Emanuel

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Emanuel (em hebraico: עמנואל; Deus Conosco (Immanu'El); em latim: Emmanuel[1]; em grego: Ἐμμανουήλ) é um nome profético citado em Mateus 1:23 ("E ele será chamado Emanuel, que significa, Deus conosco") para se falar a respeito de Jesus, o Cristo, por este ter cumprido dezenas de profecias que anunciavam a vinda do Messias, segundo traduções cristãs da Bíblia Hebraica, particularmente do Antigo Testamento. Dentre as passagens do velho testamento há uma muito conhecida, que diz: «Portanto o mesmo YHWH vos dará um sinal: Eis que uma jovem conceberá, e dará à luz um filho, e chamará o seu nome Emanuel» (Isaías 7:14).

Na religião rastafári

Na teologia rastafári, Haile Selassie I, último imperador da Etiópia, é considerado o cumprimento definitivo da profecia de Emanuel anunciada em Isaías 7:14 (“Eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho, e lhe porá o nome de Emanuel”). Tal cumprimento não é entendido como referência ao sinal histórico concedido ao rei Acaz no século VIII a.C., nem se limita à interpretação cristã tradicional que identifica Jesus de Nazaré como o Emanuel nascido de virgem. Antes, o movimento rastafári relê a profecia em perspectiva escatológica e afrocentrada, vendo em Haile Selassie a manifestação plena e final de “Deus conosco” nos tempos do fim.

Longe de postular um segundo Emanuel distinto ou adicional, a grande maioria das correntes rastafári afirma a identidade ontológica entre o Cristo da primeira vinda e o Cristo da segunda vinda: a mesma Divindade que outrora se encarnou no palestino humilhado e crucificado revela-se agora no monarca africano coroado, descendente da linhagem salomônica, como Rei dos Reis e Leão Conquistador da Tribo de Judá. Trata-se, portanto, de uma única presença teândrica que se desdobra em duas dispensações históricas: a primeira marcada pelo sofrimento redentor, a segunda pela glória régia e pelo juízo libertador.Assim, Haile Selassie I é reconhecido como o Emanuel negro, ou, mais precisamente, como o Emanuel da segunda manifestação em Seu caráter real, realizando as promessas de Isaías 9:6-7 e do Apocalipse joanino em favor da redenção da África e da diáspora. Nesta hermenêutica, a profecia não se esgota em nenhum evento do passado remoto, mas alcança sua consumação na figura do imperador etíope, presença viva e definitiva de Jah entre os seus na era da restauração sionista negra.

Referências

  1. Forma utilizada na Vulgata, como se vê em Mateus 1:23 no site do Vaticano.

Bibliografia

  • Who do you say that I am?: essays on Christology by Jack Dean Kingsbury, Mark Allan Powell, David R. Bauer 1999 ISBN 0-664-25752-6 página 17 (em inglês)