Emonogatari

Emonogatari (絵物語; história ilustrada) é um tipo de narrativa ilustrada em que a proporção de imagens é muito maior do que em narrativas convencionais. Pode ser considerado uma adaptação do kamishibai (teatro de papel japonês) para o formato de livro, um livro ilustrado com texto mais abundante ou até uma forma de quadrinhos em que ilustrações e texto aparecem de maneira separada. As fronteiras entre esses formatos são bastante tênues, não é incomum que uma obra comece como emonogatari e, durante sua serialização, adote características mais próximas do mangá, ou o contrário.

O termo "emonogatari" já era utilizado em obras como Chinsuke Emonogatari, de Ippei Okamoto (publicado na revista Ryōyū, em 1917), e na coleção Manga Emonogatari, da série Shōgakusei Zenshū (Editora Bungei Shunjū, 1929). Durante a Segunda Guerra Mundial, o termo foi preferido em alguns casos no lugar de mangá, por soar mais neutro ou apropriado frente à censura da época.[1]

O formato teve grande popularidade especialmente antes e após a Segunda Guerra Mundial. Na maioria das obras, texto e ilustrações eram criados pela mesma pessoa. Algumas delas traziam balões de fala diretamente nas imagens, o que aproximava ainda mais o formato dos quadrinhos, razão pela qual emonogatari às vezes é considerado um tipo de mangá.

O estilo surgiu quando um editor da revista Shōnen Club propôs ao artista de kamishibai Sōji Yamakawa criar uma espécie de “kamishibai impresso” que pudesse ser lido individualmente. Acredita-se que o primeiro exemplo claro desse novo formato tenha sido publicado na década de 1930, na edição de julho de 1939 da revista, com o título Senbu no Yūshi (“O Bravo da Pacificação”).

Os criadores de emonogatari muitas vezes também atuavam como ilustradores, animadores, autores de mangás ou artistas de kamishibai.[2] Entre os nomes mais representativos estão o próprio Sōji Yamakawa e Shigeru Komatsuzaki. Até mesmo Osamu Tezuka, considerado o pai do mangá moderno, e o cineasta Hayao Miyazaki produziram obras nesse formato.

Embora o auge do emonogatari tenha durado apenas algumas décadas, especialmente nos anos 1940) , ele teve um papel importante na transição para o estilo dramático dos quadrinhos conhecido como gekiga, que emergiria nos anos 1950.[1][3]

Referências

  1. a b Ishiko, Junzō (2008). マンガの昭和史 Manga no Shōwashi [História do Mangá na Era Shōwa] (em japonês). Tóquio: 武田ランダムハウスジャパン. p. 30. ISBN 978-4-270-00383-1 
  2. McCulloch, Joe (22 de abril de 2014). «THIS WEEK IN COMICS! (4/23/14 - A Field Guide to Pre-Tezuka Japanese Comics in English Pt. 2)». The Comics Journal (em inglês). Consultado em 7 de maio de 2025 
  3. «The Roots of Gekiga». Google Arts & Culture. Consultado em 7 de maio de 2025