Erinnyis alope

Erinnyis alope
Classificação científica
Reino:
Animalia
Filo:
Arthropoda
Classe:
Insecta
Ordem:
Lepidoptera
Família:
Sphingidae
Subfamília:
Macroglossinae
Gênero:
Erinnyis
Espécies:
E. alope
Nome binomial
Erinnyis alope
(Drury, 1770)

Erinnyis alope é uma espécie de mariposa da família Sphingidae.[1] Pode ser encontrada desde o sul dos Estados Unidos (Flórida, Texas) até o norte da Argentina, incluindo o Brasil.[2][3]

Descrição morfológica

Adulto: a envergadura alar varia entre 65 e 75 milímetros; o comprimento do corpo (correia escura) é de aproximadamente 50 a 55 milímetros.[4] As asas anteriores exibem coloração castanho-acinzentada, com faixas transversais marrom-escuras; as asas posteriores têm o terço basal amarelo vivo, contrastando com o ápice esbranquiçado.[4] O abdômen é geralmente castanho-terra, com marcas dorsolaterais mais claras nos segmentos posteriores. As antenas são longas, ligeiramente curvadas na ponta, e o probóscide é adaptado para a sucção de néctar em flores tubulares.

Pupa: ocasionalmente encontrada em túneis rasos de solo solto ou folha seca, medindo cerca de 30 a 35 milímetros de comprimento; a cor varia do marrom claro ao marrom escuro, provida de cristas abdominais suaves e espículas minúsculas no terço posterior do abdômen.[5]

Lagarta: com coloração inicial verde-clara, passa a tons de verde-oliváceo ou amarronzado conforme o último ínstar; apresenta listras longitudinais claras e escuras nos flancos, além de um “chifre” curto e reto no segmento torácico, típico de esfíngidos.[6] Pode atingir até 80 milímetros de comprimento no último ínstar.

Distribuição e habitat

Erinnyis alope tem distribuição neotropical ampla: na América do Sul, ocorre desde o norte da Argentina (província de Misiones) e Uruguai até a bacia amazônica (Pará, Amazonas), com registros confirmados em municípios do Maranhão, como São Luís e Balsas, em habitats de borda de mata e zonas ripárias.[7] Na América Central e Caribe, detectada desde o México (Chiapas, Veracruz) até Cuba, Jamaica, Porto Rico e Ilhas Virgens, habitando florestas tropicais secas, zonas de cultivo e bordas de mata.[3] Nos EUA, ocorre de forma regular no sul da Flórida, Texas e Novo México; vadiadores eventuais foram documentados em estados mais ao norte, como Arkansas e Kansas[4]

O hábitat predileto inclui áreas de matagais claros, pastagens com árvores dispersas, plantações de mamoeiro (Carica papaya), jardins urbanos e margens de estradas arborizadas. As lagartas alimentam-se principalmente de plantas das famílias Apocynaceae e Caricaceae.[4]

Biologia e ecologia

Período de voo: em regiões tropicais, adultos podem ser encontrados o ano todo; no sul da Flórida, há várias gerações anuais, com picos de adultos de junho a setembro.[4] No Maranhão, registros de adultos em armadilhas luminosas ocorrem de março a novembro, indicando múltiplas gerações.[7]

Alimentação do adulto: nutre-se de néctar de várias espécies de flores tubulares, como Bauhinia variegata (Fabaceae), Hamelia patens (Rubiaceae) e espécies de Lamiaceae, usando o probóscide longo para alcançar néctar profundo.[4]

Plantas-hospedeiras da lagarta: Documentadas em Carica papaya, Jatropha gossypiifolia (mandioca-brava) e Allamanda cathartica, podendo causar danos moderados em plantações de mamoeiro e culturas ornamentais devido à ação foliar intensa.[4][5]

Comportamento reprodutivo: Machos patrulham áreas de alimentação ou pontos de néctar, perambulando em voo rápido para interceptar fêmeas. O acasalamento ocorre no início da noite ou ao entardecer, com fêmeas depositando ovos isoladamente na face inferior de folhas hospedeiras.[4]

Desenvolvimento larval: As lagartas passam por cinco ínstares em cerca de 20 a 25 dias, dependendo da temperatura (28 a 30 °C acelera o desenvolvimento). A pupação ocorre no solo, em profundidade de 2 a 4 centímetros, em um casulo ligeiro de fibras do solo e seda, com estágio pupal de cerca de 15 a 20 dias antes da emergência do adulto.[5]

Estado de conservação

Avaliada como Pouco Preocupante pela IUCN devido à ampla distribuição e ausência de declínio populacional significativo.[8] Enquanto as populações são estáveis em grande parte da área de ocorrência, pressões locais incluem desmatamento de mata ribeirinha e uso de pesticidas em culturas de mamoeiro.

Taxonomia e etimologia

Descrita originalmente por Dru Drury em 1770 como Sphinx alope; posteriormente alocada ao gênero Erinnyis.[5] O nome genérico Erinnyis está associado às Erínias (Fúrias), divindades da mitologia grega, possivelmente aludindo ao voo rápido e persistente destas esfíngides. O epíteto específico alope deriva do grego Alope (personagem mitológica), sem relação direta clara com atributos morfológicos.

Referências

  1. Paulson, D. R. (2011). Dragonflies and Damselflies of the West. Princeton University Press. Acesso em 04 de junho de 2025.
  2. GBIF (2025). Erinnyis alope (Drury, 1770) – Backbone Taxonomy. Disponível em: https://www.gbif.org/species/1429493. Acesso em 04 de junho de 2025.
  3. a b iNaturalist (2025). “Alope Sphinx (Erinnyis alope)”. Disponível em: https://www.inaturalist.org/taxa/143824-Erinnyis-alope. Acesso em 04 de junho de 2025.
  4. a b c d e f g h Butterflies and Moths of North America (2010). “Species Erinnyis alope”. Disponível em: https://www.butterfliesandmoths.org/species/Erinnyis-alope. Acesso em 04 de junho de 2025.
  5. a b c d CABI (2019). “Erinnyis alope (papaya hornworm)”. CABI Compendium. Acesso em 04 de junho de 2025.
  6. BugGuide.Net (2013). “Alope Sphinx – Erinnyis alope larva”. Disponível em: https://bugguide.net/node/view/831006. Acesso em 04 de junho de 2025.
  7. a b GBIF (2025). “Occurrences of Erinnyis alope in Brazil”. Disponível em: https://www.gbif.org/occurrence/map?taxon_key=1429493. Acesso em 04 de junho de 2025.
  8. IUCN Red List (2022). Erinnyis alope. Disponível em: https://www.iucnredlist.org/species/21863724/0. Acesso em 04 de junho de 2025.