Dialética Erística
Dialética Erística é um tratado sarcástico escrito pelo filósofo alemão Arthur Schopenhauer, e publicado postumamente por Julius Frauenstädt. Nele, Schopenhauer descreve e analisa 38 métodos usados para se vencer adversários em debates. Por dialética erística, Schopenhauer entende "a arte de discutir, mais precisamente a arte de discutir de modo a vencer, e isto Per fas et nefas (por meios lícitos ou ilícitos)".
O manuscrito quase acabado, encontrado sem título na casa de Schopenhauer (1788-1860) após sua morte, foi publicado em 1864 por Julius Frauenstädt com o título “Eristische Dialektik: Die Kunst, Recht zu behalten” (traduzido literalmente como "Dialética Erística: A Arte de Estar Certo". A obra já foi publicada em português sob vários títulos, tais como “Dialética Erística”, “A Arte de ter razão" e mais recentemente “Como vencer um debate sem precisar ter razão – em 38 estratagemas”.
Estratagemas dialéticos
Na obra, Schopenhauer não dá nome a todos os estratagemas, mas uma possível forma de listá-los seguindo a sua numeração seria:[1]
- Extensão
- Homonímia
- Mudança de modo, confundindo a argumentação
- Pré-silogismos escondendo a conclusão desejada
- Usar as premissas do adversário contra ele
- Petição de princípio usando termos distintos
- Muitas perguntas vagas levando a uma conclusão indevida
- Encolerizar o adversário
- Perguntas em ordem alterada
- Perguntas ambíguas
- Salto indutivo - tomando um conceito geral para o caso particular
- Manipulação semântica
- Alternativa forçada
- Falsa proclamação de vitória
- Anulação do paradoxo
- Várias modalidades do argumentum ad hominem
- Distinção de emergência
- Mutatio controversiae
- Fuga do específico para o universal
- Non causae ut causae
- Preferir o argumento sofístico
- Falsa alegação de petitio principii
- Impelir o adversário ao exagero
- Falso silogismo
- Instância contraditória singular
- Usar o argumento do interlocutor contra ele mesmo (Retorsio argumenti)
- Usar a raiva
- Persuadir a plateia leiga (ad auditores), sabendo que seu adversário culto não seria convencido
- Desvio
- Argumentum ad verecundiam
- Incompetência irônica
- Rótulo odioso
- Negação da teoria na prática
- Resposta ao meneio de esquiva
- Persuasão pela vontade
- Discurso incompreensível
- Tomar a prova pela tese
- Ofensas pessoais e grosseria (Argumentum ad hominem)
Ver também
Referências
- ↑ Arthur Schopenhauer. Como vencer um debate sem precisar ter razão – em 38 estratagemas (Dialética Erística). Introdução, Notas e Comentários de Olavo de Carvalho. Rio de Janeiro: Topbooks, 1997. Capa do livro.
Bibliografia
- Schopenhauer, Arthur. A arte de ter razão. Organizador: Franco Volpi. São Paulo: Martins Fontes, 2009. ISBN 978-85-7827-110-7
Ligações externas
Versão online traduzida por Camila Werner, disponível na biblioteca The Internet Archive
