Enrique Bernardo Núñez

Enrique Bernardo Núñez
Nascimento20 de maio de 1895
Valencia
Morte1 de outubro de 1964 (69 anos)
Caracas
ResidênciaValencia, Colômbia, Cuba, Panamá, Baltimore, Caracas
CidadaniaVenezuela
Ocupaçãoescritor

Enrique Bernardo Núñez Rodríguez (Valência, 20 de maio de 1895 – Caracas, 1º de outubro de 1964) foi um escritor e jornalista venezuelano, duas vezes cronista oficial de Caracas, autor de Cubagua (1931) e La galera de Tiberio (1938), e membro titular da Academia Nacional de História a partir de 1948.[1]

Biografia

Filho de Enrique Núñez e Isabel María Rodríguez, nasceu e passou sua infância e parte da adolescência em Valência. Estudou na Escola Rafael Pérez e depois no Colégio Requena de Valência. Após concluir o ensino médio, em 1910 mudou-se para Caracas com a intenção de estudar medicina na Universidade Central da Venezuela e dedicar-se ao jornalismo.[1]

Dois anos depois de ingressar na universidade, abandonou os estudos, movido por sua vocação literária. Nessa época, era frequentador assíduo das tertúlias e reuniões dos escritores que mais tarde seriam conhecidos como a Geração de 1918, e escreveu suas primeiras obras sérias.[1]

Trajectória literária

Em 1918 obteve uma menção em um concurso com a obra Bolívar orador e publicou seu primeiro romance, Sol interior. Em 1920 lançou seu segundo romance, Después de Ayacucho.[1]

Iniciou também sua carreira jornalística, trabalhando como redator de El Imparcial entre 1919 e 1920, e colaborando a partir de 1922 com outros jornais, como El Universal, El Heraldo e El Nuevo Diario, além das revistas Élite e Billiken. Dirigiu o jornal El Heraldo de Margarita, fundado por ele em 1925, período em que ocupava o cargo de Secretário-Geral de Governo do estado de Nova Esparta, nomeado pelo então governador e também escritor Manuel Díaz Rodríguez.[1]

Exerceu também a carreira diplomática, como primeiro-secretário da Venezuela na Colômbia, em Cuba e no Panamá, e como cônsul da Venezuela em Baltimore (Estados Unidos).[1]

Em 1931 publicou sua obra mais conhecida: Cubagua. Núñez concebeu Cubagua no fim de 1925, durante uma estadia em Margarita; escreveu-a entre 1928 e 1930, e a obra foi publicada finalmente em Paris em 1931 pela editora Le Livre Libre. A circulação inicial foi reduzida, e a crítica venezuelana deu-lhe pouca atenção no lançamento; com o tempo, porém, passou a ser reconhecida como uma obra maior.[1]

Em 1938 publicou La galera de Tiberio, romance que apresenta uma América Latina futurista, usando um registro mítico e histórico.[1] A narrativa combina três planos temporais (passado, presente e futuro), oferecendo uma visão possível da Venezuela e do mundo. Nela, um anel com o poder de alterar o curso dos acontecimentos desempenha um papel central — objeto que teria pertencido a Tibério, Fernando de Aragão, Carlos V, Filipe II ou João de Áustria, e que termina nas mãos de um almirante norte-americano.[2] Segundo Carlos Sandoval, trata-se de um dos primeiros exemplos de romance de ficção científica na Venezuela.[3]

Na década de 1940, retornou à Venezuela, onde continuou seu trabalho jornalístico em diversos jornais. Foi nomeado cronista da cidade em 1945 e exerceu essa função (com intervalos) até 1964, período em que promoveu a revista Crónica de Caracas. Como cronista de Caracas, escreveu La ciudad de los techos rojos (1947–1949), considerada um marco da crônica urbana venezuelana por sua reconstrução documentada da topografia, da memória histórica e da identidade da capital.[4] Foi um dos projetos emblemáticos de Núñez como cronista oficial da cidade.[5][6]

Em 1948 ingressou como membro titular da Academia Nacional de História.[7] Seu discurso de posse intitulou-se Juicios sobre la historia de Venezuela,[8] e foi respondido por Mario Briceño Iragorry.[9] Também se tornou membro correspondente da Academia Nacional de História da Argentina.[10]

