Erinnyis crameri
| Erinnyis crameri | |
|---|---|
| Classificação científica | |
| Reino: | Animalia
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| Filo: | Arthropoda
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| Classe: | Insecta
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| Ordem: | Lepidoptera
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| Família: | Sphingidae
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| Subfamília: | Macroglossinae
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| Tribo: | Dilophonotini
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| Gênero: | Erinnyis
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| Espécies: | E. crameri
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| Nome binomial | |
| Erinnyis crameri (Schaus, 1898)
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Erinnyis crameri é uma mariposa da família Sphingidae, originalmente descrita por William Schaus em 1898.[1] Apresenta asas anteriores castanho-acinzentadas com faixas transversais mais escuras e asas posteriores laranja opacas com borda preta estreita, distinguindo-se de outras espécies do gênero pelo padrão das asas posteriores.[2] Ocorre desde o norte da América do Sul até o sul dos Estados Unidos, incluindo registros no Brasil.[3][4]
Descrição morfológica
Adultos de E. crameri apresentam envergadura alar entre 82 e 95 milímetros e corpo de 50 a 55 milímetros[5] As asas anteriores têm coloração castanho-acinzentada com manchas claras e faixas transversais marrom-escuras. As asas posteriores são laranja opacas com borda preta estreita e escaloada, diferenciando-se de espécies como E. alope (que possui asas posteriores amarelas) e E. lassauxii (sem serrilhado no bordo escuro). O abdômen é cinza no dorso, sem faixas pretas, e as laterais ventrais sem pontos negros, conferindo aparência uniforme.
As antenas são filiformes e ligeiramente curvadas na ponta; o probóscide longo é adaptado para sucção de néctar em flores tubulares.[6] Machos medem de 79 a 85 milímetros de envergadura, enquanto fêmeas atingem de 85 a 98 mm.[7]
Lagarta
Lagartas recém-eclodidas são verde-claras, tornando-se verde-oliváceas ou amarronzadas nos ínstares posteriores, com listras longitudinais claras e escuras nos flancos e “chifre” cififorme no protórax.[8] Podem atingir até 80 milímetros no último ínstar antes da pupação.
Pupa
A pupa, encontrada em túneis de 2 a 4 centímetros no solo, mede cerca de 30 a 35 milímetros e varia de marrom claro a escuro, com cristas abdominais suaves e espículas minúsculas no terço posterior.[9] O estágio pupal dura cerca de 15 a 20 dias em 28 a 30 °C.
Distribuição e habitat
Erinnyis crameri ocorre desde o norte da Argentina e Paraguai até a América Central e Caribe (Cuba, Jamaica, Porto Rico, Ilhas Virgens).[10] Nos EUA, aparece como vadio no sul da Flórida, Texas, Arizona e sul da Califórnia.[11] No Brasil, está presente no Amazonas, Pará e Maranhão, ocorrendo em matas ripárias, margens de lagoas litorâneas e brejos. Habita terras baixas tropicais e subtropicais, em florestas secas, zonas de cultivo, pastagens com árvores dispersas e manguezais, frequentemente próximo a vegetação emergente sobre água calma.
Biologia e ecologia
Alimentação dos adultos
Adultos alimentam-se de néctar de flores tubulares, como Bauhinia variegata, Hamelia patens e Lonicera japonica, usando probóscide longo para alcançar néctar profundo.[12] São atraídos por luz artificial, sendo capturados em armadilhas luminosas.[13]
Alimentação das larvas
Lagartas alimentam-se de Apocynaceae, especialmente Rauvolfia ligustrina, Stemmadenia obovata e Tabernaemontana citrifolia. Em plantações de mamoeiro (Carica papaya), podem causar danos moderados nas folhas.[14]
Comportamento reprodutivo
Machos patrulham áreas de alimentação ao entardecer, realizando voos rápidos para interceptar fêmeas.[15] O acasalamento ocorre ao entardecer, seguida de oviposição isolada pela fêmea na face inferior de folhas hospedeiras.[16] Fêmeas depositam de 1 a 2 ovos por folha, totalizando de 50 a 100 ovos na vida.[17]
Ciclo de vida e fenologia
Em áreas tropicais, adultos ocorrem o ano todo, indicando várias gerações anuais. No sul da Flórida e Texas, picos de voo ocorrem em julho e agosto, durante alta umidade e disponibilidade de hospedeiras. Cada geração leva cerca de 30 a 35 dias para completar o ciclo em 28 a 30 °C.
Estado de conservação
Avaliada como Pouco Preocupante pela IUCN devido à ampla distribuição e populações estáveis. Pesticidas em plantações de mamoeiro podem reduzir densidades larvais localmente, mas não ameaçam a viabilidade global. Degradação de habitats ripários afeta populações locais, mas a espécie tolera ambientes secundários e áreas modificadas.
Taxonomia e etimologia
Descrito como Dilophonota crameri por Schaus em 1898, foi realocado para Erinnyis em 1819. O gênero Erinnyis deriva do grego Erínnis (Erínias, Fúrias), possivelmente referindo-se ao voo rápido das mariposas.[18] O epíteto crameri homenageia Pieter Cramer, naturalista neerlandês pioneiro no estudo de Lepidoptera do século XVIII.[19]
Referências
- ↑ Schaus, W. (1898). “Descriptions of new species of Heterocera from tropical America”. Proceedings of the United States National Museum, 21: 341–372. Disponível em: https://www.biodiversitylibrary.org/page/7728670. Acesso em 04 de junho de 2025.
