Emulação

A emulação (do latim aemulatio) é um procedimento técnico em que, a partir de um modelo, em geral uma obra artística admirada, produz-se outra obra sem copiar o modelo servilmente. O objetivo é competir com esse modelo e tentar igualá-lo ou superá-lo, por meio do engenho, na satisfação que proporciona, mantendo elementos essenciais de sua estrutura.[1] Esse modo de criação artística baseado no uso de modelos de uma tradição difere da noção iniciada no romantismo de que produções artísticas são fruto de um "eu" que expressa sua subjetividade e originalidade.[1]

A instituição artística possui regras para que a emulação não se transforme em simples cópia ou plágio. A principal dessas regras determina que é preciso identificar qual é a propriedade que torna a obra imitada admirada. Ela que permite várias possibilidades de criação dentro de um mesmo gênero. Depois de descobrir qual é essa qualidade essencial, o autor deve, criar uma nova espécie dessa propriedade: algo que seja semelhante à obra original em sua essência, mas diferente na forma como essa semelhança aparece. É essa diferença que faz com que a nova obra participe mais intensamente e de modo mais elevado do gênero, exato efeito buscado pela emulação. Assim, o modo estratégico e criativo de produzir diferenças é o que distingue a emulação da imitação. Na emulação, as variações engenhosas criadas a partir das principais propriedades da obra emulada são inovações que repetem, mas de modo transformado, as convenções da tradição.[1]

Referências

  1. a b c Hansen, J. A. (2013). > «Instituição retórica, técnica retórica, discurso». Matraga (v. 20, n. 33): 15-16