Preparou e escreveu o prefácio das quatro primeiras edições de Los Anales Diplomáticos de Venezuela, publicação fundada em 1943 pelo chanceler Caracciolo Parra Pérez, mas que só veio à luz em 1952, quando Núñez assumiu sua direção.[7]

Faleceu em Caracas em 1º de outubro de 1964.[1]

Obras

Romances

  • 1918: Sol interior
  • 1920: Después de Ayacucho
  • 1931: Cubagua
  • 1938: La galera de Tiberio

Contos

  • 1932: Don Pablos en América
  • 1997: La insurgente y otros relatos

Ensaios

  • 1918: Bolívar orador
  • 1939: Signos en el tiempo
  • 1943: El hombre de la levita gris
  • 1944: Arístides Rojas, anticuario del Nuevo Mundo
  • 1945: Tres momentos en la controversia de límites con Guayana
  • 1947–1949: La ciudad de los techos rojos
  • 1954: Viaje por el país de las máquinas
  • 1963: Bajo el samán

Reconhecimentos e prêmios

  • 1947: Prêmio Municipal de Literatura
  • 1948: Membro titular da Academia Nacional de História
  • 1950: Premio Nacional de Periodismo Juan Vicente González

Referências

  1. a b c d e f g h i Bernardo Núñez, Enrique (1987). Oswaldo Larrazábal Henríquez, R. J. Lovera de Sola, ed. Novelas y ensayos. Caracas: Biblioteca Ayacucho 
  2. Pulido Zambrano, José Antonio (2023). «La narrativa de lo fantástico en la pequeña Venecia (Venezuela) (1837-1940)». Iberoamericana Vervuert. Historia de lo fantástico en las narrativas latinoamericanas (1830-1940), 2023, ISBN 978-3-96869-343-9, págs. 393-412: 393–412. ISBN 978-3-96869-343-9. Consultado em 30 de janeiro de 2024 
  3. Sandoval, Carlos (2020). «La ciencia ficción en Venezuela: orígenes y realizaciones (1861-1955)». Iberoamericana Vervuert. Historia de la ciencia ficción Latinoamericana, Vol. 1, 2020 (Desde los orígenes hasta la modernidad), ISBN 978-84-9192-177-6, págs. 417-443: 417–443. Consultado em 13 de junho de 2023 
  4. Salomón, Luisa (8 de julho de 2021). «Geografía ensayística de Enrique Bernardo Núñez (II)». Prodavinci (em espanhol). Consultado em 29 de novembro de 2025 
  5. D`Alessandro Bello, María Elena (agosto de 2010). «La crónica, un género para fijar a una Caracas del recuerdo». Letras (em espanhol). 52 (82): 63–87. ISSN 0459-1283. Consultado em 29 de novembro de 2025 
  6. Ciudad, Fundación Arquitectura y (18 de março de 2024). «1945• El Concejo Municipal de Caracas crea la figura de «Cronista Oficial»». Fundación Arquitectura y Ciudad (em espanhol). Consultado em 29 de novembro de 2025 
  7. a b «Núñez, Enrique Bernardo | Fundación Empresas Polar». bibliofep.fundacionempresaspolar.org. Consultado em 1 de dezembro de 2025 
  8. «Una ojeada al mapa de Venezuela». datos.bne.es (em espanhol). Consultado em 1 de dezembro de 2025. Cópia arquivada em 5 de setembro de 2022 
  9. Nuñez, Enrique Bernardo (1948). Discurso de Enrique Bernardo Nuñez en el acto de su recepción como individuo de número de la Academia Nacional de la Historia el 24 de junio de 1948. Contestación de Mario Briceño-Iragorry. [S.l.]: Tip. Americana. Consultado em 1 de dezembro de 2025 
  10. «Valenciano Enrique Bernardo Núñez, Primer Cronista de Caracas – Día del Cronista Oficial de Venezuela». Academia de la Historia del Estado Carabobo (em espanhol). Consultado em 1 de dezembro de 2025