Engrácia Cabenha
| Engrácia Cabenha | |
|---|---|
| Nascimento | novembro de 1948 Ícolo e Bengo |
| Cidadania | Angola |
| Ocupação | oficial |
Engrácia Francisco Adão Bravo Cabenha (Ícolo e Bengo, novembro de 1948) é uma militar e ativista anticolonial angolana. Foi a única mulher a integrar o grupo de nacionalistas que participou dos ataques a Luanda em fevereiro de 1961, operação que invadiu as prisões coloniais de Luanda dando origem à luta armada pela independência de Angola.[1]
Biografia
Engrácia Cabenha nasceu em Cassoneca, Ícolo e Bengo, em novembro de 1948.[2] Seus pais eram Francisco João Martins e Teresa Deão.[2] Possui os codinomes "Rainha do 4 de Fevereiro" e "Rainha da Libertação".[2] Na infância, vivia na casa de um tio no Rangel, em Luanda.[3]
Tinha apenas 12 anos quando foi a única mulher escolhida para pegar em armas e actuar diretamente nos ataques a Luanda em fevereiro de 1961[2] (a outra mulher presente na operação, Mariana Manana, chefiou a logística, não estando diretamente nos combates[4]), que resultaram na invasão das prisões coloniais de Luanda.[5]
Para tal, teve de passar por testes médicos que comprovassem que era virgem, sendo depois fechada numa casa durante 90 dias, sujeita a um período de jejum e preparação espiritual.[5][6] No total 3.123 combatentes foram preparados para os combates.[1]
Em 3 de fevereiro de 1961, a despeito de sua tenra idade, foi designada a chefiar a "Unidade Rainha" (seu nome de guerra Rainha advém desta unidade) do "Movimento Clandestino", um grupo de retaguarda montado por Adão Neves Bendinha.[1] No dia 4 de fevereiro de 1961, era a única mulher entre os 200 combatentes que invadiram as prisões de Luanda, a Emissora Rádio Nacional de Angola e a sede dos Correios de Angola, o que deu inicio à luta armada pela libertação de Angola.[7][8][9] Somente sobreviveu e escapou de ser presa, torturada e morta porque se escondeu e depois fugiu para o interior de Angola, conseguindo ir para a sede do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA) no Congo-Quinxassa e depois para a sede do partido no Congo-Brazavile.[3]
Engrácia posteriormente ingressou do Destacamento Feminino das Forças Armadas Populares de Libertação de Angola (FAPLA) que desempenhou um importante papel na luta anticolonial angolana.[7]
Actualmente na reserva, Engrácia Cabenha tem a patente de tenente-general das Forças Armadas Angolanas.[9]
Vida Pessoal
É irmã do músico Pedro Cabenha e do tenente-general Amadeu Francisco Cabenha "Calunga".[3] Seu irmão Amadeu também estava no Movimento Clandestino que participou dos ataques a Luanda em fevereiro de 1961.[10]
Referências
- ↑ a b c Associação Tchiweka de Documentação (2015). 1961 - Memória de um ano decisivo (PDF) 2ª ed. Luanda: Associação Tchiweka de Documentação. ISBN 978-989-98968-0-2
- ↑ a b c d Angop (4 de fevereiro de 2025). «Angola: Données biographiques des protagonistes du 4 février». All Africa
- ↑ a b c «Angola comemora 56 anos do início da luta armada: Antigos guerrilheiros querem um tratamento especial» (PDF). Nova Gazeta. 7 (336): 10 e 11. 31 de janeiro de 2019
- ↑ «Para o MPLA tudo são… "carnavais"». Folha 8. 4 de Fevereiro de 2023
- ↑ a b «Antigos guerrilheiros querem um tratamento especial». NovaGazeta. Consultado em 11 de abril de 2022
- ↑ Agualusa, José Eduardo (2007). Estação das chuvas: romance. [S.l.]: Leya
- ↑ a b «"Rainha do 4 e Fevereiro" exemplo para a juventude». Página Oficial do Vice-Presidente da República de Angola. 13 de junho de 2018. Consultado em 11 de abril de 2022
- ↑ Bydas. «Muito sangue foi derramado | - Angola Formativa». www.angolaformativa.com. Consultado em 11 de abril de 2022
- ↑ a b «As Muataas - Por Isilda Alves Coelho by O Toke É Esse - Issuu». issuu.com (em inglês). Consultado em 11 de abril de 2022
- ↑ «Amadeu Francisco: "O país nos faz de heróis do faz de conta, só nos lembra em Fevereiro"». Jornal O País. 3 de fevereiro de 2023