Erythrodiplax fusca

Erythrodiplax fusca

Erythrodiplax fusca (Rambur, 1842), conhecida como libélula-de-face-vermelha ou Red-faced Dragonlet, é uma espécie da família Libellulidae, amplamente distribuída pelas Américas. Destaca-se pelo comportamento territorial avançado e pela capacidade de usar o eavesdropping, observando rivais para decisões estratégicas. Atua como predador de invertebrados e é um valioso bioindicador ecológico, sensível a alterações em ambientes aquáticos tropicais, sendo relevante para estudos de conservação e ecologia.[1]

Classificação Taxonômica

Distribuição Geográfica

A Erythrodiplax fusca possui uma distribuição ampla, ocorrendo desde o sul dos Estados Unidos (particularmente na Flórida e no Texas), passando por México e toda a América Central, até grande parte da América do Sul, incluindo o Brasil, Colômbia, Venezuela, Peru, Guiana, Suriname, Paraguai e Argentina .

No Brasil, ela é comumente observada em estados como Amazonas, Maranhão, Bahia, Pará, entre outros. Registros demonstram que sua presença está fortemente ligada a corpos d’água calmos, como lagoas, áreas alagadas, margens de igarapés e reservatórios artificiais.[3]

Morfologia e Identificação

Os indivíduos adultos da espécie E. fusca apresentam tamanho médio (cerca de 30 a 40 mm de comprimento). A coloração característica dos machos inclui:

  • Face frontal avermelhada (origem do nome em inglês "red-faced dragonlet"),
  • Tórax castanho ou acinzentado, com eventuais nuances azuladas,
  • Abdômen com segmentos escuros e detalhes claros,
  • Asas hialinas (translúcidas) com uma leve tonalidade âmbar nas bases.

As fêmeas, por sua vez, costumam ser menos coloridas, exibindo tons mais acinzentados ou amarelados no tórax e abdômen. Ambas as formas apresentam pterostigma (marca escura nas asas) visível, uma característica comum entre os anisópteros.[4]

Ecologia e Comportamento

Habitat

Essa libélula é altamente adaptável, ocorrendo em ambientes variados, desde florestas tropicais e campos alagados até zonas urbanas com presença de água doce. A espécie mostra preferência por locais com vegetação aquática, que serve tanto de suporte para repouso quanto de base para a oviposição (depósito de ovos).

Comportamento Territorial

Machos de Erythrodiplax fusca apresentam forte comportamento territorial. Estabelecem posições estratégicas próximas à água, onde permanecem pousados em galhos ou folhas, aguardando a aproximação de fêmeas ou competidores.[4]Esses machos utilizam uma forma de espionagem comportamental — conhecida como eavesdropping — para avaliar a força de rivais, evitando confrontos com indivíduos mais agressivos ou dominantes .[4]

Interações Intra e Interspecíficas

Essa espécie, em disputas com outras libélulas do gênero Erythrodiplax, frequentemente apresenta a chamada vantagem de residente — ou seja, o indivíduo que já ocupa o território tem maior probabilidade de vencer o confronto, mesmo contra rivais maiores ou mais fortes .[4]

Ciclo de Vida

Reprodução

O ciclo reprodutivo inicia-se com a formação do "coração copulatório" — a posição característica de acasalamento dos odonatos. Após a cópula, a fêmea realiza a oviposição em voo, tocando a superfície da água com a extremidade do abdômen para liberar os ovos.[4]

Estágio Ninfal

As ninfas (formas aquáticas imaturas) vivem submersas, onde permanecem por várias semanas ou meses, dependendo da temperatura da água e da disponibilidade de alimento. Nessa fase, são predadoras vorazes de microinvertebrados e larvas de mosquitos.[4]

Emergência

O processo de metamorfose é incompleto (hemimetabolia): as ninfas emergem da água, fixam-se em plantas e, após a última muda, eclodem como libélulas aladas — agora em sua forma adulta.[4]

Importância Ecológica

Erythrodiplax fusca desempenha papéis ecológicos relevantes, tais como:

  • Controle biológico de insetos, principalmente mosquitos;
  • Indicador de qualidade ambiental — sua presença (ou ausência) pode refletir condições do ecossistema aquático;
  • Papel na cadeia alimentar, servindo de alimento para aves, sapos e peixes.[3]

Conservação

Apesar de ainda não estar classificada como ameaçada pelas listas da IUCN (União Internacional para a Conservação da Natureza), a Erythrodiplax fusca pode sofrer impacto direto da destruição de áreas úmidas, poluição de águas interiores e uso intensivo de agrotóxicos, especialmente em áreas agrícolas tropicais.

O monitoramento contínuo da espécie e a manutenção de corpos d'água naturais são medidas fundamentais para sua conservação.[3]

Referências

  1. «Erythrodiplax fusca (Rambur, 1842)». www.gbif.org (em inglês). Consultado em 20 de abril de 2025. Cópia arquivada em 21 de janeiro de 2025 
  2. «Red-faced dragonlet (Erythrodiplax fusca)». Picture Insect (em inglês). Consultado em 20 de abril de 2025 
  3. a b c «Erythrodiplax fusca». iNaturalist. Consultado em 20 de abril de 2025. Cópia arquivada em 20 de outubro de 2020 
  4. a b c d e f g Pinto, Nelson Silva; De Marco, Paulo; Moura, Rafael Rios (outubro de 2022). «Know your enemy: The dragonfly Erythrodiplax fusca (Libellulidae) uses eavesdropping to obtain information about potential rivals». Behavioural Processes. 104741 páginas. ISSN 1872-8308. PMID 36038024. doi:10.1016/j.beproc.2022.104741. Consultado em 20 de abril de 2025. Cópia arquivada em 11 de abril de 2025