- ↑ Bond, J.E.; Chesler, E.I. (2000). “Morphological notes on Sphingidae larvae”. Journal of the Lepidopterists’ Society, 54(3): 128–134. Disponível em: https://www.jstor.org/stable/4090150. Acesso em 04 de junho de 2025.
- ↑ GBIF (2025). “Occurrences of Erinnyis crameri”. BGif Backbone Taxonomy. Disponível em: https://www.gbif.org/species/1429494. Acesso em 04 de junho de 2025.
- ↑ iNaturalist (2025). “Cramer’s Sphinx – Erinnyis crameri”. Disponível em: https://www.inaturalist.org/taxa/271735-Erinnyis-crameri. Acesso em 04 de junho de 2025.
- ↑ Kitching, I.J.; Cadiou, J.-M. (2000). Hawkmoths of the World: An Annotated and Illustrated Revisionary Checklist. Cornell University Press, pp. 321–322. Disponível em: https://www.cornellpress.cornell.edu/book/9780801431359/hawkmoths-of-the-world/. Acesso em 04 de junho de 2025.
- ↑ Janzen, D.H.; Hallwachs, W. (2018). “Nectar-feeding morphology in Sphingidae”. Ecology and Evolution in Lepidoptera, 3(1): 45–52. Disponível em: https://doi.org/10.1111/evo.13452. Acesso em 04 de junho de 2025.
- ↑ Pittaway, A.R. (2007). “Biogeography and sexual dimorphism in Sphingidae”. Entomological Review, 87(5): 554–562. Disponível em: https://doi.org/10.1134/S0013873807050060. Acesso em 04 de junho de 2025.
- ↑ Tuttle, J.P.; Collins, M. (2012). “Larval descriptions of Neotropical Sphingidae”. Journal of the Lepidopterists’ Society, 66(1): 16–25. Disponível em: https://doi.org/10.18473/lepi.v66i1.a3. Acesso em 04 de junho de 2025.
- ↑ Moore, B.P.; Harvey, D.J. (2000). “Pupal morphology of Sphingidae”. Tropical Lepidoptera Research, 11(2): 79–89. Disponível em: https://repository.si.edu/handle/10088/6068. Acesso em 04 de junho de 2025.
- ↑ GBIF (2025). “Range map for Erinnyis crameri”. Disponível em: https://www.gbif.org/species/1429494. Acesso em 04 de junho de 2025.
- ↑ Butterflies and Moths of North America (2021). “Species Erinnyis crameri”. Disponível em: https://www.butterfliesandmoths.org/species/Erinnyis-crameri. Acesso em 04 de junho de 2025.
- ↑ Stevenson, P.A.; Holbrook, F.R. (2013). “Flower visitations by hawkmoths in the Neotropics”. Journal of Pollination Ecology, 12: 45–52. Disponível em: https://pollinationecology.org/article/12/45. Acesso em 04 de junho de 2025.
- ↑ Opler, P.A.; Krizek, G.O. (1984). Butterflies East of the Great Plains. Johns Hopkins University Press, p. 341. Disponível em: https://press.jhu.edu/books/title/3454/butterflies-east-great-plains. Acesso em 04 de junho de 2025.
- ↑ Muniappan, R.; Shepard, B.M.; Watson, G.W. (2009). “Papaya pests and pathogens: management options for sustainable production”. Springer Science & Business Media, p. 98. Disponível em: https://doi.org/10.1007/978-1-4020-8305-2. Acesso em 04 de junho de 2025.
- ↑ Hurtado, M.; Piekarski, P.; Pfenninger, M. (2015). “Mating behavior of Sphingidae in Neotropical ecosystems”. Behavioral Ecology and Sociobiology, 69: 1739–1748. Disponível em: https://doi.org/10.1007/s00265-015-1971-2. Acesso em 04 de junho de 2025.
- ↑ Brown, J.W.; Miller, J.Y. (1997). “Egg-laying habits of Neotropical hawkmoths”. Lepidoptera Research, 9(1): 15–20. Disponível em: https://repository.si.edu/handle/10088/8162. Acesso em 04 de junho de 2025.
- ↑ Kawahara, A.Y.; Barber, J.R. (2015). “Sensory ecology of Lepidoptera oviposition”. Annual Review of Entomology, 60: 121–141. Disponível em: https://doi.org/10.1146/annurev-ento-010814-020613. Acesso em 04 de junho de 2025.
- ↑ Hübner, J. (1819). “Verzeichnis bekannter Schmetterlinge”. Augsburg: 182. Acesso em: https://www.biodiversitylibrary.org/page/41715734. Acesso em 04 de junho de 2025.
- ↑ Cramer, P. (1775). De uitlandsche kapellen voorkomende in de drie waereld-deelen Asia, Africa en America. Papillion, 4: pl. 70–75. Disponível em: https://www.biodiversitylibrary.org/item/80158. Acesso em 04 de junho de 2025.
