Epigrama de Stalin
O Epigrama de Stalin, (russo: Кремлёвский горец) é um poema satírico escrito no formato de epigrama[1] pelo poeta russo Osip Mandelstam, em novembro de 1933.[2]
O poema descreve o clima de medo na União Soviética durante o Stalinismo.[3]
Mandelstam leu o poema só para alguns amigos, incluindo Boris Pasternak e Anna Akhmatova. O poema desempenhou um papel em sua própria prisão e as detenções de filho e marido de Anna, Lev Gumilev e Nikolay Punin.[4]
O "Caucasiano do Kremlin" na quarta linha da primeira estrofe refere-se as montanhas do Cáucaso, lugar de nascimento de Stalin. A frase "O torso de Ossétia" no último paragrafo da quarta estrofe refere-se à etnia de Stalin, cujo avô paterno era um Osseta.
Tradução do epigrama
Vivemos sem sentir o chão nos pés,
A dez passos não se ouve a nossa voz.
Uma palavra a mais e o montanhês
Do Kremlin vem: chegou a nossa vez.
Seus dedos grossos são vermes obesos.
Suas palavras caem como pesos.
Baratas, seus bigodes dão risotas;
Brilham como um espelho as suas botas.
Cercado de um magote subserviente,
Brinca de gato com essa subgente.
Um mia, outro assobia, um outro geme.
Somente ele troveja e tudo treme.
Forja decretos como ferraduras:
Nos olhos! Nos quadris! Nas dentaduras!
Fruit das sentenças como framboesas.
O amigo Urso abraça suas presas.— tradução de Augusto de Campos[5]
Referências
- ↑ Academy of American Poets. «Search Poems - Forms: Epigram». Poets.org (em inglês). Consultado em 1 de agosto de 2024
- ↑ Academy of American Poets. «The Stalin Epigram by Osip Mandelstam - Poems | Academy of American Poets». Poets.org (em inglês). Consultado em 1 de agosto de 2024
- ↑ Traduzido do russo para o inglês por Dmitri Smirnov - acessado em 13 de dezembro de 2015
- ↑ Vengeance of Kremlin's Highlander (Russian) traduzido por Semion Kiperman, publicado no Russian Jewish on-line Center
- ↑ Introdução de Ana Matoso e Larissa Shotropa na edição da Universidade de Lisboa de 2023 do Contra toda a Esperança da Nadejda Mandelstam.