "classe dez-mina" e "classe cinco-mina" relacionada a Lucas 19:12-27 e um "muitos cursos classe" e "poucos cursos classe" decorrentes de Lucas 12:47-48.[6]
Franz alegou que a liderança emprega sua interpretação da parábola do "escravo fiel e discreto" principalmente para apoiar o conceito de autoridade administrativa centralizada a fim de exercer controle sobre os membros do grupo exigindo sua lealdade e submissão.[7] Ele disse que o remanescente "ungido", que naquela época foi reivindicado para incluir a classe "escrava", teve contribuição insignificante na doutrina e direção da Sociedade Torre de Vigia, que foram estabelecidas pelo Corpo Governante.[8]
Franz também argumentou que a Sociedade Torre de Vigia e suas doutrinas foram construídas sobre o estudo bíblico independente de seu fundador, Charles Taze Russell, que nem consultou nenhuma classe existente de "escravo fiel e discreto" para a iluminação, nem acreditou no conceito ensinado pela Sociedade.[9] Ele concluiu: "Em seus esforços para negar que Jesus Cristo está agora lidando, ou jamais lidaria, com indivíduos separados de uma organização, um 'canal' único, o ensino produz uma posição insustentável. Ele afirma que Cristo fez precisamente que ao lidar com Russell como um indivíduo separado de qualquer organização".[9] Franz também afirmou que o livro de história oficial das Testemunhas de Jeová, Testemunhas de Jeová - Proclamadores do Reino de Deus, deturpou a visão de Russell do "fiel mordomo" enfatizando sua visão inicial de 1881 de que era todo o corpo de Cristo, sem mencionar que ele alterou sua visão quatorze anos depois.[10]
Referências
- ↑ «O que "o escravo fiel e prudente" faz? — BIBLIOTECA ON-LINE da Torre de Vigia». wol.jw.org. Consultado em 7 de fevereiro de 2026
- ↑ «O que é o Corpo Governante das Testemunhas de Jeová? — BIBLIOTECA ON-LINE da Torre de Vigia». wol.jw.org. Consultado em 7 de fevereiro de 2026
- ↑ a b Jehovah's Witnesses - Proclaimers of God's Kingdom. [S.l.]: Watch Tower Bible and Tract Society of New York. 1993. pp. 142–143
- ↑ «"Quem é realmente o escravo fiel e discreto?" — BIBLIOTECA ON-LINE da Torre de Vigia». wol.jw.org. Consultado em 8 de fevereiro de 2026
- ↑ «"Eis que estou convosco todos os dias" — BIBLIOTECA ON-LINE da Torre de Vigia». wol.jw.org. Consultado em 8 de fevereiro de 2026
- ↑ Franz, Raymond (2007). In Search of Christian Freedom. Commentary Press. pp. 165–167.
- ↑ Franz, Raymond (2007). In Search of Christian Freedom . Commentary Press. p. 125.
- ↑ Franz, Raymond (2007). In Search of Christian Freedom . Commentary Press. pp. 153–164.
- ↑ a b Franz, Raymond (2007). In Search of Christian Freedom. Commentary Press. pp. 130–134.
- ↑ Jehovah's Witnesses—Proclaimers of God's Kingdom , as cited by Raymond Franz, Crisis of Conscience, Commentary Press, 2007, page 67.
Ligações externas
Sites oficiais das Testemunhas de Jeová
- (em português) - Site oficial das Testemunhas de Jeová
- (em português) - Tradução do Novo Mundo das Escrituras Sagradas[ligação inativa] Bíblia on-line
- (em português) - [1] Mudanças quanto o conceito de escravo fiel e prudente, reunião anual, outubro de 2012.