Ene Garcez dos Reis
Ene Garcez dos Reis | |
|---|---|
![]() Uma foto de Ene Garcez | |
| Período | 17 de abril de 1944 a 21 de julho de 1945 |
| Sucessor(a) | Félix Valois de Araújo |
| Nascimento | Rio de Janeiro |
| Morte | Rio de Janeiro |
| Primeira-dama | Dulce Aleixo |
| Partido | Partido Social Democrático |
| Profissão | Militar |
Ene Garcez foi o 1º Governador do então Território Federal do Rio Branco, nomeado pelo Presidente Getúlio Vargas, através do Decreto-lei n.º 5.839 de 21 de setembro de 1943. Chegou a Boa Vista, a bordo de um avião Catalina, hidroavião, pousando nas águas do rio Branco, em frente ao Porto de Cimento (onde hoje está a Orla Taumanan), na Praça Capitão Fábio Barreto Leite, às 10 horas do dia 20 de junho de 1944.
A comitiva do governador Ene Garcez era composta por sua esposa Dulce Aleixo dos Reis, e mais o professor Mário Homem de Melo (primeiro prefeito de Boa Vista – quando da criação do Território Federal do Rio Branco), do tenente Paulo Sóter da Silveira (secretário- geral), do Tenente João Batista da Silva (radioamador), do médico Silvio Botelho e do sanitarista Dr. Durval Araújo Cavalcante.[1]

História
Ene Garcez dos Reis nasceu em 1914, no Rio de Janeiro, filho e neto de generais do Império e da República. Era militar e pertenceu à Arma de Infantaria, tendo servido em Cáceres (Mato Grosso) como voluntário, no posto de Tenente. Em 1940 serviu, por 2 anos, em uma Companhia de Fronteiras em Porto Velho (atual Estado de Rondônia). Essas experiências em áreas de fronteiras despertaram seu interesse pelos problemas dessas regiões, passando a estudá-los. Em Porto Velho, conheceu o então presidente Getúlio Vargas, com quem conversou sobre essas questões.
Em 1942, após o término de seus 2 anos de serviço, solicitou servir no Batalhão de Guardas Presidenciais do Palácio do Catete (RJ). Este Batalhão também era responsável pela guarda do Palácio Guanabara (então residência oficial do Presidente da República) e do Palácio Rio Negro (residência de verão da Presidência) em Petrópolis.[1]

No Palácio Rio Negro, o ocupante da função de oficial-de-dia (responsável pelo corpo militar em serviço no dia) era convidado por Vargas para almoçar. Ao exercer a função, Garcez almoçou diversas vezes com Vargas, que o reconhecera. O presidente retomou a conversa sobre os problemas daquelas regiões, relatando a Garcez sua ideia de desmembrar alguns estados e criar os territórios federais.
Em 14/06/1943, Garcez foi nomeado Ajudante de Ordens de Vargas. Nessa época, foram criados os territórios federais do Amapá, Guaporé, Iguaçu e Rio Branco, e nomeados os militares que iriam governá-los, ficando, no entanto, sem governador o Território Federal do Rio Branco (hoje o Estado de Roraima).
O Presidente da República Getúlio Vargas, relatou a Ene Garcez não saber quem nomear para o cargo, e este se ofereceu então para ocupar a posição. Assim, em 17/04/1944, foi nomeado Governador do Território Federal do Rio Branco. A nomeação de Garcez deveu-se a sua experiência na região, sua capacidade profissional e a sua relação direta com Vargas.
Ene Garcez foi nomeado governador no dia 17/04/1944, mas só veio para Boa Vista no dia 20 de junho, devido as dificuldades de transporte naquele ano.
Em seu discurso inicial, quando tomou posse, Ene Garcez proferiu a seguinte frase: “Coube-nos a honra da primeira investidura como Governador. Não vemos no cargo as vantagens que poderíamos usufruir; antes, encaramo-lo como a mais árdua e espinhosa missão que temos recebido até agora. Aceitamo-la porque confiamos no vosso desejo de progredir e porque confiamos no Vosso profundo sentimento de brasilidade”. [1]
Contribuições de Ene Garcez
Urbanização de Boa Vista
Ene Garcez realizou nesta terra as primeiras obras estruturais para consolidação da nova unidade nacional – O Território Federal do Rio Branco. Dentre suas realizações podemos citar: A implantação do primeiro “Plano Diretor da cidade de Boa Vista”, e o idealizador, junto ao urbanista Darcy Derenusson, pelo formato do Centro Cívico em forma de leque para onde convergem, praticamente, todas as ruas de Boa Vista.

O capitão Ene Garcez dos Reis, construiu um novo Quartel, no Bairro Centro (próximo à Rua Professor Diomedes) onde hoje está o quartel da Polícia Militar com o “Comando de Policiamento da Capital (CPC), na hoje Rua Cerejo Cruz em frente à Escola Colméia, e construiu a primeira vila militar, ao lado daquele quartel. O quartel construído pelo Ene Garcez, posteriormente, em 1952, foi transformado em 1º Pelotão de Fronteira do Exército, subordinado ao Grupamento de Elementos de Fronteira (GEF) de Manaus. E, no dia 20 de abril de 1961, através do Decreto nº 50.480, o Pelotão de Fronteira foi transformado na 9ª Companhia de Fronteira (CIA FRON). E, em 1975, com a criação da Polícia Militar de Roraima, esta passou ocupar aquele Quartel, passando muitos anos como Quartel-Geral da Polícia Militar, até a construção do atual Quartel Geral, na Avenida Ene Garcez .[1]
Saúde Pública

No setor de Saúde Pública, foi atendido durante sua gestão, que durou um ano, 3.675 pessoas e hospitalizados 133. Admitiu, na função de médico, o Dr. Sílvio Lofêgo Botelho.com um salário de Cr$ 3. 000,00 (três mil cruzeiros), e o nomeou como Diretor da Divisão de Assistência à Maternidade e à Infância-DAMI (a primeira maternidade de Boa Vista), onde hoje funciona a Seplan-Secretaria Estadual de Planejamento-, na Rua Coronel Pinto, Centro.
Mesmo enfrentando as dificuldades de transportes, devido os problemas da 2ª Guerra Mundial, Ene Garcez, embora sem máquina ou tratores, iniciou e concluiu o serviço de desmatamento até o rio Mucajai, como primeiro passo para a construção da rodovia que ligaria, futuramente, Boa Vista – Mucajaí – Caracaraí.[1]
Comunicação
No setor de comunicações, encomendou dos Estados Unidos, e instalou no Território 11 (onze) estações de rádio que ligariam todos os pontos do Território. Viabilizou a primeira linha regular de avião internacional para Boa Vista, no percurso Caracas – Boa Vista, e também trouxe a linha aérea Cruzeiro do Sul que vinha do Rio de Janeiro de 15 em 15 dias. Isto sem falar nos barcos comprados para transportes de mercadorias e de pessoas.[1]
